O aumento do salário mínimo para R$ 1.621, em vigor desde o início de janeiro, vai muito além do contracheque do trabalhador formal. Isso porque o novo valor funciona como um indexador legal para uma ampla gama de benefícios sociais, obrigações familiares, contribuições previdenciárias e até limites de acesso à Justiça. Na prática, o reajuste provoca um efeito cascata imediato em diversos pagamentos e parâmetros usados pelo Estado.Um dos impactos mais sensíveis ocorre no Direito de Família. Famílias que recebem ou pagam pensão alimentícia fixada em salários-mínimos devem aplicar o novo valor já nos pagamentos de janeiro, mesmo que o salário do trabalhador só seja creditado em fevereiro. Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, não é necessária nova decisão judicial para essa atualização.Leia Mais: Salário mínimo 2026: quanto você deve ganhar no primeiro pagamento do ano?Pensão alimentíciaDe acordo com Isabela Gregório, advogada do EFCAN Advogados, quando a pensão é fixada em percentual ou em número de salários mínimos, o reajuste é automático e acompanha a atualização anual do piso nacional.“O salário mínimo, nesse caso, atua apenas como indexador da obrigação alimentar. Por isso, com o novo valor em R$ 1.621, todas as pensões baseadas nesse critério devem ser imediatamente corrigidas”, explica.Ela alerta que o pagamento sem reajuste pode caracterizar inadimplência, sujeitando o devedor a execução judicial e até prisão civil, se preenchidos os requisitos legais.BenefíciosO novo mínimo também redefine o piso de diversos benefícios sociais. Conforme explica Thiago Campbell, especialista em direito processual civil do Fonseca Brasil Serrão Advogados, nenhum benefício previdenciário pode ser inferior ao salário-mínimo, por determinação constitucional.Com isso, passam a R$ 1.621:o valor mínimo das aposentadorias do INSSas pensões por morteo auxílio-doençao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS)No mercado de trabalho, o reajuste também corrige:a parcela mínima do seguro-desempregoo valor de referência do abono salarial (PIS/Pasep)JustiçaO salário mínimo também define limites legais de acesso à Justiça, especialmente nos Juizados Especiais. Com o novo valor:ações nos Juizados Especiais Cíveis podem envolver causas de até R$ 64.840 (40 salários-mínimos)nos Juizados Especiais Federais, o teto sobe para R$ 97.260 (60 salários-mínimos)para entrar com ação sem advogado, o limite passa a ser R$ 32.420MEI e programas sociaisAlém disso, o novo piso altera contribuições previdenciárias de quem atua por conta própria. A contribuição mensal do Microempreendedor Individual (MEI), equivalente a 5% do salário-mínimo, sobe para R$ 81,05. Já o Plano Simplificado da Previdência, com alíquota de 11%, passa a exigir R$ 178,31 por mês.O reajuste também influencia critérios de renda usados em programas sociais, já que o Cadastro Único (CadÚnico) adota frações do salário-mínimo para definir elegibilidade.Um número que organiza o sistemaEmbora muitas vezes visto apenas como referência salarial, o mínimo segue sendo um pilar organizador de políticas públicas, direitos sociais e obrigações privadas. Como resume Thiago Campbell, o reajuste anual funciona como um gatilho legal que redistribui valores por todo o sistema. Para famílias, contribuintes e beneficiários, entender esse efeito cascata é essencial para evitar surpresas, atrasos ou problemas jurídicos. Dessa forma, em janeiro, o calendário mudou, e o bolso também.The post Aumento do salário mínimo não é só no contracheque: entenda o efeito cascata appeared first on InfoMoney.