O encontro na manhã desta quinta-feira (15/1) no Palácio do Planalto que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou atenção em Brasília em meio à abertura de um inquérito no STF sobre possíveis vazamentos de dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares por órgãos de controle do Estado.Como foi a reunião no Planalto e o inquérito sobre vazamentos?Segundo informações do Estadão, oficialmente, o tema central do encontro foi o fortalecimento do combate ao crime organizado no país, mas a proximidade com a abertura do inquérito no STF gerou questionamentos sobre o contexto político e institucional. A reunião durou cerca de duas horas e contou também com o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social.A investigação foi aberta de ofício por Alexandre de Moraes, que está no comando do plantão do STF desde 12 de janeiro de 2026, exercendo a presidência interina do tribunal até a retomada das atividades em fevereiro. O objetivo é verificar se houve quebra irregular de sigilo fiscal de ministros do Supremo e de seus familiares, em um cenário de interlocução intensa entre Executivo, Judiciário e órgãos de controle.Como funciona o inquérito sobre vazamentos no STF?O ponto que despertou maior atenção foi a abertura do inquérito sem pedido prévio da Procuradoria-Geral da República (PGR), movimento menos comum em casos que tramitam no STF. Ainda assim, a PGR, chefiada por Paulo Gonet, informou que acompanhará a apuração e poderá intervir em etapas decisivas, como oferecimento de denúncia ou pedido de arquivamento.Receita Federal e Coaf foram oficialmente notificados da decisão do Supremo em 14 de janeiro de 2026, em razão do possível uso indevido de dados fiscais e financeiros. Esse processo ocorre em ambiente de maior preocupação com proteção de dados, compliance público e respeito às normas de sigilo, inclusive sob a ótica da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) aplicada ao setor público.Por que Receita, Coaf e Banco Central são centrais nesse caso?As suspeitas de vazamento de dados sigilosos ganharam força a partir de questões relacionadas ao Banco Master, após revelação de um contrato de alto valor entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e a instituição financeira. A divulgação de detalhes sobre remuneração e cláusulas contratuais levantou dúvidas sobre a origem das informações e o eventual acesso a bases protegidas.Nesse contexto, órgãos de controle fiscal e financeiro, bem como reguladores do sistema bancário, tornam-se peças-chave para esclarecer se dados sensíveis foram consultados ou difundidos de forma irregular. Cada instituição tem papel específico e complementar na guarda, uso e compartilhamento legítimo dessas informações:Receita Federal – administra tributos federais, fiscaliza obrigações fiscais e protege dados de contribuintes.Coaf – monitora operações suspeitas e apoia o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento ilícito.Banco Central – regula o sistema financeiro, supervisiona bancos e exige padrões de sigilo e compliance.Como o governo pretende reforçar o combate ao crime organizado?Após a reunião, o ministro da Justiça, Wellington César, afirmou que o presidente Lula decidiu elevar o enfrentamento ao crime organizado ao patamar de “ação de Estado”, buscando políticas duradouras que ultrapassem governos específicos. A intenção é estruturar uma cooperação mais estável entre órgãos federais, estados e o sistema de Justiça, com foco em inteligência, rastreamento financeiro e repressão qualificada.Segundo o ministro, a meta é alcançar “sintonia absoluta” entre Palácio do Planalto, Ministério Público e Judiciário, sem interferir na autonomia de cada poder. Entre as frentes em discussão estão maior integração entre forças de segurança, compartilhamento responsável de dados sigilosos e aprimoramento de instrumentos de rastreamento de operações financeiras suspeitas ligadas a organizações criminosas. O caso se desenrola em um início de ano marcado por disputas políticas, debates sobre sigilo fiscal e discussões sobre os limites da atuação de órgãos de controle, inclusive quanto à abertura de inquéritos de ofício pelo STF. Esse cenário tende a alimentar análises sobre equilíbrio entre poderes, autonomia de instituições e transparência na condução de investigações sensíveis envolvendo autoridades.O post Após STF abrir inquérito sobre vazamentos, Lula se encontra com Moraes, diretor da PF e chefe do BC apareceu primeiro em Terra Brasil Notícias.