Europa endurece discurso após tarifaço de Trump em aliados: ‘saberemos nos defender’

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Líderes europeus classificaram como “inaceitáveis”, “desastrosas” e “prejudiciais” as novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra aliados da OTAN. A reação ocorre após o anúncio feito neste sábado (17), em resposta ao envio de tropas europeias à Groenlândia ao longo da última semana, em um movimento articulado para sinalizar resistência aos interesses de Trump sobre o território no Ártico.Trump afirmou que os Estados Unidos imporão tarifas adicionais de importação de 10% sobre produtos de países europeus, com elevação para 25% em 1º de junho, como forma de pressionar aliados da OTAN a aceitarem a anexação da Groenlândia. As medidas atingem Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, todos já submetidos a tarifas anteriores, segundo o próprio presidente.Leia tambémMercosul-UE: Reação de Milei a elogios a Lula vira destaque na imprensa argentinaJornais destacaram posição “fria” do presidente argentino diante de elogios a Lula durante a cerimôniaTrump anuncia Conselho de Paz em Gaza e Lula pode integrar lista; veja nomesConvites anunciados por Trump reúnem líderes políticos, diplomatas e executivos, e incluem possível participação do presidente brasileiroNa França, o presidente Emmanuel Macron enquadrou o movimento de Washington como incompatível com a relação entre aliados e com princípios que regem a atuação europeia no cenário internacional. “As ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto”, afirmou, ao reafirmar o compromisso francês com “a soberania e a independência das nações, na Europa como em qualquer outro lugar”.Macron indicou ainda que eventuais medidas americanas não serão enfrentadas de forma isolada. “Os europeus responderão de forma unida e coordenada”, disse, acrescentando que “saberemos como defender a soberania europeia”.Ao comentar a participação francesa em um exercício militar decidido pela Dinamarca na Groenlândia, o presidente relacionou a decisão a preocupações estratégicas mais amplas. Segundo ele, “trata se de uma questão de segurança no Ártico e nas fronteiras da nossa Europa”, ressaltando que “nenhuma intimidação ou ameaça pode nos influenciar, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo”.Na Alemanha, o governo federal afirmou ter tomado conhecimento das declarações do presidente americano e indicou que qualquer reação será definida de forma coordenada. Em nota, o Executivo disse estar “em estreita consulta com seus parceiros” e assegurou que “juntos, decidiremos oportunamente sobre as medidas apropriadas a serem tomadas”.Na Suécia, o primeiro ministro Ulf Kristersson afirmou que o país não pretende ceder a pressões externas. “Não nos deixaremos intimidar”, declarou à Agence France Presse.A Noruega também se posicionou contra a associação entre tarifas e disputas geopolíticas. O ministro das Relações Exteriores Espen Barth Eide afirmou, segundo o jornal Verdens Gang, que “não acreditamos que a questão alfandegária tenha lugar neste contexto”.Na Dinamarca, o ministro das Relações Exteriores Lars Løkke Rasmussen disse ter sido surpreendido pelo anúncio de Trump. “Fiquei surpreso” com a ameaça de aumento de tarifas caso a Groenlândia não seja “vendida integralmente” aos Estados Unidos, afirmou. Segundo Rasmussen, o reforço da presença militar na ilha tem objetivo distinto. “O objetivo do fortalecimento da presença militar na Groenlândia, ao qual o presidente se refere, é justamente aumentar a segurança no Ártico”, disse à Agence France Presse.Rasmussen reuniu se na quarta feira com o vice presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e com o secretário de Estado Marco Rubio, em meio às discussões sobre a situação no território ártico.No Reino Unido, as críticas atravessaram diferentes campos políticos. O líder da extrema direita britânica Nigel Farage avaliou que a decisão terá impacto negativo direto. “Nem sempre concordamos com o governo dos EUA e, neste caso específico, certamente não concordamos. Essas tarifas nos prejudicarão”, disse.O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, afirmou na rede X que “Donald Trump está agora punindo o Reino Unido e seus aliados da OTAN simplesmente porque fizeram a coisa certa”, defendendo que “é hora de o primeiro ministro se levantar e trabalhar com aliados europeus e da Commonwealth para forçar o abandono desse plano imprudente”.Já a líder conservadora Kemi Badenoch classificou a iniciativa como uma “ideia desastrosa” e alertou para os custos adicionais. Segundo ela, “os consumidores britânicos e americanos enfrentarão custos mais altos” e “essas tarifas representarão um fardo adicional para as empresas”.The post Europa endurece discurso após tarifaço de Trump em aliados: ‘saberemos nos defender’ appeared first on InfoMoney.