Enem 2025: como três alunos de BH garantiram notas acima de 960 na redação

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g1 conta como três alunos de BH garantiram notas acima de 960 na redaçãoAs notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram divulgadas nesta sexta-feira (16) e já começam a revelar histórias de dedicação, disciplina e superação. Três estudantes mineiros que conquistaram médias acima de 800 pontos na prova geral e notas de mais de 900 na redação contaram ao g1 Minas sobre a rotina de estudos desafios e sonhos para a vida acadêmica.✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil. O exame permite aos participantes concorrer a vagas em universidades públicas e privadas, e até a financiamento e bolsas privadas. Além disso, também é aceito em dezenas de instituições internacionais.O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), programa do Ministério da Educação (MEC) que seleciona estudantes para universidades públicas, começa na segunda-feira (19) e vai até a sexta (23).UFMG oferta mais de 6 mil vagas em 87 cursos pelo Sisu; veja cronograma e lista de graduaçõesNesta reportagem, Júlia Vitória Batista, Naief Lasmar Souza e Mateus Hindi Pires contam suas experiências a partir dos seguintes aspectos:Somente a noite disponível para estudosAjuda de professor e simulados para a redaçãoRepertório ampliado com interpretação de filmes'Afeto pelo caminho' do estudoJúlia Vitória Batista, Naief Lasmar Souza e Mateus Hindi Pires conquistaram notas acima de 900 na redação do Enem e médias superiores a 800 pontos na prova geral.Acervo PessoalSomente a noite disponível para estudosUma dessas histórias é a da aluna da Escola Estadual Maria Luiza Miranda Bastos, em Belo Horizonte, Júlia Vitória Batista. Aos 18 anos, ela é um dos destaques da rede pública mineira e viveu uma rotina desafiadora durante a preparação para o Enem. Com uma rotina de curso pela manhã e trabalho à tarde, Júlia tinha apenas a noite para se dedicar aos estudos para as provas.“Eu não tinha o dia inteiro para estudar em casa. O tempo que eu tinha era à noite e eu precisava fazer aquilo valer a pena. Sempre que podia, revisava as matérias aos fins de semana. Muitas vezes eu estava cansada, mas sabia que, se quisesse um bom resultado, precisava continuar”, conta.Segundo Júlia, a experiência como treineira em 2024 foi fundamental para se acostumar com o formato da prova e com o controle do tempo. “Quando você já passou pela experiência antes, chega mais tranquila. Eu já sabia como era o ritmo da prova, o cansaço, o tempo que precisava administrar. Isso me deu mais segurança para fazer a redação e o restante da prova com calma”, afirma.LEIA TAMBÉMComo utilizar a nota do Enem para estudar no Brasil ou no exteriorJogos de tabuleiro simples ajudam crianças a avançar em matemática, aponta revisão científicag1 em 1 Minuto: Como utilizar a nota do Enem para estudar no Brasil ou no exteriorAjuda de professor e simulados para a redaçãoO desempenho de 980 pontos na redação está diretamente ligado, segundo Júlia, ao trabalho desenvolvido na escola, especialmente nas aulas de língua portuguesa.“Tudo o que eu aprendi sobre redação veio do meu professor de Português, Adriano Melo. Ele nos ensinou a estruturar todos os parágrafos, fez indicações de repertórios e nos mostrou como dar uma base mais sólida para nossos argumentos. Outra estratégia foi realizar todos os simulados, tanto os externos quanto os que a escola aplicava.✅Mande sua denúncia, reclamação ou sugestão para o g1 Minas e os telejornais da TV Globo Júlia tem o sonho de cursar Engenharia da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela conta que receber o resultado do Exame foi um dos momentos mais marcantes de todo o processo. Segundo Júlia, apesar de ter dada o seu melhor, não esperava um resultado tão bom quanto o que obteve.Repertório ampliado com interpretação de filmesAssim como Júlia, Naief Lasmar Souza, de 19 anos e natural de Lavras (MG), também atribui o bom desempenho na prova a um processo que foi além do conteúdo tradicional. Para o estudante, que tirou 960 na redação, o caminho até a nota passou também pela interpretação crítica de filmes. O estudante conta que o hábito de analisar obras cinematográficas ajudou não só a ampliar o repertório sociocultural, mas também a desenvolver um olhar mais atento para a construção do texto.“Eu sempre gostei muito de cinema e comecei a escrever sobre os filmes que assistia, tentando entender as mensagens, os contextos históricos e sociais por trás das obras. Isso acabou me ajudando bastante na redação, porque fui ampliando meu repertório e aprendendo a organizar melhor as ideias”, explica.Essa foi a terceira vez que Naief participou do Enem. Em 2025, encarou o desafio de sair de sua cidade natal, Lavras, para cursar o pré-vestibular na capital mineira. Para ele, ficar longe da família para morar sozinho em BH e se adaptar a nova rotina foi um processo intenso, mas o foco em passar na prova foi maior.Com o desempenho, Naief pretende cursar Medicina. Ele conta que, apesar de ter familiares médicos que o influenciaram ao longo do caminho, a escolha pelo curso sempre veio de uma motivação pessoal.“Eu sempre enxerguei a medicina como uma ciência, mas também como uma arte. Gosto muito dessa ideia do cuidado e contato humano, É isso que me move”'Afeto pelo caminho' do estudoAssim como Naief, o belo-horizontino Mateus Hindi Pires, de 18 anos, também alcançou nota 960 na redação. Aluno do 3º ano do ensino médio e também estudante do curso pré-vestibular do Bernoulli, ele destaca que o principal diferencial da preparação não esteve apenas na carga horária intensa, mas na forma como passou a se relacionar com o estudo ao longo do processo.“Eu percebi que, no vestibular, se você não cria algum tipo de afeto pelo caminho, o processo fica muito pesado. É um ambiente competitivo, cansativo, e eu tentei transformar isso em algo mais leve, criando gosto por estudar, por fazer questões e escrever redações. Isso mudou completamente minha forma de encarar a preparação”, afirma.A rotina, especialmente no último ano, foi puxada. Pela manhã, Mateus tinha aulas regulares; à tarde, dedicava horas à resolução de exercícios e revisões do conteúdo visto no dia. Em média, chegava a 12 horas diárias de estudo, mas faz questão de destacar que o equilíbrio foi essencial.Na preparação para a redação, Mateus optou por um caminho menos engessado. Ele escrevia, em média, duas redações por semana, mas buscava desenvolver uma escrita mais autoral, sem depender exclusivamente de modelos prontos. “Eu quis fugir um pouco das fórmulas. Trabalhei muito a construção de argumentos próprios, uma escrita mais pessoal. Acredito que isso fez diferença na correção deste ano”, avalia.O resultado, segundo ele, veio como uma recompensa. “Minha mãe me acordou às 7h da manhã dizendo que a nota tinha saído. A sensação foi inexplicável. Dá um sentimento enorme de que tudo valeu a pena. Quando você se entrega de verdade ao processo, o retorno vem”, diz.Mateus pretende cursar medicina e será o primeiro médico da família. “Sempre foi um sonho trabalhar com pessoas, se comunicar, cuidar. A medicina, pra mim, é o ponto mais alto desse contato humano”, afirma.Vídeos mais vistos do g1 Minas: