6 ações caem mais de 15% e 8 sobem mais de 10%: os destaques do Ibovespa em março

Wait 5 sec.

O Ibovespa teve uma última sessão de março e do trimestre de fortes ganhos, de 2,71%, mas ainda assim encerrou o terceiro mês do ano em queda, de 0,7%, após uma sequência de sete avanços. Todo o mês foi permeado por aversão a risco global com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que ultrapassa quatro semanas. A performance positiva no último pregão do mês, por sinal, apoiou-se em noticiário sobre possível alívio no conflito no Oriente Médio.Neste cenário, as ações de petroleiras foram destaque de alta do Ibovespa no período em meio ao salto do petróleo no mês, ainda que com queda no último pregão de março. No trimestre, as petroleiras também são destaque de alta, caso de Petrobras ON (PETR3; +66,90%), PRIO (PRIO3, +58,55%), Petrobras PN (PETR4; +58,48%). Natura (NATU3, +45%) também subiu forte nos primeiros três meses do ano. No mês, 8 ações fecharam com ganhos de pelo menos 10%, sendo 2 da Petrobras: Petrobras (PETR3, +20,58%; PETR4, +18,33%), Natura (NATU3, +16,13%), PRIO (PRIO3, +15,59%), Eneva (ENEV3, +15,32%), SLC (SLCE3, +12,44%), Ultrapar (UGPA3, +10,85%) e PetroRecôncavo (RECV3, + 10,21%).Por outro lado, a endividada CSN (CSNA3), construtoras como MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) estiveram entre as maiores quedas do mês. Enquanto isso, Hapvida (HAPV3; -30,63%) foi a maior baixa do trimestre, seguida pela própria CSN (-27,24%) nos três primeiros meses do ano. No mês, 6 ações do Ibovespa caíram mais de 15%: CSN (-24,82%), MRV (MRVE3, -21,38%), Embraer (EMBJ3, -17,17%), Direcional (DIRR3, -16,88%), Minerva (BEEF3, -16,67%) e Vivara (VIVA3, -15,96%).Confira os destaques do Ibovespa no mês de março:Baixas de açõesCSN (CSNA3, -24,82%)As ações da CSN tiveram forte baixa no mês em meio a preocupações com alavancagem, ainda que parcialmente endereçadas durante o mês. Apenas no dia 12, após a divulgação dos resultados, as ações fecharam em queda de mais de 14%. Em destaque, a dívida líquida da companhia subiu para R$ 41,2 bilhões no período, alta de 10% frente ao trimestre anterior, refletindo principalmente a geração negativa de fluxo de caixa livre. O aumento do endividamento também foi influenciado por outros fatores, como pagamentos antecipados em caixa, efeitos cambiais negativos e maior dívida líquida relacionada à MRS e outras operações.No fim do mês, a CSN deu um passo importante para reorganizar sua estrutura de capital ao anunciar um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de ampliação para US$ 1,4 bilhão, junto a um sindicato de bancos de primeira linha. A operação, com prazo de cinco anos e custo de SOFR + 6% ao ano, reforça a liquidez da companhia e cria uma ponte relevante para o refinanciamento de passivos, enquanto a empresa avança em seu plano de desalavancagem.Mais do que uma solução definitiva, a operação representa um voto de confiança importante na capacidade de execução da companhia, apontou Rafael Bellas, Head de Alocação da InvestSmart X. O próximo grande catalisador está no plano de desinvestimentos anunciado pela CSN, que prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos como CSN Cimentos e CSN Infraestrutura. É justamente essa agenda que pode permitir uma redução mais estrutural da alavancagem ao longo de 2026.