Novas observações do Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, revelaram com detalhes inéditos como o buraco negro supermassivo no centro da Galáxia Circinus influencia o funcionamento da galáxia.Circinus fica a cerca de 13 milhões de anos-luz da Terra e abriga um buraco negro ativo, que segue crescendo ao “engolir” gás e poeira ao seu redor.Até agora, os cientistas acreditavam que a principal fonte de luz infravermelha próxima ao buraco negro vinha de fluxos de saída — correntes de matéria extremamente quente que são expelidas para fora do centro da galáxia. Leia Mais Vida inteligente? 100 sinais de rádio do espaço serão analisados Resto de intestino de lobo pré-histórico revela refeição de gigante glacial Hubble mostra incrível imagem de estrelas ganhando vida em Órion As novas imagens do Webb, analisadas em conjunto com dados do Telescópio Espacial Hubble, indicam o contrário: a maior parte desse material quente e empoeirado está, na verdade, caindo em direção ao buraco negro e alimentando sua atividade.O estudo, publicado terça-feira (13) na revista Nature, traz a imagem mais nítida já obtida da região ao redor de um buraco negro supermassivo fora da Via Láctea. Os dados ajudam a entender melhor como esses objetos extremos crescem e moldam as galáxias em que estão inseridos.Supertelescópio descobre planeta fora do Sistema Solar | CNN PRIME TIMEO que são buracos negros supermassivos?Buracos negros supermassivos permanecem ativos ao longo de milhões de anos ao atrair matéria do espaço ao redor. Esse gás e poeira formam uma estrutura espessa em formato de anel, conhecida como “toro”, que circunda o buraco negro.À medida que o material se aproxima do centro, ele passa a girar rapidamente, formando um disco de acreção, semelhante a um redemoinho. O atrito aquece esse disco a temperaturas tão altas que ele passa a emitir luz intensa, especialmente no infravermelho.Buracos negros: conheça os diferentes tiposObservar essa região sempre foi um desafio. A poeira densa bloqueia a visão direta do núcleo da galáxia, e a forte luz das estrelas ao redor dificulta a separação das diferentes fontes de emissão. Por décadas, astrônomos precisaram recorrer a modelos teóricos para tentar explicar os sinais observados.Imagens de buraco negro obtidas por Event Horizon Telescope (EHT) • 2023/Handout via REUTERSSegundo o pesquisador Enrique Lopez-Rodriguez, da Universidade da Carolina do Sul, os novos dados permitem avançar além desses limites.Com a ajuda de uma técnica especial do Webb, chamada interferometria por mascaramento de abertura, foi possível separar melhor as regiões onde o material está sendo expelido daquelas onde ele está sendo absorvido pelo buraco negro.Desde a década de 90, não tem sido possível explicar o excesso de emissões infravermelhas provenientes da poeira quente nos núcleos das galáxias ativasEnrique Lopez-Rodriguez, da Universidade da Carolina do SulLeia também: Hubble mostra incrível imagem de estrelas ganhando vida em ÓrionO resultado sugere que boa parte da luz infravermelha detectada vem do material que está alimentando diretamente o buraco negro, e não dos fluxos de saída, como se pensava antes.Além de mudar a compreensão sobre a Galáxia Circinus, a técnica pode ser aplicada ao estudo de outros buracos negros próximos, ajudando a esclarecer como esses objetos extremos influenciam a evolução das galáxias ao longo do tempo.Saiba como as estrelas nascem, vivem e morrem