O Ibovespa (IBOV) interrompeu neste mês a sequência de altas iniciada em setembro de 2025 diante da aversão a risco com o conflito no Oriente Médio. Em março, o índice acumulou perda de 0,70% com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã pressionando os preços do petróleo e reacendendo temores inflacionários. Já o dólar acumulou valorização de 0,87% no mês, enquanto na última sessão do mês perdeu força e caiu 1,32%, a R$ 5,1786.No mês, o mercado acompanhou com atenção o conflito no Oriente Médio. Com uma promessa inicial de duração entre quatro e cinco semanas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a guerra segue, por ora, sem sinalizações claras de um cessar-fogo. Trump em março cobrou maior envolvimento dos países-membros da Organização do Atlântico Norte (Otan) e mencionou que o Reino Unido e a França poderiam ter oferecido maior ajuda para liberar o Estreito de Ormuz.O estreito, uma das principais rotas de petróleo bruto, foi fechado ainda no fim de fevereiro pelo Irã. Com isso, o contrato mais líquido do Brent acumulou alta de 42,68% em março. O recorde mensal foi um aumento de 46% em setembro de 1990, durante a Primeira Guerra do Golfo. Copom reduz juros Embora o conflito no Oriente Médio tenha pressionado o Banco Central, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros de 15% para 14,75% ao ano em março. Segundo a autarquia, ainda há tempo para avaliar o ciclo de afrouxamento monetário, uma vez que a Selic segue em patamar elevado. Ontem, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a autoridade monetária optou por um corte menor nos juros justamente para “ganhar mais tempo”. Em sua avaliação, a postura mais conservadora do BC é o que permite a calibragem da política monetária neste momento.“A gordura acumulada com uma posição mais conservadora permitiu ganhar tempo para entender melhor o cenário e seguir com a trajetória planejada”, afirmou durante a sua participação no Safra Macro Day.Federal ReserveEm março, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve, nesta quarta-feira (18), os juros de referência dos Estados Unidos (EUA) no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano e apontou apenas um corte nas taxas ao longo de 2026.Os diretores do Federal Reserve optaram por seguir com a postura adotada na reunião de janeiro, uma vez que os dados da economia norte-americana apontam para uma inflação ainda resiliente, enquanto o mercado de trabalho perde força.O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que as expectativas para a inflação de longo prazo estão ancoradas, mesmo com os recentes choques do petróleo e de energia por conta da guerra no Oriente Médio.As maiores altas do Ibovespa em marçoA Petrobras (PETR3) despontou entre as maiores altas mensais, com ganho de 26%, seguindo a alta do petróleo com o conflito no Oriente Médio. Petrobras (PETR4) também ‘brilhou’ com alta de mais de 23%. A forte valorização da estatal foi influenciada pelo avanço do petróleo Brent no mercado internacional.CÓDIGONOMEVARIAÇÃO MÊSPETR3Petrobras ON26,07%PETR4Petrobras PN23,75%PRIO3PRIO ON21,45%ENEV3Eneva ON14,53%NATU3Natura ON13,72%SLCE3SLC Agrícola13,29%RECV3PetroReconcavo ON12,74%UGPA3Ultrapar ON11,32%BRAV3Brava Energia ON10,35%VBBR3Vibra Energia ON6,61%Leia mais: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-seAs maiores quedas do índice no mêsAs ações da CSN (CSNA3) lideraram as perdas em março, com recuo de 26,57% após o balanço do quarto trimestre de 2025 acender um alerta para o aumento de endividamento da companhia.Além disso, a CSN anunciou a assinatura de um empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão, com taxa de juros inicial correspondente à SOFR acrescida de 6% ao ano e prazo de vencimento de 5 anosCÓDIGONOMEVARIAÇÃO MÊSCSNA3CSN ON-26,57%MRVE3MRV ON-23,14%DIRR3Direcional ON-18,63%BEEF3Minerva ON-18,01%EMBJ3Embraer ON-16,80%VIVA3Vivara ON-16,69%CSAN3Cosan ON-14,63%VAMO3Vamos ON-14,84%BBAS3Banco do Brasil ON-14,13%CYRE4Cyrela PN-13,07%