“Em outras palavras, a CSN já começou a montar a ponte financeira de que precisava. Agora, o mercado deve acompanhar de perto a velocidade e a eficiência na execução dos desinvestimentos, que serão determinantes para que a companhia consiga transformar o alívio de curto prazo em uma trajetória mais consistente de reequilíbrio financeiro”, ressaltou Bellas. MRV (MRVE3, -21,38%) e Direcional (DIRR3, -16,88%)A MRV (MRVE3) foi outra companhia que viu seus resultados impactarem fortemente na performance dos papéis. A construtora divulgou seu balanço ainda no início do mês, com indicadores operacionais positivos e processo de turnaround considerado como finalizado pelo CFO do grupo, Ricardo Paixão. Para analistas, o resultado ainda inspira desconfiança com o papel. Para o JPMorgan, por exemplo, o processo de turnaround da empresa continua, com lucro líquido consolidado em R$ 117 milhões, abaixo da estimativa do banco, mas próximo ao consenso do mercado. O banco segue Overweight (exposição acima da média, equivalente à compra). De acordo com os analistas, a MRV continua mostrando recuperação nos lucros em seu segmento principal, mas a pressão sobre o lucro consolidado permanece.O papel também foi impactado negativamente pela alta nos juros futuros com o ambiente de aversão a risco, uma vez que o setor é fortemente correlacionado com juros.Também nesse cenário de alta dos juros futuros, que impacta setores ligados à economia doméstica, as ações da Direcional (DIRR3) fecharam em forte queda no mês.A companhia também divulgou seus resultados no mês, com resultados sólidos no 4º trimestre de 2025, sustentando um crescimento de 34% anual no lucro por ação. Como ponto negativo, o consumo de caixa ficou acima das expectativas, apontou o BBA. Embraer (EMBJ3, -17,17%)As ações da Embraer (EMBJ3) foram impactadas tanto pela divulgação de resultados, assim como outras companhias, quanto pelo contexto atual do conflito no Oriente Médio, que coloca pressão sobre todo o setor aeroespacial. As ações desabaram 11,01% só no dia 12 de março, após recuo de cerca de 8% depois da divulgação do balanço, 3 dias antes.Os analistas do banco americano apontaram que a principal preocupação dos investidores está potencial atraso ou cancelamento da carteira de pedidos da empresa, atualmente em US$ 31,6 bilhões, sendo US$ 14,5 bilhões ou 459 aeronaves na categoria de aviação comercial. Isso em função da alta dos preços do petróleo em meio ao conflito no Irã e de uma possível crise no segmento aeroespacial.Na avaliação do Goldman, a Embraer combina posição competitiva sólida, perfil consistente de crescimento e melhora no retorno sobre o capital. Mesmo após a recente volatilidade das ações, o papel é visto como atrativo. Dias depois, os papéis da companhia passaram por forte alta após divulgação de pedido bilionário da Finnair, mas não foi o suficiente para que os papéis encerrassem o mês no positivo. Minerva (BEEF3, -16,67%)As ações da Minerva registraram mais um mês de baixa, seguindo a forte pressão estrutural no mercado, e as perspectivas para 2026 continuam desafiadoras, conforme destacou análise do Santander. Cabe ressaltar que as ações da companhia acumulam queda de cerca de 40% desde dezembro de 2025, enquanto o Ibovespa subiu aproximadamente 10% no mesmo período. O movimento, afirma o banco, reflete principalmente dois fatores: a valorização do real e a fase negativa do ciclo pecuário no Brasil.Além disso, o preço do boi gordo já está cerca de 18% acima do nível observado há um ano, superando o cenário-base do Santander de R$ 350 por arroba em média. Esse avanço levanta dúvidas sobre o comportamento dos custos da companhia nos próximos trimestres, especialmente se houver aceleração do processo de retenção de fêmeas — que ainda não começou, segundo o relatório.O Santander destaca que não há sinais de recomposição do rebanho até agora. As novilhas continuam sendo abatidas, comportamento considerado o principal termômetro para o início de um ciclo de retenção. A isso se soma um novo elemento de risco: modelos climáticos apontam para a possibilidade de um El Niño forte no segundo semestre de 2026. Historicamente, esse fenômeno traz excesso de chuva para o Sul e clima mais seco para Centro-Oeste e Norte — justamente as regiões onde se concentra a maior parte do rebanho brasileiro. Condições mais áridas tendem a deteriorar as