No dia em que tomou posse no Ministério da Justiça, Wellington César Lima e Silva se envolveu ontem em uma divergência de versões sobre reunião com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o encontro, o novo ministro disse que o caso Master foi o “eixo” da conversa chamada pelo petista. Depois, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) contradisse Lima e Silva e informou que o assunto não foi tratado.A reunião ocorreu um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estava presente, abrir um procedimento para apurar se houve vazamento de dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares, iniciando uma nova frente de investigação sobre a atuação da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).“O tema (caso Master) foi tratado como eixo” afirmou Lima e Silva ao ser questionados por jornalistas, sem detalhar.Ministro recuaA Secom disse que o ministro estava se referindo ao crime organizado quando falava sobre o eixo da discussão. Na sequência, Lima e Silva em nova conversa com jornalistas afirmou que “provavelmente o Banco Master deve ter sido citado por alguns participantes em algum momento”:“Obviamente que todos os casos, bets, fintech, indústria de bebida, que possam se adequar a isso em algum momento pode ter sido aludido, toda reunião se discutiu como nós iríamos envolver os órgãos de Estado para participar. Todos os integrantes falaram, cada um fez a sua abordagem e o único ponto em comum era aumentar a efetividade do combate ao crime organizado”, afirmou. “Provavelmente o Banco Master deve ter sido citado por alguns participantes em algum momento”, disse.O ministro afirmou que fazer alguma “alusão” ao caso seria “óbvio” por algum dos participantes da reunião, porém, disse que assegurava que o foco do encontro foi combate ao crime organizado.“Não houve nenhum comentário específico sobre nenhum dos casos (incluindo Banco Master). Todo o debate foi de alto nível, pensando em medidas estruturantes e de como organizar. É claro que você pode citar como ilustração todos esses casos que eu falei e tantos outros que podem até me ocorrer aqui agora, mas não houve nenhum tratamento especial de nenhum caso”, disse Lima e Silva.Além de Lula, Moraes e Lima e Silva, participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro da Secom, Sidônio Palmeira; o procurador- geral da República, Paulo Gonet; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan; o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; e o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo.Segundo um participante, a menção ao Banco Master aconteceu em meio à discussão de outros temas e no contexto do combate ao crime organizado, como as bets, as fintechs e a adulteração de combustíveis. Ele afirma que uma das principais preocupações das autoridades presentes na reunião foi o tema das bets, isso porque há uma avaliação de que é preciso combater o vício nos jogos.Na primeira conversa com jornalistas, Lima e Silva afirmou que o encontro foi uma iniciativa de Lula para capitanear uma ação articulada de combate ao crime organizado.VazamentoA investigação aberta por Moraes tem por objetivo esclarecer se houve acesso irregular a informações fiscais e bancárias de ministros do STF, identificar quem realizou as consultas aos sistemas, em que datas e sob que justificativas formais.A existência da apuração foi revelada pelo portal Poder360 e confirmada pelo GLOBO. O procedimento já recebeu número e está em tramitação no STF. A Receita Federal foi notificada sobre a apuração.Esse não é o primeiro episódio recente em que o STF e a Receita divergem sobre o uso de dados fiscais envolvendo autoridades.Em 2019, o próprio Moraes determinou a suspensão de uma série de investigações fiscais da Receita que atingiam ministros da Corte e outras autoridades, citando “indícios de desvio de finalidade” no direcionamento das apurações, e afastou temporariamente dois servidores por suspeita de quebra indevida de sigilo.Na ocasião, o Supremo entendeu que não havia indícios suficientes de irregularidade dos contribuintes para justificar a devassa fiscal promovida pelo órgão.Em dezembro, o blog da coluna de Malu Gaspar, do GLOBO, revelou contrato do Banco Master com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci, que previa, ao longo de três anos, o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais. O contrato previa a atuação “estratégia, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Ministério Público, o Legislativo e o Executivo.The post Ministro da Justiça toma posse e se envolve em divergência sobre reunião appeared first on InfoMoney.