Asli Ertonguc, Diretora da Europa Ocidental e Diretora-Geral do Reino Unido e Irlanda da BAT (British American Tobacco), explica a visão da organização para alcançar um Mundo Sem Fumo e acelerar a transição para alternativas ao cigarro tradicional.Em exclusivo para a Líder, a responsável aborda o papel da inovação e da ciência no desenvolvimento de produtos alternativos de nicotina, bem como as prioridades da BAT em diversidade, inclusão e sustentabilidade – pilares centrais na estratégia da empresa para construir um Amanhã Melhor.Créditos: Joana CorreiaA BAT está a passar por uma profunda transformação rumo a um Mundo Sem Fumo. Quais têm sido os principais desafios e conquistas nesta jornada de transição de um modelo de negócio tradicional para um mais inovador e sustentável?A BAT está a passar por uma das transformações mais importantes da sua história, centrada na ambição de construir Um Amanhã Melhor. Esta transformação envolve a reformulação da nossa estratégia, focando-se em produtos alternativos ao tabaco tradicional, oferecendo diferentes opções aos consumidores e colocando a ciência e a tecnologia no centro de tudo o que fazemos. Requer também um investimento contínuo e significativo para garantir que estes produtos inovadores proporcionam evidência científica robusta e impacto no mundo real.Um dos principais desafios tem sido implementar esta mudança de forma consistente em mercados e ambientes regulatórios muito diversos, mantendo elevados padrões de qualidade e excelência operacional. Talvez o maior desafio seja traduzir esta filosofia globalmente, uma vez que nem todos os países têm a mesma abertura ou enquadramento legal e regulamentar para os produtos que desenvolvemos. Ao mesmo tempo, mudar perceções e comportamentos leva tempo.Apesar destes desafios, o progresso é claro e mensurável: mais de 29 milhões de consumidores adultos já mudaram para os nossos produtos sem combustão, e a dimensão Novas Categorias representa agora uma quota crescente da receita do Grupo. Em última análise, demonstrámos que é possível alinhar os objetivos de saúde pública com o crescimento empresarial sustentável, fazendo com que o objetivo de construir Um Amanhã Melhor não seja apenas uma ambição, mas uma realidade concreta e impactante. A inovação e a ciência estão no centro da estratégia da BAT. Pode explicar como o investimento em investigação e desenvolvimento ajudou a acelerar a transição dos fumadores para produtos alternativos de nicotina?A ciência é a pedra angular da nossa transformação, e acreditamos firmemente que a inovação deve ser sempre guiada por evidência científica rigorosa para garantir a qualidade, segurança e eficácia dos nossos produtos. Por isso, a BAT construiu um ecossistema global de I&D que reúne mais de mil cientistas e especialistas em áreas como toxicologia, biotecnologia, análise química, investigação clínica, segurança de produto, qualidade e ciência de dados. Juntos, desenvolvem e aperfeiçoam continuamente os nossos produtos de ‘vaping’, tabaco aquecido e bolsas de nicotina.Todas as nossas atividades de investigação operam sob rigorosos padrões GLP e GCP, sendo cada fase do desenvolvimento sujeita a escrutínio interno e externo, apoiada por um sistema eletrónico de gestão de qualidade (e-QMS). Os produtos passam por múltiplas fases de testes rigorosos antes de chegar aos consumidores, garantindo que estão suportados por evidência científica sólida. Um exemplo emblemático deste compromisso de longo prazo é o nosso maior centro de investigação global em Southampton, no Reino Unido, onde investimos mais de 300 milhões de libras. Este centro permite-nos conduzir investigação científica mais profunda, avançada e continuamente atualizada, garantindo que os nossos produtos cumprem os mais elevados padrões científicos.Através de investigação transparente e revista por pares, conseguimos oferecer produtos alternativos de nicotina cientificamente fundamentados, que já levaram milhões de fumadores adultos a alterarem padrões de comportamento. Este nível de investimento é fundamental para oferecer escolhas mais conscientes aos consumidores adultos considerando a sua base científica sólida, refletindo não apenas ambição tecnológica, mas também uma responsabilidade ética para apoiar os objetivos de saúde pública.Créditos: Joana Correia.A diversidade e inclusão são pilares-chave da cultura da BAT. Como se refletem estes valores no seu estilo de liderança e na promoção do talento feminino em cargos de decisão?A diversidade e inclusão são centrais na nossa cultura e filosofia de liderança, porque acreditamos que a inovação floresce em ambientes onde diferentes perspetivas são valorizadas e as pessoas se sentem capacitadas para dar o seu melhor. Como empresa global presente em mais de 140 países, acolhemos talento de todo o mundo, e esta diversidade tem sido um dos principais motores da excelência e desempenho das nossas equipas, independentemente de género ou nacionalidade.Temos feito progressos fortes e mensuráveis na promoção de igualdade de género na organização. Atualmente, as mulheres ocupam quase 40% dos cargos de liderança sénior a nível global e, na Europa Ocidental, essa percentagem sobe para cerca de 60%. Estes resultados são apoiados por iniciativas concretas, como programas de mentoria, desenvolvimento de liderança e modelos de trabalho flexíveis, desenhados para remover barreiras, apoiar o progresso na carreira e fomentar talento feminino em todos os níveis.A minha própria trajetória profissional reflete esta cultura inclusiva e no meu mérito. Juntei-me à empresa há três anos na Turquia e desde então trabalhei na Alemanha, Roménia e Reino Unido. Hoje sou Diretora da Europa Ocidental e Diretora Geral do Reino Unido e Irlanda. Esta progressão é um exemplo claro de como o desenvolvimento de liderança recompensa o desempenho, contributo e alinhamento com os valores da empresa. Lidero promovendo colaboração e o empoderamento, porque acredito que equipas diversas tomam melhores