O golpe do pix voltou ao centro das decisões judiciais após o Tribunal de Justiça do Ceará condenar o Banco Santander e o BRB a devolver integralmente o valor perdido por um cliente e a pagar R$ 6 mil por danos morais. A sentença reforça que instituições financeiras têm responsabilidade objetiva por falhas de segurança e pela abertura de contas usadas por estelionatários em fraudes digitais.Como funciona o golpe do pix na falsa venda online?O golpe do pix geralmente ocorre quando criminosos anunciam produtos inexistentes ou se passam por vendedores legítimos em plataformas digitais. No caso analisado, a vítima realizou várias transferências acreditando estar comprando uma máquina anunciada nas redes sociais e só percebeu o crime ao tentar retirar o produto, descobrindo que o verdadeiro vendedor não tinha qualquer ligação com o anúncio fraudulento.Esse tipo de fraude explora a boa-fé do comprador e a instantaneidade do pagamento digital. O prejuízo financeiro imediato causou um abalo que ultrapassou o mero dissabor, justificando a condenação dos bancos também pelo dano moral sofrido pelo músico.Homem que caiu no golpe da falsa central de atendimentoPor que o banco foi considerado responsável pela fraude?A relatora do processo destacou que as instituições financeiras falharam ao permitir a abertura de contas por terceiros fraudadores sem a devida verificação de identidade e segurança. A Justiça entendeu que houve um defeito na prestação do serviço, pois os bancos lucram com a atividade e devem assumir os riscos inerentes a ela.O Banco Santander alegou não ter responsabilidade e afirmou que a culpa era exclusiva da vítima, mas não conseguiu comprovar a regularidade da conta usada para receber o dinheiro. Essa ausência de provas técnicas foi determinante para a vitória do consumidor.Como se proteger ao comprar produtos de alto valor na internet?A prevenção exige cautela redobrada em negociações feitas inteiramente por redes sociais, especialmente quando envolvem transferências de valores altos. Adotar protocolos rígidos de verificação antes de finalizar o pagamento é a única forma de evitar a perda patrimonial e o desgaste emocional de um processo judicial.Verifique a reputação do vendedor e prefira plataformas com garantia de entrega.Desconfie de preços muito abaixo da média de mercado para o produto.Nunca faça pagamentos para contas de terceiros (CPF diferente do vendedor).Se possível, veja o produto pessoalmente antes de realizar a transferência.Qual a importância de registrar o Boletim de Ocorrência?Pix se tornou o metodo de pagamento mais utilizado no Brasil – Créditos: depositphotos.com / miglagoa79@gmail.comImediatamente após perceber o golpe, o músico registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) e acionou o banco pagador para tentar bloquear os valores. Embora a solução administrativa tenha falhado, essa documentação serviu como prova robusta da tentativa do consumidor em mitigar o prejuízo.A formalização rápida junto às autoridades e ao Banco Central demonstra a veracidade dos fatos e afasta a tese de que o cliente teria sido negligente. Sem esses registros, torna-se muito mais difícil comprovar a dinâmica do crime em uma ação judicial.O que fazer para buscar reparação na Justiça?A decisão da 5ª Câmara de Direito Privado do TJCE cria um precedente importante para outras vítimas que buscam seus direitos. O judiciário tem se mostrado sensível à vulnerabilidade do consumidor diante da sofisticação dos golpes digitais e da falta de segurança bancária.Reúna prints do anúncio, conversas e comprovantes de transferência.Guarde os protocolos de atendimento do banco e o registro no Banco Central.Procure orientação jurídica especializada se o banco negar o ressarcimento administrativo.O post Após cair em golpe do Pix e perder R$ 16 mil, vítima recorre à Justiça e recebe R$ 6 mil por danos morais apareceu primeiro em Terra Brasil Notícias.