Uma “onda de choque” em torno de uma estrela morta intrigou astrônomos do ESO (Observatório Europeu do Sul), em descoberta com auxílio do VLT (Very Large Telescope).O fenômeno foi formado a partir de uma colisão entre o gás e a poeira ejetados pela estrela, segundo comunicado do ESO nesta segunda-feira (12).A descoberta chocou os cientistas, já que de acordo com todos os mecanismos conhecidos, a pequena estrela morta, identificada por RXJ0528+2838, não deveria ter este tipo de estrutura em seu redor.“Encontramos algo nunca antes observado e, mais importante ainda, completamente inesperado”, afirma Simone Scaringi, professora associada da Universidade de Durham, no Reino Unido, e coautora principal do estudo publicado na revista Nature Astronomy. Leia Mais Astrofotografia do dia: fotógrafo brasileiro tem imagem destacada pela Nasa Imagens impressionantes da Nasa mostram tamanho do ciclone no Sul do Brasil OVNIs de Piracicaba: câmera registra estranha movimentação de objeto no céu “As nossas observações revelaram um poderoso jato que, de acordo com o nosso conhecimento atual, não deveria existir”, diz Krystian Ilkiewicz, investigador em pós-doutoramento no Centro Astronômico Nicolaus Copernicus em Varsóvia, Polônia, e coautor do estudo. “‘Jato’ é o termo usado pelos astrônomos para descrever o material que é ejetado por objetos celestes.A estrela RXJ0528+2838 situa-se a 730 anos-luz de distância de nós e, tal como o Sol e outras estrelas, orbita em torno do centro da nossa galáxia. À medida que se move, a estrela vai interagindo com o gás do meio interestelar (o espaço que existe entre as estrelas), criando um tipo de onda de choque que pode ser descrita como “um arco curvo de material, semelhante à onda que se forma na frente de um navio em movimento”, explica Noel Castro Segura, investigador da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e colaborador deste estudo.An unexpected shock waveEstas ondas de choques são geralmente criadas por material ejetado pela estrela central mas, no caso da RXJ0528+2838, nenhum dos mecanismos que conhecemos consegue explicar totalmente as observações agora obtidas.A RXJ0528+2838 é uma anã branca, ou seja, o núcleo que resta de uma estrela de pequena massa na fase final da sua vida, e tem em sua órbita uma estrela companheira semelhante ao Sol.Em sistemas como este, o material da companheira é transferido para a anã branca, dando frequentemente origem a um disco em seu redor. Este disco vai alimentando a anã branca, mas uma parte da matéria é também ejetada para o espaço, o que produz jatos poderosos.A RXJ0528+2838 não mostra sinais de possuir um disco, o que torna a origem do jato e da nebulosa resultante um mistério. “Ficamos verdadeiramente surpreendidos por um sistema supostamente calmo e sem disco poder dar origem a uma nebulosa tão espetacular”, diz Scaringi.Esta imagem do Digitized Sky Survey (DSS) mostra a região do céu em torno da estrela morta RXJ0528+2838, com a estrela propriamente dita mesmo no centro • ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: D. De MartinA equipe detectou pela primeira vez uma estranha nebulosidade em torno da RXJ0528+2838 em imagens obtidas pelo Telescópio Isaac Newton, na Espanha.De acordo com o estudo, sabe-se que a RXJ0528+2838 possui um forte campo magnético, agora confirmado pelos dados. Este campo magnético transfere o material “roubado” à estrela companheira diretamente para a anã branca, sem que haja a formação dum disco em seu redor.Os resultados sugerem a existência de uma fonte de energia oculta, provavelmente um campo magnético, mas esse “motor misterioso”, como Scaringi o descreve, ainda precisa ser estudado.*Sob supervisão de AR.