EUA reconhecem que podem encerrar a guerra sem reabrir o Estreito de Ormuz

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O presidente dos EUA, Donald Trump, e sua administração acreditam cada vez mais que não podem prometer reabrir o Estreito de Ormuz como pré-requisito para encerrar a guerra contra o Irã, disseram fontes familiarizadas com as discussões à CNN.Dentro da Casa Branca, muitos altos funcionários reconhecem que reabrir o ponto de estrangulamento do petróleo controlado por Teerã é um objetivo crucial — não apenas para encerrar a guerra, mas também para reduzir os preços exorbitantes do petróleo e do gás, que estão se tornando rapidamente um grande problema para os republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro.Mas, enquanto se aproximam do prazo autoimposto de quatro a seis semanas para encerrar a guerra, altos funcionários do governo reconheceram em particular que não podem atingir seus objetivos militares rapidamente e, ao mesmo tempo, prometer reabrir o estreito dentro do mesmo prazo, de acordo com as fontes familiarizadas com essas conversas. Leia mais Putin apoia "solução pacífica" para guerra com o Irã, diz Kremlin EUA prometem frustrar ataques do Irã contra empresas americanas Reino Unido envia sistemas de defesa aérea para países do Golfo Pérsico Autoridades e muitos na comunidade de inteligência estimam que a restauração do Estreito à sua plena operacionalidade pode levar semanas, senão meses. Cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo normalmente flui por essa via navegável.Em vez disso, Trump comunicou publicamente, bem como a assessores e aliados diretamente, que acredita que outros países precisam arcar com parte, senão a maior parte, do ônus.Ele argumentou que, como muitas nações europeias dependem mais do Estreito para seu petróleo, elas também devem ser responsáveis ​​por ajudar a restabelecê-lo.“Criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nós”, escreveu Trump em publicação no Truth Social na manhã desta terça-feira (31), mencionando especificamente o Reino Unido.Trump vem pressionando os aliados dos EUA há semanas para que enviem seus próprios navios de guerra ao Estreito para escoltar petroleiros. Ele está cada vez mais frustrado com o fato de ninguém ter concordado em intervir enquanto a guerra ainda está em curso.Enquanto isso, a visão coletiva entre muitos líderes estrangeiros é que Trump pretende transferir para eles um problema criado por ele mesmo, assim que decidir que a guerra acabou, de acordo com autoridades familiarizadas com esses sentimentos.Líderes europeus, que não foram consultados previamente sobre os ataques dos EUA ao Irã, têm se mostrado cautelosos em se envolver no conflito enquanto ele ainda está em curso.Diversas nações assinaram declarações prometendo cooperação para o patrulhamento do estreito, mas não estabeleceram prazos para quando isso poderá começar.Trump argumentou que acredita que o estreito será mais fácil de reabrir assim que as hostilidades com o Irã terminarem. Ele e a Casa Branca também descartaram preocupações relacionadas aos potenciais impactos de longo prazo da guerra nos preços da gasolina, que na terça-feira atingiram uma média nacional de US$ 4,02 por galão pela primeira vez desde 2022.“Os preços cairão quando sairmos, quando tudo acabar”, disse Trump à CBS News em uma entrevista por telefone na terça-feira.Em declaração à CNN, Leavitt minimizou novamente a alta dos preços, classificando-a como um problema temporário.“Quando a Operação Epic Fury for concluída, os preços da gasolina voltarão aos níveis mínimos históricos que os motoristas americanos desfrutavam antes dessas interrupções de curto prazo”, afirmou.A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em declaração à CNN, listou diversas medidas tomadas pelo governo para aliviar o impacto dos altos custos do petróleo, incluindo a suspensão de algumas sanções ao petróleo russo, o fornecimento de seguro para petroleiros no estreito e a coordenação da liberação de 400 milhões de barris de petróleo.Ela afirmou que o governo “está e estava preparado para qualquer ação potencial do regime terrorista iraniano”.“O presidente está confiante de que o Estreito será aberto em breve, e nossas forças armadas continuam a reduzir progressivamente a capacidade do Irã de aterrorizar navios mercantes”, acrescentou Kelly.Muitas pessoas dentro do governo Trump reconhecem que a reabertura do estreito é crucial e, para isso, continuam em contato próximo com os aliados dos EUA, segundo fontes familiarizadas com as negociações.Uma pessoa próxima ao presidente argumentou que a retórica pública agressiva de Trump em relação às nações europeias não apenas reflete seus verdadeiros sentimentos sobre o assunto, mas também representa uma boa estratégia de relações públicas.“Ele está certo quando diz que não é apenas um problema dos EUA. Mas também é uma ótima estratégia política e, francamente, de relações públicas, enquadrar isso como um problema compartilhado, que exige que outros países se mobilizem para resolvê-lo”, disse a pessoa.Altos funcionários americanos têm abraçado essa mensagem nos últimos dias.“Essa questão do Estreito de Ormuz, para a qual criamos as condições para o sucesso e garantiremos que o Irã saiba disso muito claramente, não é apenas um problema dos Estados Unidos da América”, disse o secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma coletiva de imprensa no Pentágono na manhã desta terça-feira.“Estivemos dispostos a liderar, o presidente Trump liderou o tempo todo. Mas não se trata apenas de nós.”“Portanto, em última análise, acho que outros países deveriam prestar atenção”, acrescentou. “Você pode querer…”O secretário de Estado Marco Rubio reiterou que os EUA ainda desejam formar uma coalizão internacional para policiar o estreito, mas reconheceu que se trata de um objetivo a longo prazo.Rubio discutiu o assunto com seus homólogos do G7 na França na última sexta-feira (27) e afirmou que muitos compreenderam a necessidade de tal grupo.“Estamos trabalhando arduamente para que isso aconteça”, disse ele.Em declarações após a reunião ministerial, Rubio alegou que o governo “sempre” considerou uma coalizão de aliados para reabrir o estreito “uma necessidade pós-conflito”, apesar da falta de aviso prévio aos países aliados antes do início dos ataques e da pressão de Trump por assistência imediata no estreito.Guerra no Oriente Médio: “Vão buscar seu próprio petróleo” diz Trump a aliados | CNN 360°O secretário de Estado também indicou repetidamente que os EUA desempenhariam apenas um papel de apoio em tal coalizão, afirmando que os EUA estavam “preparados para fazer parte desse plano. Não precisamos liderá-lo.”“Mas esses países têm muito a perder, não apenas os países do G7, mas países da Ásia e de todo o mundo têm muito a perder e devem contribuir muito para esse esforço para garantir que nem o Estreito de Ormuz, ou, francamente, qualquer via navegável internacional, jamais seja controlado ou sujeito a pedágio por um Estado-nação ou por um governo terrorista como o que existe hoje no Irã, seu regime clerical radical”, acrescentou Rubio.Enquanto isso, à medida que os EUA buscam potencialmente ceder a liderança na reabertura da via navegável crucial, a China e o Paquistão — este último atuando como negociador-chave entre os EUA e o Irã — apresentaram seu próprio plano de cinco pontos para “restaurar a paz e a estabilidade” no Oriente Médio.O plano inclui um ponto sobre o estreito.“A China e o Paquistão apelam às partes para que protejam a segurança dos navios e tripulantes retidos no Estreito de Ormuz, permitam a passagem rápida e segura de navios civis e comerciais e restabeleçam a passagem normal pelo Estreito o mais breve possível”, diz a declaração conjunta divulgada na terça-feira.Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?