pastagens, pressionando produtores a aumentar o abate e retardando ainda mais a reconstrução do rebanho.Segundo o banco, cerca de 57% da capacidade de abate da Minerva está posicionada em regiões que seriam potencialmente afetadas pelo El Niño, excluindo operações na Argentina, Uruguai, Paraguai e nas plantas do Sul do Brasil.A postergação da retenção de fêmeas costuma prolongar o aperto na oferta de gado, mantendo os custos da arroba elevados por mais tempo. Nas contas do Santander, cada aumento de R$ 15 por arroba no preço do boi pode reduzir o EBITDA da companhia em cerca de R$ 800 milhões, assumindo câmbio e preços da carne constantes.Apesar do cenário pressionado, o banco aponta onde suas projeções podem falhar. O mercado doméstico de carne bovina é altamente sensível a preço e tende a não absorver integralmente repasses de custos pelas indústrias — o que pode resultar em menores volumes e margens mais apertadas.Por outro lado, um mercado de exportação mais forte do que o esperado ou uma desvalorização do real podem trazer algum alívio, já que ambos aumentam a competitividade da proteína brasileira no exterior e elevam a receita em moeda local. A recomendação para os papéis é neutra, com preço-alvo de R$ 6,80. Veja as quedas do Ibovespa em março:TickerPreço (R$)Variação no mês (%)CSNA36,33-24,82%MRVE37,87-21,38%EMBJ376,95-17,17%DIRR313,3-16,88%BEEF34,25-16,67%VIVA325,91-15,96%VAMO33,72-14,87%BBAS323-14,47%CYRE425,29-12,82%CSAN35,38-12,66%IRBR354,6-10,90%CYRE327,32-10,86%SUZB351,9-10,61%BBDC419,17-9,66%CMIN34,95-9,34%COGN33,16-8,67%SANB1130,64-8,59%BBDC316,71-8,59%RENT346,98-8,31%RENT445,29-8,23%CURY335,38-8,20%GGBR419-8,17%BPAC1156,29-7,86%GOAU48,53-7,38%POMO46,2-7,19%BRAP423,06-7,13%YDUQ312,11-6,92%MULT331,81-6,74%VALE382,48-6,44%AXIA358,56-6,09%TOTS334,94-6,00%FLRY315,93-5,74%AXIA664,18-5,63%KLBN1119,51-5,34%CEAB312,1-5,25%ALOS330,34-5,07%ITUB443,48-4,67%MGLU38,77-4,57%MOTV315,81-4,24%ABEV315,25-4,15%SMFT319,16-3,96%RADL323,53-3,88%IGTI1127,94-3,46%AZZA325,7-2,80%PSSA350,51-2,51%HAPV310,1-2,51%LREN314,96-2,48%VIVT341,23-2,32%USIM56,74-2,32%EQTL340,77-2,23%ENGI1152,46-2,02%RDOR338,97-1,49%EGIE332,83-1,44%CPFE348,76-1,44%TAEE1143,01-1,33%B3SA318,39-0,49%ITSA413,98-0,43%Altas de açõesPetrobras (PETR3, +20,58%: PETR4, +18,33%); PRIO (PRIO3, +15,59%)Como não poderia deixar de ser, as ações de petroleiras foram o grande destaque do Ibovespa em março, em meio ao avanço recorde da commodity com a guerra no Irã se estendendo durante todo o mês de março. As ações da PRIO (PRIO3) despontaram como as que mais ganhariam com a alta do petróleo, em visão destacada logo no início do conflito, ao lado dos ativos da Petrobras, conforme apontaram análises do Bradesco BBI, Morgan Stanley e XP Investimentos. Isso por conta da melhor posição para capturar ganhos de curto prazo, dada a menor cobertura de hedge e maior sensibilidade ao brent spot (à vista). Até por isso, as ações registraram a maior queda no último pregão do mês de março com sinais de desescalada da guerra no Irã, o que a tirou da liderança do Ibovespa no período. Além do cenário para o petróleo, a PRIO teve desenvolvimento do campo de Wahoo, na Bacia de Campos, abrindo dois campos produtores.Em meio à tamanha alta recente, o Morgan Stanley recentemente rebaixou as ações da PRIO de e overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra), apesar da elevação do preço-alvo de R$ 58,50 para R$ 68 por ação. A decisão reflete principalmente questões de valuation, após uma alta de cerca de 85% nos últimos três meses, período em que o papel já incorporou ganhos operacionais, a evolução do campo de Wahoo e expectativas de maior remuneração aos acionistas.Entre os nomes preferidos para capturar o cenário de petróleo elevado, o Morgan Stanley destaca a Petrobras (PETR4) e a argentina Vista. No caso da estatal brasileira, o banco aponta que sua