Os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir os próximos passos do projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos.Segundo fontes, Motta se comprometeu em pautar o PLP 152/2025 no primeiro semestre.O encontro ocorreu na tarde de quarta-feira (14) e ficou acertada uma nova reunião com os deputados Joaquim Passarinho (PL-PA) e Augusto Coutinho (Republicanos-PE), respectivamente presidente e relator da comissão especial responsável pela análise do projeto. Leia Mais Kassab dá aval a Ratinho Jr. se lançar a presidente e encomenda pesquisa Exportações brasileiras de açúcar caem 11,7% em 2025 Michelle teve reunião com Gilmar Mendes para pedir domiciliar a Bolsonaro A reunião deve ser feita logo após a entrega dos trabalhos de grupo técnico interministerial que é coordenado por Boulos para discutir o assunto.Em entrevista à CNN, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tratou essa pauta como prioritária em 2026, mas reconheceu que há resistência das empresas de aplicativos.O relatório de Coutinho, apresentado no fim de dezembro com aval do governo, tem alguns pontos de destaque: Remuneração mínima: haverá um piso de R$ 8,50 para corridas curtas (até 2km) de carro e de R$ 8,50 para entregas (até 3km de carro e 4km de moto/bicicleta/a pé).Contribuição previdenciária: o texto define que 75% do que o trabalhador recebe é indenização por custos e 25% é a base do INSS. Desse total, o trabalhador pagará 5% e as plataformas vão recolher à Previdência 20% do valor. Seguro de vida e acidentes: cobertura obrigatória mínima de R$ 120 mil, valendo desde o aceite da corrida até 20 minutos depois do término do serviço.Transparência do algoritmo: a plataforma deve explicar os fatores que influenciam a distribuição de corridas e a pontuação (score) do trabalhador. Ficam proibidos estabelecimento de jornada mínima, punição por recusa de corridas e exigência de exclusividade.As plataformas digitais classificam a atual proposta de regulamentação do trabalho por aplicativos como “trágica” e alertam que, prevalecendo a última versão do texto, os pedidos de comida por delivery podem ter um aumento de 25% no custo final.Reservadamente, um executivo do setor ouvido pela CNN diz que as exigências impostas pelo projeto significam uma “celetização disfarçada” e tornam mais barata a contratação de um trabalhador com carteira assinada do que a manutenção dos colaboradores no formato atual.A Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), que representa as plataformas, afirma que haveria retrocesso na atividade.“Os mais afetados serão os mais pobres, que ficarão impossibilitados de pagar pelo serviço, e os próprios trabalhadores, que verão o desemprego crescer com a diminuição de um segmento que aumenta a taxa de ocupação no país em quase 1%, de acordo com o Banco Central”, diz a entidade.