O momento de compra dos fertilizantes está entre os principais pilares do planejamento do produtor rural.Neste início de ano, as aquisições para o próximo ciclo seguem bastante lentas, reflexo dos preços ainda elevados dos insumos e das cotações mais pressionadas das principais commodities agrícolas, o que deteriora a relação de troca em comparação com anos anteriores.Para a safra 2026/27, a tendência é de que as compras sejam postergadas e fiquem mais concentradas no segundo semestre. Ainda assim, na avaliação da analista de fertilizantes da Safras & Mercado, Maísa Romanello, parte das oportunidades já pode ter ficado para trás.“Acredito que o agricultor esteja subestimando algumas janelas de oportunidade. No fim de 2025, por exemplo, houve quedas relevantes nos preços do MAP e da ureia. Agora, com o retorno dos players ao mercado e novas compras da Índia, os preços já voltaram a subir”, afirma.Segundo Romanello, muitos produtores tendem a comparar os preços atuais com os de anos anteriores e considerá-los caros, sem levar em conta que, em um mercado com oferta restrita, esses valores podem não apenas deixar de cair, como até subir ao longo do ano. “Essas janelas precisam ser aproveitadas”, ressalta.Fertilizantes: O que fazer — e o que não fazer — na hora de ir às comprasNa avaliação da especialista, o principal erro do produtor é deixar oportunidades passarem. Para isso, é fundamental acompanhar de perto o mercado e se manter bem informado, sem se deixar levar por notícias sensacionalistas ou decisões emocionais — um risco ainda maior em um ano eleitoral.“Em 2022, vimos os preços dispararem devido a diversos fatores relacionados à guerra, inclusive alta de matérias primas e também o temor quanto ao risco de desabastecimento. Mesmo com a Rússia mantendo as exportações, houve uma corrida às compras. Esse tipo de reação precisa ser evitado”, explica.O fator Irã e os outros riscos para o ‘filme’ dos fertilizantes em 2026Romanello também reforça a importância de evitar os picos de demanda, especialmente entre junho, julho e agosto, período em que os preços no mercado interno costumam subir com os preparativos para a safra de verão. Antecipar compras, de forma planejada e sem gerar riscos logísticos, é um ponto-chave da estratégia.“O produtor deve sempre olhar para a relação de troca, que é sua principal moeda, e buscar casar a venda das commodities com a compra dos fertilizantes no melhor momento possível, preservando margens. Também é fundamental acompanhar as oscilações do dólar, que impactam diretamente o custo dos insumos”, conclui.