posição líquida exportadora de cerca de 1 milhão de barris por dia é um diferencial, mesmo diante das incertezas sobre o reajuste dos preços de combustíveis no mercado doméstico. A expectativa é de que a geração adicional de caixa seja direcionada à redução de endividamento e a projetos de alto retorno, sem descartar dividendos extraordinários até 2027.Além de PRIO e Petrobras, as ações da PetroRecôncavo (RECV3, +10,21%) e Brava (BRAV3, +7,30%) também tiveram ganhos no período.Natura (NATU3, +16,13%)A Natura registrou dois eventos que levou a forte alta das ações no mês. O primeiro: a divulgação dos resultados do quarto trimestre, em meados do mês, que fez com que os papéis subissem cerca de 8,5%. A companhia apurou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 978 milhões entre outubro e o fim de dezembro, um crescimento de 57,2% sobre desempenho de um ano antes, com quedas de mais de 20% nas despesas operacionais e com vendas e apesar da queda de 12% no faturamento.Analistas, em média, esperavam que a fabricante de cosméticos que há anos vem se reestruturando após uma série de aquisições internacionais que tiveram de ser revertidas apresentasse Ebitda de R$ 741 milhões no quarto trimestre, segundo dados da LSEG.A XP Investimentos ressaltou que a Natura reportou resultados melhores no 4T, com receita em linha e pressionada, mas forte surpresa positiva no Ebitda com despesas de vendas mais controladas.“Como esperado, a Natura apresentou dinâmica fraca de receita, à medida que o macro continua a pesar sobre Brasil/Argentina e a Onda 2/câmbio pressionou a América Latina Hispânica”, avaliaram os analistas de varejo da casa.Já no último dia do mês, os papéis subiram novamente e chegaram à marca dos R$ 10  pela primeira vez desde setembro do ano passado, após acordo que prevê a aquisição de uma participação de até 10% na fabricante de cosméticos pela norte-americana Advent International.O compromisso firmado por acionistas signatários do acordo da Natura, incluindo os fundadores, com o fundo de investimento Lotus, detido pela empresa de private equity, envolve a aquisição no mercado secundário de participação equivalente a no mínimo 8% e no máximo 10% do capital social.A operação, de acordo com fato relevante da Natura na noite da véspera, deverá ocorrer no prazo de até seis meses, observado o preço-alvo médio de R$9,75. Alcançando essa participação minoritária, Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o conselho de administração e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado.“A possível entrada da Advent pode redefinir/reforçar o senso de responsabilidade e de ‘ownership’ na Natura, o que, ao longo do tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos”, afirmaram analistas do Bradesco BBI em relatório publicado no final da segunda-feira.Eneva (ENEV3, +15,32%)Março fez um mês movimentado para a Eneva. Após um momento de aversão a risco para os ativos com as regras no leilão de reserva de capacidade (LRCAP), que posteriormente sofreu mudanças, a conclusão do certame foi positiva para a companhia. No leilão, a Eneva contratou 5,0 GW de capacidade, incluindo 1,5 GW de ativos existentes e 3,5 GW de novas usinas termelétricas, superando expectativas de mercado. A companhia estima capex (investimentos) total de R$ 18,2 bilhões entre 2026 e 2031, com impacto potencial de elevação de valor presente líquido (NPV) de até R$ 18 bilhões considerando eventuais entradas de parceiros minoritários em Jandaia, Norte Fluminense e Presidente Kennedy. A XP apontou que a companhia foi, certamente, a grande vencedora do leilão, com 1,6 GW de ativos existentes recontratados e 3,5 GW de novos ativos contratados. “Nosso cenário base assumia que ela recontrataria cerca de 2 GW, enquanto conseguiria contratar 2,5 GW em novos ativos”, aponta a casa.Os analistas ressaltam ser importante destacar que os novos projetos têm opções para entrada de minoritários como sócios (30% para os projetos Jandaia 2 & 3 e 49% para os projetos do “Hub Sudeste”). Se todas as opções forem exercidas, o crescimento “em jogo” obtido por ENEV seria equivalente a 2,5 GW versus 2,1 GW no nosso cenário base.