Brasil teme perder mercado de feijão na Venezuela

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O Brasil pode perder participação no mercado de feijão da Venezuela para os Estados Unidos, segundo alerta do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). A preocupação surge em um momento de retração das exportações brasileiras para o país vizinho e de maior aproximação comercial entre venezuelanos e americanos.A Venezuela está entre os principais importadores mundiais de feijão e, nos últimos anos, se consolidou como um destino relevante para o produto brasileiro. Em 2024, as vendas do Brasil ao mercado venezuelano somaram cerca de 39 mil toneladas, gerando aproximadamente US$ 45 milhões em receita. Já em 2025, os embarques caíram de forma significativa, para cerca de 16 mil toneladas, com faturamento próximo de US$ 13,5 milhões. Leia mais Setor de máquinas agrícolas deve crescer 3,4% em 2026 Safra de soja pode chegar a 182 milhões de toneladas Frigoríficos pedem crédito e regras para enfrentar salvaguardas chinesas De acordo com o Ibrafe, os Estados Unidos vêm ampliando sua presença no fornecimento de alimentos à Venezuela, aproveitando o processo de retomada econômica do país e firmando acordos que podem reduzir o espaço dos exportadores brasileiros. Caso essa tendência se confirme, o Brasil corre o risco de perder um mercado estratégico construído ao longo dos últimos anos.Mercado internoConforme o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, a redução das exportações para a Venezuela também pode ter reflexos internos. Sem esse destino, parte da produção brasileira de feijão pode permanecer no mercado doméstico, aumentando a oferta e pressionando os preços pagos ao produtor, o que tende a desestimular novos plantios.Diante desse cenário, o setor defende uma atuação mais ativa do governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e do Itamaraty, para preservar o mercado venezuelano e buscar alternativas. A abertura de novos destinos, como Colômbia e Costa Rica, é vista como uma estratégia para compensar eventuais perdas e reduzir a dependência de poucos compradores.