Pressão alta pode atacar os rins: sinais, riscos e como se proteger

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A hipertensão arterial, uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, mantém uma relação direta e silenciosa com a saúde dos rins. O que muitos desconhecem é que esse vínculo funciona em dois sentidos: a pressão alta pode levar à perda progressiva da função renal e, quando os rins adoecem, passam a dificultar o controle da própria pressão arterial.Esse ciclo costuma evoluir lentamente, ao longo de anos, sem sintomas evidentes. Enquanto isso, danos progressivos podem ocorrer em órgãos vitais, como rins, coração e cérebro. Leia mais Como o sistema imunológico reage a transplante de rim de porco? Entenda Homem saudável sofre AVC após consumir 8 energéticos por dia; veja riscos Obsessão por músculos: quando busca pelo corpo perfeito vira transtorno? Como a pressão alta compromete os rinsOs rins são formados por milhões de pequenos vasos sanguíneos responsáveis pela filtragem do sangue. Quando a pressão arterial se mantém elevada por períodos prolongados, esses vasos sofrem sobrecarga contínua, levando ao espessamento e ao endurecimento de suas paredes. Com o tempo, esse processo resulta em perda gradual da função renal, podendo evoluir para a doença renal crônica.O principal problema é que essa perda costuma acontecer de forma silenciosa. Em muitos casos, a lesão renal só é identificada por meio de exames laboratoriais, como aumento da creatinina no sangue ou presença de proteína na urina. Atualmente, a hipertensão está entre as principais causas de insuficiência renal crônica no mundo, ao lado do diabetes.Quando os rins passam a agravar a hipertensãoA relação entre rins e pressão arterial não ocorre em um único sentido. Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, passam a reter mais sal e líquidos e a liberar substâncias hormonais que elevam a pressão arterial. Como consequência, a hipertensão se torna mais difícil de controlar, mesmo com o uso de vários medicamentos.Pessoas com doença renal frequentemente apresentam pressão arterial mais resistente ao tratamento, exigindo múltiplas medicações para o controle. Esse quadro eleva significativamente o risco cardiovascular, aumentando a probabilidade de infarto, AVC (derrame) e insuficiência cardíaca. Por isso, a dificuldade em controlar a pressão deve sempre levantar a suspeita de comprometimento renal associado.Prevenção e acompanhamento são fundamentaisRomper esse ciclo depende de diagnóstico precoce e controle rigoroso da pressão arterial. Medir a pressão regularmente e realizar exames periódicos de sangue e urina são medidas essenciais para detectar alterações ainda nas fases iniciais.O tratamento vai além do uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida, como redução do consumo de sal, controle do peso, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo, desempenham papel central na proteção dos rins. O acompanhamento médico regular, especialmente com um nefrologista, é fundamental para ajustes no tratamento e para reduzir o risco de progressão da doença.A pressão alta não compromete apenas o coração. Ela afeta silenciosamente os rins e pode levar a consequências irreversíveis quando negligenciada. Compreender essa relação de mão dupla é essencial para a prevenção e para o cuidado integral da saúde.*Texto escrito pela nefrologista Carlucci Ventura (CRM/SP 75746), membro da International Society of Nephrology e membro da Brazil Health