A consolidação virou uma palavra-chave no vocabulário do mercado de fundos imobiliários em 2025. Em um ambiente prolongado de juros elevados, emissões travadas e competição crescente por ativos relevantes, a indústria passou a assistir a um movimento quase inevitável de incorporações e reorganizações. Para Rodrigo Medeiros, analista e fundador da research DesmistificandoFII, o processo tem raízes econômicas claras. “Não adianta sermos ingênuos e achar que um fundo imobiliário consegue sobreviver com R$ 100 milhões ou R$ 200 milhões de patrimônio. Isso é muito pouco para manter uma gestora, bancar o fundo e prestar um serviço adequado ao cotista”, afirmou em episódio do Liga de FIIs.Segundo ele, o cenário de juros altos acelerou um movimento que já estava latente: fundos pequenos perderam capacidade de crescer, emitir e competir. Na visão de Medeiros, o ganho de escala traz benefícios ao investidor. Fundos maiores tendem a ter mais liquidez, menor volatilidade e maior diversificação de imóveis e inquilinos. “Com mais patrimônio, você dilui riscos, amplia a capacidade de compra e passa a participar de negociações que simplesmente não existem para fundos de R$ 200 milhões.”Mas o analista também fez ressalvas importantes. Em alguns processos de consolidação observados no mercado, segundo ele, houve falhas na governança e no respeito ao cotista. “Vimos casos em que a premissa do fundo foi alterada depois da aprovação dos cotistas. Isso é um problema. A mudança deveria vir antes da votação, para que o investidor pudesse avaliar com clareza”, criticou.Outro ponto sensível levantado foi o risco de concentração. Medeiros citou situações em que investidores acabaram excessivamente expostos a uma única gestora após consolidações sucessivas. “Às vezes o investidor tinha 10% da carteira em uma casa e, de repente, se vê com 40% ou 50%. Isso exige ajuste. Não é correr para a saída, mas é preciso estar atento”, alertou, defendendo diversificação não só entre fundos, mas também entre gestoras e classes de ativos.Leia Mais: Consolidação dos fundos imobiliários é tema do Liga de FIIs desta semanaConsolidação é inevitável, mas exige leitura crítica do investidorNa mesma linha, Marcos Baroni, analista de Head de Fundos Imobiliários da Suno Research, avaliou que a consolidação, apesar dos ruídos, é um movimento estrutural e difícil de ser revertido. “Quando você dá dois passos para trás, a consolidação faz sentido. Você ganha escala, entra nas grandes transações imobiliárias, passa a ter acesso às principais mesas de bancos e corretoras”, diz.Baroni ponderou que fundos menores tendem a ficar fora das grandes negociações do mercado. “Se surge um imóvel de R$ 1 bilhão, o fundo de R$ 200 milhões não senta nem à mesa. O vendedor vai falar com quem tem cheque”, disse. Esse descompasso, segundo ele, ajuda a explicar por que muitos gestores optaram por vender ativos, trocar cotas ou até alienar a própria operação ao longo de 2025.Para Baroni, o “dever de casa” do investidor passa por se posicionar, sempre que possível, mais próximo da ponta consolidadora do mercado. “Quanto mais você estiver nos fundos maiores, mais conhecidos e com gestoras consolidadas, menor tende a ser o risco de ingerência”, disse. Isso não elimina problemas, mas ajuda a mitigá-los em um mercado que ainda está amadurecendo.Na avaliação dele, fundos pequenos podem estar mais sujeitos a ofertas hostis, mudanças abruptas de estratégia ou conflitos de interesse.Confira a entrevista completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.The post FIIs vivem onda de fusões: quais as vantagens — e os riscos — para o investidor appeared first on InfoMoney.