Governo mira operação para limitar reajuste da conta de luz a um dígito

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O governo federal trabalha para conter os reajustes tarifários de energia elétrica em 2026 dentro de um dígito, com foco especial no primeiro semestre, período mais sensível do calendário político e inflacionário, apurou a CNN.A estratégia, ainda em construção, deve seguir a lógica de mecanismos adotados em crises anteriores, como a Conta Covid e a Conta Escassez Hídrica (operações estruturadas pelo governo para evitar repasses imediatos de custos às tarifas, por meio da contratação de empréstimos bilionários em nome do consumidor).Nesses casos, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) atuou como tomadora dos recursos junto a um pool de bancos, com garantia de pagamento via encargos tarifários futuros. Esse formato permitiu evitar que a dívida fosse registrada diretamente no balanço das distribuidoras, sendo diluída ao longo do tempo via encargos tarifários.A meta interna, segundo fontes, é evitar aumentos mais elevados, hoje projetados em cerca de 8% em média no país pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), e impedir que casos de dois dígitos continuem a ocorrer, como já observado em distribuidoras recentes, como Roraima Energia, e Enel Rio.O principal ponto de preocupação é o risco de que a operação seja estruturada como um empréstimo direto, mesmo que com juros subsidiados, o que teria impacto imediato sobre o endividamento das companhias. “Não dá para ser dívida, fere covenant”, afirmou uma fonte do setor.Na prática, isso significa que um empréstimo tradicional poderia violar cláusulas contratuais financeiras, limitaria a capacidade de crédito das empresas e criaria risco de rebaixamento ou pressão sobre balanços.Agora, o governo avalia reeditar essa engenharia financeira, com valores estimados em torno de R$ 7 bilhões. A CNN Apurou que o chamado “bônus de Itaipu” de R$ 800 milhões poderia entrar como complemento, e não substitui uma solução estrutural baseada em financiamento.Norte e Nordeste ficam fora da equaçãoAs medidas em discussão não devem alcançar todas as regiões. Distribuidoras do Norte e Nordeste já contam com a a repactuação do UBP (Uso de Bem Público), que pode levar a reajustes próximos de zero.