A Guatemala viveu no de semana uma das maiores crises durante o governo de Bernardo Arévalo. Pelo menos nove policiais morreram e vários outros ficaram feridos em ataques atribuídos pelas autoridades a gangues, após motins em diferentes prisões que tiveram de ser controlados pelas forças de segurança.Arévalo considera que a jornada violenta tem matizes políticos e busca desestabilizar sua administração em um ano-chave para o país, no qual serão renovados os titulares do Ministério Público, da Corte de Constitucionalidade, da Controladoria-Geral do Estado e do Tribunal Supremo Eleitoral.O que implica o estado de sítioDiante da crise de segurança, o governo decretou um estado de sítio com vigência de 30 dias, que permitirá às autoridades deter pessoas suspeitas sem necessidade de autorização de um juiz, proibir o porte de armas de fogo, limitar ou impedir a realização de reuniões ao ar livre, manifestações sem autorização ou mesmo autorizadas caso ocorram com armas de fogo ou elementos de violência, entre outras medidas.A ideia, segundo o governo, é garantir a tranquilidade da população, sem que as medidas afetem o desenvolvimento normal de suas atividades.Nesta segunda-feira, as aulas foram suspensas e algumas instituições, como a Suprema Corte de Justiça, cancelaram as jornadas de trabalho por segurança de funcionários e usuários, segundo um comunicado. Leia mais Guatemala declara estado de sítio em meio à violência de gangues Presos tomam o controle de prisões e fazem 46 reféns na Guatemala Governo Trump quer enviar centenas de crianças de volta para Guatemala Também como parte do estado de sítio, a polícia realizou várias operações de busca e apreensão e prendeu diversas pessoas, supostamente ligadas aos ataques. Em uma das operações, dois fuzis foram apreendidos.O presidente Arévalo fez um apelo no domingo, em cadeia nacional, pela unidade da Guatemala para superar a crise e, nesta segunda-feira, durante as honras fúnebres dos policiais mortos no cumprimento do dever, afirmou que os responsáveis “não ficarão impunes” e que todo o esforço será feito para puni-los.A origem da criseA crise começou no sábado, com o amotinamento simultâneo de detentos em três prisões, que incluiu a tomada de agentes penitenciários como reféns para exigir o cumprimento de suas reivindicações, entre elas melhores condições nas cadeias, de acordo com as autoridades.O Ministério do Interior informou que os motins foram orquestrados por membros da gangue Barrio 18 e por seu líder, Aldo Dupié Ochoa, conhecido como “El Lobo”, que buscava ser transferido para outra prisão e exigia melhor tratamento enquanto estivesse encarcerado.“Como disse, não estou disposto, como ministro do Interior, a recuar, devolver privilégios nem conceder qualquer tipo de consideração para deter esta situação”, afirmou Marco Antonio Villeda, ministro do Interior, aos jornalistas neste domingo.Após a tensão, as autoridades disseram que conseguiram retomar o controle das prisões.O contexto políticoO governo afirma estar convencido de que as ações do fim de semana, embora executadas por gangues, foram orquestradas por “estruturas políticas desestabilizadoras”.“As torres de corrupção e impunidade que por décadas sustentaram o crime organizado estão caindo”, disse Arévalo na noite de domingo, em uma mensagem transmitida em cadeia nacional.O ano de 2026 é crucial para a gestão de Arévalo, devido às já mencionadas renovações de cargos públicos em diversas áreas.“O tema da segurança, infelizmente, tem sido visto como uma batalha político-eleitoral”, disse em entrevista à CNN Alejandro Balsells, analista e assessor da Secretaria-Geral da Presidência.“Há pessoas que utilizam ou criam espaços de violência para vender alternativas eleitorais, e este ano é fundamental para o país; não é exceção”, acrescentou Balsells.O presidente Arévalo considera que, com os motins e os ataques nas ruas contra agentes da polícia, “tentaram infundir terror e caos”, mas não tiveram êxito porque seu governo “não está disposto a fazer pactos com o crime organizado”.“Este não é um tema de violência espontânea, não é uma reação de gangues desordenadas, mas responde a estruturas político-criminais”, assegurou Balsells.O governo afirma que, durante o estado de sítio, tomará as medidas necessárias para impedir que grupos criminosos voltem a executar ações desse tipo, pois não permitirá que “a violência e a intimidação” influenciem suas políticas.Presos tomam o controle de prisões e fazem 46 reféns na Guatemala | AGORA CNN