“Vemos o desempenho de Eneva no leilão como um evento relevante de redução de risco para a tese, além de abrir novas oportunidades de monetização, especialmente com o desenvolvimento de um novo hub de GNL no sudeste do Brasil, posicionando a companhia mais próxima do grosso da demanda de gás no país e ampliando ainda mais as opcionalidades de longo prazo da companhia”, avalia.O BBI aponta que o montante contratado e o perfil dos projetos são altamente incrementais, com potencial de elevar de forma relevante o valor justo estimado, mesmo após a forte reação positiva das ações no pregão. A oportunidade de entrada de parceiros tende a reforçar adicionalmente o impacto positivo sobre o NPV (valor presente líquido) dos projetos.Além disso, no fim do mês, a Eneva assinou contrato com a Diamante ‌Geração para venda de 100% das ações de Pecém II, empresa que ‌detém uma usina termelétrica a carvão, por R$872,3 milhões.A termelétrica Porto de Pecém II tem 365 megawatts (MW) de capacidade instalada e contratos regulados até 2028, tendo ⁠sido ‌também uma das vencedoras do ⁠leilão realizado pelo governo na semana passada, conquistando contratos para disponibilidade de potência a partir de 2031.“Consideramos os anúncios positivos do ponto de vista estratégico, visto que o ativo de carvão Porto do Pecém II não se alinha mais às ambições de longo prazo da Eneva de se tornar um ator-chave na transição energética do Brasil, como fornecedora de moléculas de gás natural e infraestrutura crítica de abastecimento”, aponta o Itaú BBA. Em termos de VPL (Valor Presente Líquido), considera o anúncio neutro, atingindo um valor ligeiramente negativo de aproximadamente R$ 330 milhões, o que representa apenas 1% da capitalização de mercado da empresa. Além disso, a concessão para o desenvolvimento do terminal de GNL era uma condição prévia fundamental que a empresa precisava cumprir. Assim, além de garantir o fornecimento de combustível para a capacidade contratada, o terminal introduz opções estratégicas, permitindo a comercialização do excedente de gás e apoiando projetos térmicos adicionais ao longo do tempo. O BBA tem recomendação outperform para Eneva. SLC (SLCE3, +12,44%)Os resultados do quarto trimestre, divulgados em meados de março, foram considerados positivos e guiaram as ações em março. A SLC reportou resultados acima do esperado, sustentados por um desempenho melhor do que o previsto da Sierentz, que atua na produção de soja, milho e outros produtos agrícolas. O Ebitda ajustado foi de R$ 633 milhões, 9% acima da estimativa do Itaú BBA. A receita líquida somou R$ 2,3 bilhões, 3% acima da projeção da casa. “Também destacamos o avanço contínuo da empresa na antecipação de posições de proteção contra oscilações de preço ou de câmbio (hedge)”, aponta a equipe de análise.No lado negativo, condições climáticas adversas levaram a uma revisão para baixo da área plantada de algodão da segunda safra, um desfecho já esperado diante do noticiário recente das regiões do Centro-Oeste e do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). “Avaliamos que os números do quarto trimestre amenizam parcialmente as revisões negativas de lucro do trimestre anterior, mas ainda não são suficientes para alterar de forma relevante a perspectiva para 2026, dado o cenário de ampla oferta global das principais commodities da SLC”, aponta o BBA, que segue com recomendação de “compra” e preço-alvo de R$ 23 ao final de 2026 para os ativos. O Bradesco BBI também destacou que a SLC entregou um conjunto de resultados positivo no 4T25 e no acumulado