O ano de 2026 deve trazer oportunidades para investidores de fundos imobiliários, especialmente aqueles focados em imóveis físicos, conhecidos popularmente como FIIs de tijolo.Segundo Carlos Martins, gestor da Kinea Investimentos, esses ativos devem se beneficiar da provável queda da taxa Selic e da limitação de novos lançamentos, que mantêm a oferta controlada.“No tijolo, há espaço para aumento de dividendos via redução de vacância e ajustes de aluguéis, e o investidor pessoa física continua interessado em renda imobiliária. Com a redução de juros e o início do ajuste da economia, é provável que novos investidores entrem no mercado, elevando a liquidez e o interesse pelos FIIs”, afirmou, em entrevista concedida ao Money Times.O melhor setor para 2026Entre os diferentes segmentos, escritórios aparecem, de acordo com Martins, como a opção mais promissora para este ano, com potencial de aumento de rendimentos e valorização das cotas na bolsa de valores.“O setor de escritórios ainda está muito descontado e tem saído notícias positivas. O fantasma do home office se diluiu, com empresas solicitando mais dias presenciais. Todos os indicadores levam a crer que o setor vai continuar melhorando”, pontuou, citando como exemplo a avenida Brigadeiro Faria Lima, região de São Paulo com preço por metro quadrado elevado.“Alguns inquilinos [na Faria Lima] estão com aluguéis defasados desde a pandemia. Em 2026, os proprietários devem reajustar esses contratos. Isso se traduz em maior dividendo e, com maior dividendo, a cota tende a subir.”O gestor, porém, alertou que nem todos os fundos do setor estão livres de desafios. “O cenário geral é positivo, mas a seleção é fundamental. Alguns fundos ainda têm ativos desafiadores, como prédios antigos ou mal-cuidados, que exigem atenção.”Outros setoresNa visão de Martins, o segmento de logística também segue atrativo, embora com espaço mais limitado para expansão. “Logística tem potencial, mas o gap não é tão grande, pois já apresenta vacância estruturalmente baixa.”Os shoppings, por sua vez, podem se beneficiar do aumento do fluxo de consumidores, especialmente em locais estratégicos e com alta concentração de edifícios.“Shoppings próximos a prédios podem capturar ganhos também, pois se eu tenho mais pessoas nos edifícios por mais dias, eu trago um fluxo que antes eu não tinha para a região.”Já entre os fundos imobiliários de papel, Martins destaca os FIIs de CRIs indexados principalmente à inflação como uma alternativa interessante para os próximos meses.A chave para 2026O gestor reforçou, no entanto, que, embora o cenário seja favorável, nem todos os fundos vão se beneficiar igualmente. “A qualidade da carteira e a gestão do portfólio farão a diferença nos resultados.”Segundo Martins, a Kinea, por exemplo, vem ajustando suas carteiras de forma gradual, sem movimentos bruscos, pautada pela dinâmica das curvas de juros, que orienta grande parte das decisões.“Esperamos uma redução de cerca de 2,5 pontos [na Selic], podendo chegar a 3 pontos [no ano] nos cenários mais otimistas. A eleição também é uma variável relevante que pode influenciar as expectativas e, para nós, as curvas de juros são muito importantes, e essa coisa de entender a expectativa também. A gente está ajustando devagar, olhando para os cases mais óbvios. Estamos nos antecipando um pouco, mas sem girar tudo”, concluiu.