Inteligência artificial reposiciona RH e amplia o papel humano na tomada de decisão

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StartupiInteligência artificial reposiciona RH e amplia o papel humano na tomada de decisão A adoção de inteligência artificial em recursos humanos tem avançado e alterado a forma como empresas tomam decisões sobre pessoas. O movimento combina automação de processos com o uso de dados comportamentais para orientar contratações, desenvolvimento e retenção.Segundo levantamento da Staffing Industry Analysts, cerca de 72% dos profissionais de RH utilizaram IA em 2025, ante 58% em 2024. O dado indica expansão do uso da tecnologia em atividades operacionais e analíticas.Esse avanço ocorre em paralelo a uma mudança no próprio objeto de análise do RH. Dados do Pandapé mostram que 57% dos recrutadores já deixaram de contratar candidatos tecnicamente qualificados por falta de alinhamento comportamental, enquanto apenas 39% das empresas possuem mapeamento estruturado dessas competências.Para Heidi Brooks, professora de Comportamento Organizacional na Yale School of Management, uma das disciplinas mais procuradas da instituição, a forma como organizações lidam com tecnologia ainda reflete uma tendência de simplificação da experiência humana. “As pessoas em negócios são, fundamentalmente, solucionadoras de problemas, mas nós tomamos o risco de tratarmos os humanos como um problema para resolver. E quando fazemos isso, nós perdemos muito do que os humanos podem agregar ao grupo. Isso tende a fazer tudo mais difícil para quem gerencia o negócio, independente das tecnologias utilizadas como ferramentas.”O bate-papo com a especialista aconteceu nesta quarta-feira, 1º de abril, durante a segunda edição da Humanship Conference, evento que reuniu centenas de líderes de Gestão e Recursos Humanos em São Paulo para discutir o futuro deste mercado.Automação e mudança de foco no RHA automação de tarefas é um dos principais vetores de adoção da IA. Empresas relatam reduções de até 30% no custo por contratação e 25% no tempo de recrutamento, segundo compilações de mercado sobre IA aplicada ao recrutamento. Além disso, análises indicam que até dois terços das tarefas de contratação podem ser automatizadas.Esse ganho de eficiência desloca o foco do RH para atividades relacionadas à interpretação de comportamento e contexto organizacional. Nesse sentido, Heidi aponta que esse deslocamento exige revisão da lógica de gestão. “Esse pensamento comum de produzir ‘mais, melhor, mais rápido’ tende a fazer tudo mais difícil para a gestão de pessoas. Nós precisamos usar ‘mais rápido’ onde é adequado, e ‘mais conectado’ quando se trata de dinâmicas humanas.”Dados, fricção e qualidade da decisãoCom o avanço de People Analytics, decisões passam a ser cada vez mais orientadas por dados. No entanto, a especialista destaca que a qualidade dessas decisões depende de elementos que não são eliminados pela tecnologia. “Conflitos e desacordos humanos, perspectivas diferentes… tudo isso aumenta a qualidade e a eficiência da nossa decisão. É aí que nós, como pessoas, florescemos. Nós nos vemos e nos conectamos através desse tipo de fricção e conflito. A fricção e a recuperação dela são uma capacidade humana única nesse ponto. Eliminar a complexidade humana pode reduzir a qualidade das decisões, mesmo em ambientes orientados por dados”, diz.A incorporação da IA também impacta o papel da liderança. O acesso a dados amplia a capacidade de análise, mas não substitui a gestão das relações. “A liderança é uma função social. Se você está liderando e não envolve outras pessoas, você está fazendo tudo errado. O que define a liderança não é o que está dentro de nós, é o espaço entre nós”. Esse “espaço entre”, que é definido pela qualidade das interações, passa a ser um dos principais objetos da gestão de pessoas, especialmente em um cenário de maior uso de tecnologia. Nesse contexto, a gestão de pessoas passa a incorporar tanto dados quanto a construção de ambientes sociais.O avanço da tecnologia também se reflete em projeções de mercado. Segundo a Technavio, o mercado de IA aplicada a recursos humanos deve registrar crescimento adicional de cerca de US$ 16,55 bilhões até 2029. Ao mesmo tempo, relatórios indicam que a adoção ainda não é homogênea. Parte das organizações não explora plenamente aplicações mais avançadas, como IA generativa em RH.Para Brooks, essa diferença está relacionada à capacidade de adaptação humana. “Podemos assumir que podemos programar e escalar mais rápido do que os humanos podem mover. Por isso, temos que prestar atenção na experiência que estamos proporcionando, não apenas na escala. E, francamente, as pessoas não são boas em pensar negócios a partir da experiência humana.”Entre eficiência e complexidadeA incorporação da inteligência artificial amplia a capacidade analítica das organizações, mas não elimina os desafios estruturais da gestão de pessoas. Heidi aponta que a busca por eficiência total pode ignorar a natureza do trabalho humano. “A ideia de um lugar sem fricção é a ideia de um lugar não habitável para pessoas. A questão não é como criarmos uma organização perfeita, sem complexidades, a questão é: como podemos nos tornar melhores como seres humanos dentro dentro das organizações?”. Nesse cenário, a inteligência artificial amplia a capacidade de análise e execução, enquanto a tomada de decisão permanece dependente de interpretação, contexto e interação social.A expansão da inteligência artificial no RH indica que a gestão de pessoas tende a se tornar cada vez mais orientada por dados, com maior capacidade de prever comportamentos, mapear competências e automatizar decisões operacionais.Ao mesmo tempo, os elementos centrais da dinâmica organizacional, como conflito, interação, confiança e engajamento, permanecem dependentes da experiência humana e não são integralmente traduzidos por modelos analíticos.Assim, Heidi entende que o papel do RH e das lideranças passa por uma reconfiguração. A tecnologia assume funções de processamento, enquanto cresce a demanda por competências relacionadas à interpretação, mediação e construção de contextos organizacionais.O futuro da gestão de pessoas, afirma a especialista, tende a ser definido menos pela substituição do humano pela tecnologia e mais pela forma como organizações equilibram análise de dados com a capacidade de sustentar relações, interpretar contextos e tomar decisões em ambientes complexos.Aproveite e junte-se ao nosso canal no WhatsApp para receber conteúdos exclusivos em primeira mão. Clique aqui para participar. Startupi | Jornalismo para quem lidera inovação!O post Inteligência artificial reposiciona RH e amplia o papel humano na tomada de decisão aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Marystela Barbosa