ais uma startup de delivery de supermercado chegou ao fim da linha, se somando a nomes como Justo e Mercado Diferente. Agora, foi a vez da Trela anunciar o fim de suas operações, depois de seis anos na ativa.Em nota enviada a clientes e parceiros nesta quinta (02), a companhia comunicou a decisão, e deu como motivo para a medida a falta de recursos para continuar mantendo a operação. De acordo com os fundadores, para continuar crescendo, a companhia precisava fazer uma nova captação, mas não obteve sucesso.“Nos esforçamos muito para isso, mas não encontramos os parceiros e os termos necessários para seguir em frente. Sem os recursos necessários para continuar, a decisão responsável foi encerrar por aqui”, destacaram os sócios Guilherme Nazareth, João Jonk e Felipe Araújo, no comunicado.Apesar do comunicado, o o e-commerce da companhia continua no ar. Procurado pela reportagem do Startups, a Trela explicou que seus canais de suporte seguem disponíveis até o dia 30 de abril.“Queremos reforçar que todos os nossos compromissos financeiros serão honrados integralmente, nos prazos corretos. Nosso time comercial seguirá ativo para dar apoio e resolução de pendências e nos próximos dias”, disseram os fundadores em nota.Leia também: “Já existe o ‘sabor’ chocolate. Daqui a pouco terá só o aroma”, diz fundador da DengoSobrevivência e planosA Trela tinha se firmado como uma das sobreviventes em meio ao fechamento de diversas startups de supermercado online e venda de alimentos saudáveis. Em 2023 e 2024, nomes como Justo e Mercado Diferente encerraram suas operações, sofrendo a “ressaca” do pós-pandemia e retorno dos consumidores aos supermercados tradicionais.No ano passado, em conversa com o Startups, o CEO da Trela Guilherme Nazareth se mostrou otimista com o futuro, dizendo que sua empresa ainda estava “desenvolvendo a receita de como o e-commerce alimentar vai dar certo”. Para otimizar custos e testar um novo modelo de eficiência, a empresa resolveu romper com o modelo de varejo baseado em estoque parado.Para isso, a empresa montou um centro de distribuição (CD) próprio na Lapa, em São Paulo, com um modelo de entregas just in time – ao invés de manter inventário esperando o consumidor, a empresa passou a operar com entregas frequentes e reposições programadas em parceria com fornecedores.“O negócio está fazendo sentido a ponto de fazer a nossa rodada render”, disse o CEO ao Startups em maio do ano passado. “A partir de dois anos teremos potencial de sair de São Paulo”, completou.No captable, a startup tinha investidores de peso confiando nessa tese. Em 2021, a startup levantou R$ 16 milhões em uma rodada seed liderada pela Kaszek e General Catalyst. Um ano depois, ainda no embalo da pandemia, levantou mais US$ 25 milhões com o SoftBank.A parte das tretasNos últimos tempos, porém, a Trela assumiu uma postura mais confrontacional, acusando concorrentes de práticas desleais e chegando a colocar um deles – a Shopper na justiça.Em julho do ano passado, a Trela protocolou no Ministério Público de São Paulo uma denúncia contra a Shopper, acusando a empresa de práticas anticoncorrenciais. Na ação, a Trela acusou a Shopper de fazer contratos com seus fornecedores, onde oferecem altos valores em troca de exclusividade, proibindo esses comerciantes de vender produtos a outras plataformas como Trela e Rappi.“Essas práticas já prejudicaram o mercado antes, e o iFood foi acusado pelo Cade deste tipo de concorrência desleal. A Shopper agora foi investida pelo iFood e está replicando esse playbook. Não vamos deixar isso passar”, disparou Guilherme, em conversa com o Startups na época. Vale lembrar que desde o fim de 2024 a Shopper é investida do iFood, algo que deu fôlego para a plataforma concorrer no mercado.O processo teve um fim desfavorável para a Trela em janeiro. O MP arquivou o processo, concluindo que não há elementos suficientes para caracterizar violação às normas de defesa do consumidor, e sugeriu que a queixa fosse levada ao Cade.Apesar de todos os percalços e brigas, a nota de despedida da Trela termina com orgulho para os fundadores. “Construímos um serviço único e inovador, focado em qualidade e experiência. E vimos fornecedores crescerem junto com a Trela, chegando a pessoas que nunca tinham encontrado seus produtos antes. Juntos, impactamos a vida de mais de 100 mil pessoas e deixamos um impacto positivo no mercado”, destacaram os executivos.Conteúdo produzido por Startups.The post Startups: Trela anuncia fim das suas atividades appeared first on InfoMoney.