Enquanto Moraes tem reunião secreta com Lula, Mendonça espreme Vorcaro

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Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do PovoSTFPor Deltan Dallagnol01/04/2026 às 19:43Ministro do STF André Mendonça durante sessão no Supremo Tribunal Federal. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)Ouça este conteúdoO portal Metrópoles revelou nesta última terça-feira (31) uma informação que normalmente seria bombástica, mas que hoje em dia se tornou comum: o presidente Lula teve uma reunião secreta com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fora da agenda oficial, logo após o vazamento das mensagens de Moraes com Daniel Vorcaro.No mesmo dia, o colunista Guilherme Amado revelou as duas perguntas sobre Moraes que André Mendonça vai fazer a Vorcaro na delação. As revelações concomitantes mostram a dinâmica que está se formando: Lula blindando politicamente Moraes, enquanto Mendonça investiga tecnicamente o mesmo Moraes, cujo pescoço está cada vez mais amarrado na corda da forca chamada Banco Master.Por que essa reunião foi mantida fora da agenda oficial? Porque revelar publicamente que o presidente se reuniu com um ministro potencialmente investigado criaria um constrangimento institucional enorme. Revelaria a blindagem — como as salsichas são feitas, como as decisões são tomadas em Brasília. Mas fazê-lo secretamente permite que Lula dê o recado político que importa.Na agenda secreta, Lula fez questão de dizer que não pretende abandonar Moraes de jeito nenhum, porque é muito grato pelo trabalho de Moraes contra Bolsonaro e o bolsonarismo durante as eleições de 2022 e no julgamento da trama golpista. Ou seja, Lula é grato a Moraes por colocá-lo no poder e por jogar na cadeia seus principais opositores, tirando do caminho justamente quem poderia desafiá-lo agora na disputa pela Presidência da República.Na visão de Lula, Moraes foi fundamental para ele voltar ao poder. Agora, Lula está retribuindo o favor com blindagem política. É uma transação política clara: Moraes ajudou Lula a chegar ao Planalto; Lula agora protege Moraes das investigações.Lula não é bobo, e o papo às escuras com Moraes nos porões do Planalto tem dois objetivos: primeiro, mostrar ao explosivo Moraes que Lula não irá soltar a mão dele, evitando que o ministro faça algo para retaliar o governo pela falta de apoio; segundo, colocar-se como um aliado fiel de Moraes, apostando que ele continuará no Supremo em 2027, quando tomará posse como presidente do tribunal — e apostando que Lula estará lá em 2027, algo para o que, aliás, Moraes pode voltar a contribuir.Mas, enquanto isso acontece no campo político, no campo técnico-jurídico o ministro André Mendonça segue comandando as investigações do caso Master e do INSS, as duas maiores bombas políticas da história recente do Brasil. Segundo o colunista Guilherme Amado, Mendonça tem duas perguntas cruciais preparadas para apresentar a Vorcaro na delação.Pergunta um: “O contrato com Viviane Barci de Moraes contemplava apenas os serviços dela ou também do marido?”Essa é a pergunta de cento e vinte e nove milhões de dólares — literalmente. Porque, se o contrato de R$ 129 milhões de dona Vivi, a advogada mais cara do mundo, contemplava serviços de Alexandre de Moraes, isso pode configurar crimes como tráfico de influência, advocacia administrativa e corrupção passiva. A diferença entre um contrato legítimo com a esposa e um esquema criminoso envolvendo o ministro está nessa resposta.Pergunta dois: “O que Moraes e Vorcaro conversaram no dia 17 de novembro de 2025, na véspera da prisão do ex-banqueiro e da liquidação do Master pelo BC?”É aqui que Vorcaro vai ter que explicar o que realmente queria com a mensagem para Moraes, em que indagava — ou suplicava: “Conseguiu bloquear?”. Ninguém explicou até hoje. Bloquear o quê? A prisão? As investigações? Moraes teria atuado para blindar Vorcaro? A conversa do dia anterior à prisão pode revelar se houve tentativa de obstrução de justiça. Se houve, cabe, pela lei, prisão preventiva — embora a dinâmica do poder possa, mais uma vez, barrar a aplicação da lei no Brasil.E a conclusão do colunista é correta e explosiva: “Das duas respostas depende o futuro de Alexandre de Moraes.”A dinâmica está clara: Lula está blindando Moraes politicamente com reuniões secretas e promessas de apoio. O presidente garante que Moraes assumirá a presidência do STF em setembro de 2027 como se nada tivesse acontecido. Mas André Mendonça está investigando tecnicamente, com perguntas que podem destruir juridicamente e politicamente o ministro.É política versus direito, proteção presidencial versus delação premiada, blindagem do Planalto versus provas da Polícia Federal (PF).E as investigações têm vida própria. Por mais que Lula prometa apoio, por mais que o Planalto tente proteger, se Vorcaro responder a essas duas perguntas confirmando que o contrato contemplava serviços de Moraes e que houve tentativa de obstrução na véspera da prisão, nenhuma blindagem política vai segurar o que vier pela frente. Mendonça colocou as perguntas certas. Agora é esperar as respostas.Deltan DallagnolDeltan Dallagnol é embaixador nacional do partido Novo. É mestre em Direito pela Universidade de Harvard. Trabalhou como procurador da República por mais de 18 anos, e atuou em casos como o Banestado e a Operação Lava Jato, a qual coordenou por 6 anos. Nas eleições de 2022, Deltan foi o deputado federal mais votado do Paraná e o sétimo mais votado do país. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.Você pode se interessarEncontrou algo errado na matéria?Comunique errosUse este espaço apenas para a comunicação de errosPrincipais ManchetesFim da CPMI do INSS revela dificuldade para investigações avançarem no CongressoMercado vê Caiado como incapaz de influenciar eleição e aceita Flávio para derrotar LulaEUA expressam preocupação com decisões do governo e da Justiça sobre liberdade de expressão no Brasil“Guerra jurídica”: relatório americano põe Moraes de novo na mira; assista ao Última AnáliseTudo sobre:Alexandre de MoraesAndré MendonçaBanco MasterSTFWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.Gazeta do PovoNotíciasOpiniãoInformações