Dirigente do Fed sinaliza pouca urgência para cortes imediatos de juros nos EUA

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Um alto dirigente do Federal Reserve sinalizou nesta semana pouca urgência em reduzir ainda mais as taxas de juros, reforçando as expectativas de que o banco central dos EUA manterá os custos de empréstimo estáveis no fim do mês.John C. Williams, presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, afirmou que o banco central estava “bem posicionado” para sustentar o mercado de trabalho e garantir que a inflação voltasse à meta de 2% do Fed após três reduções de 0,25 ponto percentual no ano passado. Leia também: Trump: Dimon está ‘errado’ ao sugerir que eu estou minando a independência do FedAs taxas de juros estão entre 3,5% e 3,75%, uma faixa que, segundo Williams, está “mais próxima do nível neutro”. Trata-se de um patamar que não acelera nem desacelera o crescimento econômico.Williams, em comentários ao Council on Foreign Relations, adotou um tom otimista sobre as perspectivas econômicas, prevendo que a taxa de desemprego se estabilizaria em torno do atual nível de 4,4%, enquanto o crescimento aceleraria e a inflação arrefeceria.Mais tarde, ele disse a repórteres que não achava haver “forte pressão para fazer qualquer coisa, para um lado ou para o outro”, em termos de política monetária.Uma pausa na próxima reunião do Fed, em 27 e 28 de janeiro, manteria o banco central em desacordo com o presidente Donald Trump, cuja administração intensificou fortemente sua pressão contra a instituição no último fim de semana ao abrir uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Fed.A escalada extraordinária do Departamento de Justiça, revelada pelo The New York Times no domingo, provocou uma rara reprimenda de Powell, que acusou a administração de usar ameaças legais para pressionar por custos de empréstimo mais baixos.O mandato do Fed é priorizar uma inflação baixa e estável e um mercado de trabalho saudável, livre de interferência política. O Congresso concedeu essa autonomia ao banco central para garantir que o Fed faça o que é melhor para a economia, e não o que é politicamente mais conveniente. Muitos especialistas jurídicos alertaram que essa independência estava sob ameaça após a investigação, que se concentra em Powell e em sua supervisão de uma reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do Fed em Washington.Williams defendeu Powell em uma discussão promovida pelo Council on Foreign Relations, afirmando que o presidente do Fed é “completamente dedicado” à instituição e um homem de “integridade impecável”.Williams, que é um aliado próximo de Powell, também alertou para os custos caso a independência do Fed seja comprometida. Isso traz o risco de “resultados infelizes”, marcados por uma economia menos estável e inflação mais alta, disse ele.Williams reconheceu a repórteres que o inquérito representou uma escalada no que o Fed vinha enfrentando por parte da administração, observando que há uma “diferença entre criticar” o banco central e investigar seu principal dirigente.A fonte de tensão entre o presidente e o Fed decorre da relutância da instituição em reduzir de forma acentuada os custos de empréstimo, como Trump tem exigido. Muitos dirigentes, em vez disso, pediram cautela diante da incerteza sobre a inflação, que permaneceu acima da meta de 2% por cerca de cinco anos. O mercado de trabalho, que apresentou alguns sinais de enfraquecimento, ainda não parece à beira de um colapso, o que ajuda a reforçar a ideia de que o banco central pode ir com calma em novos cortes.Trump, por sua vez, defendeu taxas de juros em torno de 1%, um nível normalmente associado a uma recessão. O presidente está em processo de selecionar um dirigente para substituir Powell quando seu mandato terminar em maio. Uma preocupação é que o critério de Trump de que seu indicado precise apoiar juros mais baixos faça com que a escolha enfrente um problema de credibilidade desde o início.Williams disse a repórteres na segunda-feira, 12, que esperava que o próximo presidente assumisse com a compreensão de que o banco central tem uma “responsabilidade muito, muito importante com o povo americano”.“Quando não acertamos, isso importa muito. Quando acertamos, isso importa muito”, acrescentou.c.2026 The New York Times CompanyThe post Dirigente do Fed sinaliza pouca urgência para cortes imediatos de juros nos EUA appeared first on InfoMoney.