de 2025, ainda que amplamente em linha com o que já era esperado pelo mercado. Contudo, ponderou que a atualização do guidance para a safra 2025 26 traz um viés levemente negativo, com menor área destinada às principais culturas — algodão, soja e milho — o que pode limitar o potencial de geração de valor no curto prazo. O cenário global continua apontando para oferta excedente de soja e algodão, reduzindo a probabilidade de um movimento consistente de alta nos preços das principais commodities da companhia. Além disso, o avanço recente dos custos de insumos adiciona risco às margens à frente. “Embora vejamos a SLC executando bem o que está sob seu controle, a ação SLCE3 negocia em torno de 13 vezes o múltiplo de preço sobre o lucro para 2026, sugerindo uma precificação já adequada para este ponto do ciclo. Assim, mantemos nossa visão neutra para o papel”, conclui o BBI. Ultrapar (UGPA3, +10,85%)As ações da Ultrapar (UGPA3) registraram forte desempenho ao longo de março, em meio à combinação de um cenário mais favorável para distribuidoras de combustíveis e maior confiança do mercado na recuperação operacional da Ipiranga. A leitura positiva coincide com a avaliação do Goldman Sachs, que espera margens sequencialmente maiores no 1º trimestre, tanto para a Ipiranga quanto para a concorrente Vibra Energia (VBBR3), impulsionando a reprecificação do setor.O banco projeta que a Ipiranga deve alcançar margem de distribuição de R$ 185/m³ no 1T26, acima da média de aproximadamente R$ 166/m³ do trimestre anterior — movimento sustentado pelo foco dos grandes players em rentabilidade, em vez de ganho de volume. Ao mesmo tempo, dados de mercado recentes mostram perda de participação dos maiores distribuidores para players menores, o que, segundo o Goldman, sugere um ambiente de menor agressividade competitiva e potencial de recomposição de margens.A estratégia da Petrobras também tem desempenhado papel relevante. O Goldman Sachs destaca que a estatal vem praticando preços de combustíveis significativamente abaixo da paridade internacional desde o início de março — no caso do diesel, cerca de 30% abaixo, já considerando o subsídio governamental de R$ 0,32 por litro para importadores. Esse desconto favorece justamente os grandes distribuidores, que têm maior dependência de combustíveis fornecidos pela Petrobras, reduzindo custos e ampliando margens potenciais.Esse pano de fundo tem contribuído para a performance das ações da Ultrapar. Além disso, no início de março, papéis da companhia chegaram a subir após reportagens indicando negociações avançadas para a venda de 30% da Ipiranga para a Chevron, a um preço já discutido entre as partes. A notícia reforçou a percepção de destravamento de valor dentro do grupo e ajudou a sustentar o movimento positivo das ações.Além disso, analistas já vinham destacando fundamentos sólidos para a holding. Em relatório publicado em 25 de março, o BTG Pactual apontou que a Ultrapar entregou um trimestre robusto, com EBITDA ajustado de R$ 1,75 bilhão, acima do consenso, e geração de caixa de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, com crescimento de 6% a 7% nos volumes da Ipiranga. Esse pano de fundo reforça a tese de recuperação operacional da companhia, ainda mais relevante diante do papel central da Ipiranga nas margens totais do grupo.TickerPreço (R$)Variação no mês (%)PETR353,9120,58%PETR448,6718,33%NATU310,4416,13%PRIO366,215,59%ENEV324,5415,32%SLCE318,7112,44%UGPA328,7210,85%RECV314,0310,21%CMIG412,617,32%BRAV320,577,30%MBRF321,645,46%VBBR331,625,33%CSMG357,75,00%WEGE351,014,96%CPLE315,434,75%SBSP3158,244,12%RAIL316,253,17%ASAI39,482,49%AURE311,942,49%ISAE429,092,36%HYPE323,282,33%CXSE318,352,11%BRKM59,41,62%TIMS327,461,10%BBSE334,810,17%The post 6 ações caem mais de 15% e 8 sobem mais de 10%: os destaques do Ibovespa em março appeared first on InfoMoney.