Para perder peso, a regra é clara: é preciso ajustar a alimentação, com a menor ingestão de calorias, e praticar atividade física. No entanto, mudar o estilo de vida pode ser um grande desafio, principalmente para pessoas com obesidade.“Isso ocorre porque, muitas vezes, os pacientes com obesidade estão inseridos em um contexto que desestimula escolhas saudáveis, o chamado ambiente obesogênico. Isso dificulta a adesão e a manutenção de dieta e atividade física”, afirma Marcelo Carneiro, cirurgião bariátrico e do aparelho digestivo e médico do reality Quilos Mortais Brasil, à CNN Brasil. Leia Mais Ganho de peso é mais rápido após parar de usar canetas emagrecedoras Suplementos emagrecem? Veja o que funciona de verdade 4 erros comuns de quem está querendo emagrecer e alcançar o “shape” Hoje em dia, existem diferentes alternativas eficazes para o tratamento da obesidade, como a cirurgia bariátrica e as chamadas canetas emagrecedoras, como o Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Mas para entender a indicação de cada um deles, é preciso, primeiro, compreender a complexidade da obesidade.“Um dos maiores erros é tratar a obesidade apenas como falta de força de vontade. A obesidade é uma doença complexa e, para ser tratada adequadamente, exige estratégia, suporte e estrutura”, afirma Carneiro.Atualmente, o diagnóstico da obesidade envolve uma análise ampla e criteriosa e vai além do valor do IMC (Índice de Massa Corporal), incluindo a composição corporal, circunferência abdominal, distribuição de gordura corporal e presença de comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença hepática gordurosa metabólica e possíveis limitações físicas.“Dessa forma, atualmente entendemos a obesidade como uma doença crônica, multifatorial e metabólica, que vai muito além do simples excesso de peso na balança”, completa o especialista.Dr. Marcelo e o paciente Rafael do quinto episódio do “Quilos Mortais Brasil” • Arquivo PessoalA seguir, Carneiro explica o que funciona e o que não é sustentável para a perda de peso. Lembrando que, além da alimentação, manter-se ativo, praticando exercícios físicos ou esportes, também é fundamental para o emagrecimento e manutenção da saúde como um todo.Jejum intermitente e dietas restritivas não funcionam a longo prazoQuando o assunto é perder peso de forma rápida, dietas restritivas — como a low carb e a cetogênica — e planos como jejum intermitente ganham força. Isso porque, de fato, esses métodos levam ao emagrecimento, principalmente no início.“Elas costumam dar resultado inicial porque ajudam a reduzir a quantidade de calorias, diminuem os picos de açúcar e insulina no sangue e, em alguns pacientes, aumentam a sensação de saciedade”, explica Carneiro.No entanto, a longo prazo, essas dietas não são sustentáveis. “Muitas vezes, elas são difíceis de manter na rotina real, podem levar ao efeito rebote, não tratam a relação do paciente com a comida e podem gerar culpa, compulsão e frustração”, afirma.Segundo o especialista, a melhor dieta é aquela que a pessoa consegue seguir por anos, com equilíbrio, sem sofrimento e com acompanhamento. “Emagrecer de forma saudável não é sobre restrição extrema, é sobre constância”, reforça.Canetas emagrecedoras são indicadas para graus leves de obesidadeAs canetas emagrecedoras ganharam popularidade nos últimos anos devido à eficácia na perda de peso, além de melhorar perfis cardiometabólicos, como a redução da glicemia, controle da pressão arterial e redução do nível de gordura no fígado — fatores associados à obesidade.No entanto, elas não são indicadas para todas as pessoas e o uso deve vir acompanhado de orientação médica e nutricional.“As canetas emagrecedoras são indicadas principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o tratamento de pacientes com sobrepeso ou obesidade leve, especialmente quando esse excesso de peso já está associado a outras doenças, como hipertensão arterial, colesterol elevado e o próprio diabetes”, explica Carneiro.Esses medicamentos atuam no organismo reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa coma menos. Apesar desses benefícios, as medicações podem trazer efeitos adversos, como náuseas, vômitos e alterações intestinais, principalmente no início do tratamento.