decisões. A sustentabilidade é agora uma prioridade global. Que iniciativas concretas está a BAT a implementar para minimizar o impacto ambiental e garantir que um Amanhã Melhor se traduz em ações tangíveis?A sustentabilidade está totalmente integrada na nossa estratégia de negócio e é um pilar fundamental da visão para construir Um Amanhã Melhor. O nosso compromisso vai muito além dos produtos que desenvolvemos e abrange a forma como obtemos matérias-primas, fabricamos, distribuímos e operamos em toda a cadeia de valor. Encaramos a sustentabilidade como uma responsabilidade concreta, com objetivos claros e mensuráveis para reduzir significativamente o impacto ambiental das nossas atividades. Estes compromissos estão totalmente alinhados com os objetivos internacionais climáticos e refletem a nossa contribuição proativa para agendas ambientais globais.Na Europa Ocidental, estas ambições traduzem-se em ações concretas através de projetos locais de sustentabilidade, iniciativas de proteção da biodiversidade e promoção de práticas agrícolas responsáveis. A sustentabilidade também está presente nas operações diárias: a nossa frota de veículos tem agora um impacto ambiental significativamente menor, e todos os materiais utilizados nos nossos escritórios são reciclados. Para nós, a sustentabilidade não é um conceito aspiracional – é uma realidade operacional mensurável que orienta todos os aspetos do nosso negócio.Créditos: Joana Correia.Como é que a BAT equilibra a sua estratégia assente nas Novas Categorias com responsabilidade ética perante os consumidores adultos, considerando que a nicotina é viciante?Reconhecemos plenamente que a nicotina é viciante. No entanto, sabemos que milhões de adultos continuam a fumar. Para estes consumidores, a nossa abordagem é oferecer alternativas sem combustão realistas e cientificamente comprovadas. Esta responsabilidade leva-nos a aplicar padrões de rigor científico, técnico e regulamentar que muitas vezes vão além dos requisitos legais existentes.A nossa estratégia global assenta na ciência, transparência e responsabilidade. Estamos conscientes de que nenhum produto é totalmente isento de risco, mas o nosso objetivo é atenuar o impacto do negócio na saúde pública, apresentando produtos alternativos aos consumidores adultos.Esta estratégia é suportada por um investimento anual em I&D superior a 300 milhões de libras e pela nossa plataforma científica Omni, que partilha abertamente a investigação com reguladores, cientistas e peritos independentes. A responsabilidade ética está no centro de tudo o que fazemos. Os nossos produtos destinam-se exclusivamente a adultos, e seguimos rigorosamente tecnologias de verificação de idade, enquadramentos regulamentares e regras de marketing. Ao mesmo tempo, asseguramos que cada produto lançado cumpre os mais elevados padrões de validação científica, qualidade e segurança. Que exemplos, de países como a Suécia e o Reino Unido, demonstram a eficácia das Novas Categorias, e que lições podem ser aplicadas noutros mercados, como Portugal, para acelerar a transição para um Mundo Sem Fumo?A Suécia é o exemplo mais consistente e convincente de sucesso na introdução de Novas Categorias na Europa. Está prestes a tornar-se o primeiro país da UE a alcançar o estatuto de livre de fumo. Este resultado positivo deve-se a escolhas conscientes dos consumidores, forte investimento em educação e literacia sobre tabaco, e a um enquadramento regulamentar que permite o acesso a alternativas inovadoras. Quando estes fatores se conjugam – consciência do consumidor, regulamentação favorável, inovação e tecnologia – o progresso é real.O Reino Unido é outro exemplo sólido desta abordagem pragmática e assente na ciência. Graças à regulamentação em evidência e ao envolvimento em saúde pública, há atualmente mais pessoas a usar produtos de vaping do que cigarros tradicionais, demonstrando claramente uma alteração no padrão de comportamento dos consumidores.Estas experiências mostram que a regulamentação desenvolvida com base em evidência científica, inovação e educação do consumidor são motores-chave da mudança. Na Europa Ocidental – e particularmente em Portugal – vemos um potencial significativo. O nosso foco é aumentar a consciencialização, garantir acesso responsável a alternativas sem combustão e manter um diálogo aberto e construtivo com os decisores políticos. Estamos confiantes de que, com um enquadramento regulamentar com base em evidência científica, Portugal pode também juntar-se ao grupo de países que incentivam ativamente escolhas mais informadas e conscientes por parte dos fumadores. Considerando que os produtos não combustíveis já representam 18% das receitas da BAT, quais são as projeções financeiras e estratégicas da empresa até 2035, quando pretende tornar-se predominantemente sem fumo, e como é que a inovação em I&D irá apoiar este crescimento?A transformação da BAT continua a gerar resultados fortes, com os produtos sem combustão a representarem atualmente 18% da receita total. Pretendemos que, até 2035, pelo menos 50% da receita venha das Novas Categorias e alcançar 50 milhões de consumidores adultos de produtos de risco reduzido até 2030.Este crescimento é impulsionado por mais de 1.600 cientistas a trabalhar em engenharia, biotecnologia, desenvolvimento de produtos e tecnologia digital. A Europa, e particularmente Portugal, desempenha um papel fundamental, combinando inovação, regulamentação responsável e envolvimento do consumidor.Graças à investigação e desenvolvimento, atingimos margens de lucro significativas nos novos produtos, embora estas variem de acordo com a legislação de cada país. Acreditamos que, com regulamentações favoráveis, podemos expandir o sucesso, oferecer alternativas sem combustão aos consumidores adultos e contribuir para um futuro mais sustentável. Fotografias: Joana CorreiaO conteúdo Num mundo sem fumo, «a ciência é a pedra angular da transformação», explica Asli Ertonguc aparece primeiro em Revista Líder.