O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou nesta quarta-feira (14/1) que todos os materiais apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero, ligados às suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, permaneçam lacrados na sede da Corte, sob custódia do STF até nova ordem judicial, sem possibilidade de manuseio ou análise por outras autoridades enquanto durar essa restrição.Como está a Operação Compliance Zero no caso Banco Master?A Operação Compliance Zero aprofunda investigações sobre supostas irregularidades financeiras atribuídas ao Banco Master e a pessoas ligadas à instituição, como empresários, investidores e o controlador Daniel Vorcaro. O foco recai sobre possíveis fraudes, movimentações suspeitas e eventuais violações às normas do sistema financeiro nacional.Na etapa mais recente, autorizada pelo STF, a Polícia Federal (PF) recolheu carros de luxo, relógios caros, cerca de R$ 97 mil em dinheiro vivo, um revólver, além de documentos físicos, celulares e notebooks. Esses materiais podem esclarecer a extensão das suspeitas de fraude, mapear fluxos financeiros e apontar outros envolvidos, razão pela qual o tratamento jurídico dado a esse acervo se tornou ponto central do caso.Por que os materiais apreendidos foram lacrados no STF?O lacre dos materiais apreendidos atende à preservação de provas e ao respeito às competências do STF, evitando alegações de manipulação, extravio ou vazamento de informações sensíveis. Ao “acautelar” tudo nas dependências da Corte, o ministro Toffoli assegura a integridade da cadeia de custódia e o controle rigoroso sobre qualquer perícia ou acesso futuro.Essa medida é frequente em casos de grande repercussão ou que envolvem autoridades com foro privilegiado, em que a Corte atua como guardiã de documentos, mídias digitais e bens de alto valor. Assim, o Supremo define quando e como serão realizadas quebras de sigilo, perícias e demais diligências, sempre balizadas pelo devido processo legal e pela proteção da intimidade dos investigados.Qual é o impasse entre Dias Toffoli e a Polícia Federal?Na mesma decisão em que determinou o lacre dos materiais, Toffoli cobrou explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre o descumprimento do prazo fixado para a deflagração da operação. Segundo o ministro, houve “inobservância expressa e deliberada” da ordem que determinava a execução entre 12 e 13 de janeiro.O diretor-geral da PF terá 24 horas para justificar o motivo da operação ter sido realizada fora do período determinado, sob pena de eventual responsabilização administrativa ou processual. Embora isso não anule automaticamente as diligências, abre um debate sobre a legalidade das provas e o grau de observância das decisões judiciais em operações complexas de combate a crimes financeiros.Quais são os impactos jurídicos e os próximos passos da investigação?Com os materiais apreendidos lacrados no STF, os próximos passos envolvem autorizações específicas para perícias, acesso a dados digitais e eventual compartilhamento de informações com o Ministério Público e a própria PF. Cada desbloqueio de conteúdo dependerá de decisão do ministro relator ou do plenário, conforme o avanço das apurações e a necessidade de novas diligências.Especialistas em direito penal e financeiro apontam que a análise de celulares, notebooks e documentos contábeis costuma ser decisiva para rastrear contratos suspeitos e esquemas de fraude. Ao mesmo tempo, o esclarecimento sobre o cumprimento (ou não) das ordens de Toffoli poderá influenciar protocolos futuros, levando o STF a exigir relatórios adicionais e maior controle sobre operações semelhantes.O post Dias Toffoli determina que materiais aprendidos em operação do Banco Master devem ficar lacrados em sede do STF apareceu primeiro em Terra Brasil Notícias.