“Quando usados sem acompanhamento adequado, podem levar à perda de massa muscular, e não apenas de gordura”, afirma Carneiro. “Eles não são indicados para todas as pessoas, pois existem contraindicações específicas e devem sempre ser prescritos e acompanhados por um médico, com doses e ajustes individualizados.”Gravação com a equipe do “Quilos Mortais Brasil” • Arquivo PessoalCirurgia bariátrica é recomendada após avaliação multiprofissionalA cirurgia bariátrica também é uma forma de tratamento eficaz para a obesidade, mas, assim como as canetas, não é indicada para todas as pessoas. Apesar disso, após a publicação das novas diretrizes do CFM (Conselho Federal de Medicina), a bariátrica passou a ter indicações mais amplas.Atualmente, o procedimento é indicado para:IMC ≥ 40 kg/m², independentemente de outras doenças;IMC entre 35 e 39,9 kg/m², quando há doenças associadas, como diabetes, hipertensão ou apneia do sono;IMC entre 30 e 34,9 kg/m², em casos selecionados, especialmente com diabetes tipo 2, fibrose hepática causada por gordura no fígado, problemas articulares associados à obesidade e síndrome metabólica refratária, quando o tratamento clínico não foi suficiente.“A indicação deve sempre ser individualizada, com avaliação multiprofissional e acompanhamento contínuo”, afirma Carneiro.Existe, ainda, o balão deglutível, indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade grau 1 que ainda não têm indicação de cirurgia bariátrica. “Nesses casos, ele ajuda na perda inicial de peso, reduz a fome e facilita a mudança de hábitos, sempre com acompanhamento”, explica. O procedimento também é recomendado para pacientes com obesidade grave ou superobesidade, que precisam perder peso antes da cirurgia bariátrica para reduzir riscos.Suplementos alimentares auxiliam, mas não fazem milagreO uso de suplementos alimentares e probióticos também tem se popularizado nos últimos anos, tanto entre aqueles que desejam emagrecer, quanto entre aqueles que buscam aumento de massa magra. Porém, eles não são milagrosos e nem devem ser usados como substitutos de refeições.O papel deles em um tratamento para sobrepeso e obesidade é complementar. “Os probióticos ajudam a melhorar a saúde do intestino, que hoje sabemos estar diretamente ligada ao metabolismo, à inflamação e até ao controle do apetite. Um intestino mais equilibrado pode facilitar a resposta ao tratamento”, explica Carneiro.Já os suplementos alimentares são úteis principalmente para prevenir ou corrigir deficiências e preservar massa muscular durante a perda de peso. “Proteínas, vitaminas e minerais ajudam o organismo a emagrecer de forma mais saudável, evitando fadiga, queda de desempenho e perda muscular excessiva”, afirma o especialista.Como superar os desafios para emagrecer? Veja 6 dicasA seguir, Carneiro elenca dicas para quem deseja emagrecer e lista o que realmente funciona e o que não é eficaz para a perda de peso.Estabelecer metas realistas: os objetivos devem ser simples e progressivos, evitando mudanças radicais e insustentáveis;Ter acompanhamento multiprofissional: isso inclui médico, nutricionista, psicólogo e educador físico;Construir uma rotina simples e sustentável: o dia a dia não precisa ser perfeito e, sim, fazer sentido para sua realidade;Dormir bem: ter um sono adequado é um fator frequentemente negligenciado, mas essencial para o controle do peso;Tratar compulsão alimentar: os aspectos emocionais relacionados à alimentação devem ser tratados com apoio psicológico e, se necessário, psiquiátrico;Criar um ambiente favorável: manter a casa organizada, assim como criar um planejamento alimentar e contar com apoio familiar.Alimentos antioxidantes podem reduzir risco de obesidade, diz estudo