Caso Master deve levar a mudanças no FGC e no comportamento dos investidores

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A liquidação do Banco Master deve provocar mudanças estruturais no mercado financeiro brasileiro e no comportamento dos investidores, dizem especialistas. O papel do Fundo Garantidor de Crédito deve ser revisto, assim como a falta de atenção dos investidores em analisar a qualidade do crédito do emissor dos papéis.A lição que a liquidação do Banco Master deixa é que o sistema como um todo vai sair mais forte dessa crise, acredita João Arthur, CIO da Suno Wealth. Do lado do investidor, ele vai entender que CDBs de bancos médios vêm com mais risco e que o rendimento maior do CDI oferecido pelos papéis não é a troco de nada. “Ele tem a garantia do FGC, mas pode ficar três meses sem retorno”, diz.Além disso, há o que Arthur chama de “retorno sobre a dor de cabeça”, que é todo o desgaste de acompanhar o processo de liquidação do banco, se cadastrar e não saber quando vai receber o valor. “O aprendizado é que mais retorno traz mais risco, essa é a regra, uma coisa que já aprendemos no passado, quando tivemos uma época de quebra de bancos grandes o tempo inteiro e que levou ao surgimento do FGC e a um fortalecimento do Banco Central”, diz. Leia também: FGC pagará investidores do Master em breve; veja o que é preciso fazer para receberArthur acredita também que o FGC vai ser reformado. “Não me surpreenderia se o limite de R$ 250 mil de garantia por CPF for reduzido e que as regras de contribuição mudem”, diz. “Fomos de um extremo ao outro, o FGC se tornou tão forte que permitiu que o Master se aproveitasse do sistema para crescer em cima da garantia”, diz. “Agora a gente vai reformar o sistema para deixá-lo mais forte.”O executivo acredita ser difícil ocorrerem novos casos como o do Master e lembra que quem pagou a conta no final foram grandes bancos, pois são os maiores financiadores do FGC. “Eles contribuem com um percentual dos depósitos e estão bastante insatisfeitos com muita gente, desde o BC até com o sistema político”, diz.Por isso ele acredita que os grandes bancos vão pressionar muito pela reforma do FGC “e isso vai fazer com que durante muito tempo a gente não tenha um outro Master”.Patrícia Palomo, planejadora financeira CFP pela Planejar, acredita que o caso Master deixa lições que atingem o comportamento do investidor brasileiro como um todo. A principal delas é entender que rentabilidade elevada vem sempre acompanhada de risco, mesmo que esse risco seja suavizado por mecanismos de garantia. Outra lição importante é não confiar cegamente em selos ou discursos comerciais. “Por fim, todo esse episódio reforça que diversificação, clareza de objetivos e entendimento real dos produtos são formas de proteção tão importantes quanto qualquer garantia formal, pois a primeira regra para o investidor ganhar dinheiro é não perder dinheiro”, conclui.The post Caso Master deve levar a mudanças no FGC e no comportamento dos investidores appeared first on InfoMoney.