As ações da CSN (CSNA3) revertiam o curso positivo de mais cedo e recuavam com força nesta quinta-feira (15), após nova apresentação da companhia sobre redução de alavancagem, com o mercado ponderando promessa do grupo de conseguir em um ano importantes vendas de ativos, que incluem o controle da segunda maior produtora de cimento do Brasil.Às 11h30 (horário de Brasília), a ação da CSN estava entre as maiores perdas da sessão, recuando 4,8%, a R$ 9,77, enquanto o Ibovespa (IBOV) operava em leve alta, acima dos 165 mil pontos. A rival Usiminas (USIM5) caía 3,5%.A empresa anunciou mais cedo que pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para reduzir cerca de 50% de sua dívida líquida de R$ 37,5 bilhões.Para isso, a CSN, que ao longo das últimas décadas amealhou ativos em uma série de setores que hoje fazem a empresa ter negócios em aço, cimento, mineração, energia e logística, promete vender o controle de sua produtora de cimentos e uma participação relevante, mas minoritária, em uma holding de infraestrutura que pretende montar reunindo ativos de ferrovia, portos e até transportadora rodoviária.Para a venda do controle da CSN Cimentos, que ganhou força em 2022 após a compra dos ativos brasileiros da europeia LafargeHolcim, a empresa promete assinatura de acordo com comprador entre o terceiro e quarto trimestres deste ano.O mesmo prazo envolve a chamada CSN Infraestrutura, que apesar do interesse do grupo em torná-la uma holding única, será alvo de uma venda escalonada, com fatia em ativos do Sudeste sendo vendida também entre o terceiro e quarto trimestres de 2026 e operações no Nordeste, que incluem a ferrovia Transnordestina, em 2027.Vendas de ativos são raras na história de décadas da CSN, mas nos últimos anos o controlador Benjamin Steinbruch tem repetido ao mercado que a empresa tem trabalhado para levantar capital com alguns deles como forma de obter recursos para investimentos e redução de dívidas.A empresa fez IPO de suas operações de mineração, consideradas pelo mercado como “joia da coroa do grupo” em 2021, mas manteve uma participação entre 60% e 70% nelas.No mesmo ano tentou abrir o capital de sua empresa de cimentos, mas não havia oportunidade para isso no mercado. No final do ano passado, a companhia anunciou a venda de uma participação de R$ 3,35 bilhões na transportadora ferroviária MRS para a sua própria mineradora.Ao longo desses anos a empresa até foi na contramão das promessas de venda de ativos e comprou novos. Incluindo a geradora de energia CEEE, por quase R$ 1 bilhão, em 2022, e o controle da transportadora rodoviária Tora, por mais de R$ 700 milhões no final de 2024.Analistas do JP Morgan disseram em relatório a clientes após a apresentação da CSN que as notícias dadas pela empresa são positivas, “entretanto, é importante mencionar que a companhia tem prometido vender ativos há algum tempo e uma execução bem-sucedida continua importante para estabilizar os ratings (da empresa) e criar um histórico mais forte de gestão de balanço”.Nunca antesSteinbruch afirmou na apresentação que a CSN “ao longo de 32 anos acumulou excelentes ativos” e, citando a continuidade de juros elevados da economia, afirmou que a empresa talvez tenha insistido “por mais tempo que o necessário (na manutenção deles dentro do grupo)”.“Esperar mais não faz sentido e resolvemos tomar essas decisões em que vamos desalavancar por volta de R$ 18 bilhões”, afirmou o Steinbruch, citando que o nível de juros do país dificulta investimento e tem pressionado o endividamento do grupo.“Nunca nos comprometemos dessa forma tão transparente e pragmática” para redução da alavancagem e venda de ativos, acrescentou.Com isso, com as vendas do controle da CSN Cimentos e da participação na CSN Infraestrutura, a CSN quer reduzir sua alavancagem financeira de 3,14 vezes para 1,83 vez “no curto prazo” e chegar a 1 vez num intervalo de oito anos, disse o diretor de finanças, Antonio Marco Rabello.Segundo Rabello, o nível de 1 vez será alcançado com uma esperada melhora nos resultados do grupo, com geração de caixa medida pelo Ebitda crescendo a partir de investimentos em modernização de suas instalações siderúrgicas e de mineração e avanço da área da CSN Infraestrutura, que inclui sete ativos dos quais quatro no Sudeste – MRS e Tora e os terminais portuários Tecon e Tecar.Mudança de planosEmbora o mercado visse a CSN como mais inclinada a vender participação adicional na divisão de mineração, ainda mais num cenário de preços de minério de ferro favorável, Rabello afirmou que se trata de uma “grande reserva de valor para o grupo” e que a CSN não tem intenção de vender fatias adicionais da operação.Analistas questionaram por que a empresa que sempre prefere ter controle sobre seus investimentos vai manter uma fatia minoritária na área de cimentos. “O interesse do investidor e o ‘valuation’ são os fatores que vão nortear o percentual que vamos monetizar” durante as negociações com interessados, explicou Rabello.O interesse atual para venda do controle se dá pela ausência de janela de oportunidade para uma nova tentativa de IPO e pelo recebimento de “sinalizações importantes de grupos do mercado que indicaram múltiplos importantes, mostrando que isso vai trazer o ‘valuation’ que queremos mesmo sem IPO”, disse Rabello sem dar detalhes.O executivo afirmou que entre os interessados nos ativos de cimento estão grupos sem participação no Brasil, o que pode facilitar a tarefa de obtenção de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o negócio. “Mas se for consórcio (de empresas), o Cade pode demorar um pouco mais”, disse o executivo.Rabello explicou que a CSN prefere manter o controle da CSN Infraestrutura em razão do vínculo dessa operação com a atividade de mineração, uma das maiores exportadoras de minério de ferro do Brasil.A CSN não afirmou quanto pretende levantar com cada venda, mas Steinbruch disse que apenas a alienação do controle da operação de cimentos “já resolve sozinha a questão do nosso endividamento e a partir das sobras (de recursos) a gente vai ver o que faz”.Rabello disse que a CSN segue aberta a fazer IPOs de todos os seus negócios, um plano antigo do grupo, incluindo energia e infraestrutura, mas que não há oportunidade para isso no momento.E a empresa também teria opções de vendas de ativos fora do Brasil, como operações de siderurgia na Europa, mas o executivo disse que os dois movimentos em cimento e infraestrutura “são suficientes” para a desalavancagem que a companhia quer fazer.Questionado por analista sobre o nível de engajamento de investidores e interessados nos ativos do grupo, o diretor financeiro afirmou que a CSN “está fazendo tudo o que é correto e tudo o que os investidores estão pedindo nos últimos meses. Vamos descobrir nas próximas semanas”.Steinbruch ventilou ainda que a divisão de siderurgia, cuja usina em Volta Redonda (RJ) remonta aos anos de 1940 e que tem recebido investimentos do grupo mais recentemente, vai precisar de parcerias para modernizar equipamentos. É um setor que como um todo tem sentido dificuldades em crescer no Brasil diante de alto volume de importações.“Temos que passar por investimentos muito fortes, e temos que buscar essa forma de fazer fora do Brasil, através de (parceiros) asiáticos ou europeus”, disse o executivo citando que os investimentos em modernização precisam ser feitos “de forma compatível com a sobrevivência do negócio”.