O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o programa Desenrola 2.0, lançado hoje pelo governo federal seja uma fórmula para “tirar a corda do pescoço” e para que o cidadão endividado volte a “respirar e sonhar”. Em uma breve fala no evento no evento no Palácio do Planalto, Lula defendeu o endividamento com parcimônia do cidadão, desde que o valor não torne a dívida impagável.“O País vem se endividando há muito tempo, um problema que se agravou durante a (pandemia de) Covid-19 e estamos tentado encontrar uma fórmula parar tirar a corda do pescoço para que essa gente possa voltar a respirar e sonhar”, disse. “O mercado transforma cidadão em clandestino, ele vira um freguês da bandidagem e da agiotagem e, aí sim, vai estar endividado para o resto da vida, pois paga e não tem limite”, completou.Lula considerou o endividamento como uma prática de grande parcela da população e avaliou ser “muito bom que povo tenha capacidade de se endividar”. Ele relembrou de um pronunciamento feito durante a crise econômica global de 2008 no qual sugeriu que o brasileiro não tivesse medo de se endividar, desde que fosse com responsabilidade. “É maravilhoso que se queira comprar alguma coisa, mas é importante que faça dívidas e não perca de vista condições de pagamento”, afirmou. “Vamos fazer com que você volte a respirar, dar condições para diminuir endividamento, para se libertar de dívida do cartão de crédito e do cheque especial”, afirmou.O presidente lembrou, como fez no pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, que quem aderir ao Desenrola 2.0 será bloqueado em casas de apostas online, as chamadas bets, e cobrou a fiscalização da imprensa. “Agora, vocês não podem continuar jogando em bets. Acho que vocês da imprensa poderiam nos ajudar a fiscalizar para ver se programa como esse vai dar certo”.“Leva um tempo, os bancos vão ter problemas, mas o novo Desenrola pretende ser um exemplo de política de crédito para que a sociedade possa voltar a comprar coisas elementares, pois até para comer estão se endividando. A dívida tem de ser feita de acordo com o tamanho do passo que pernas possam dar”, concluiu.Além do presidente, participaram do evento os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), José Guimarães (Relações Institucionais), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Paulo Pereira (Empreendedorismo). Também estavam no evento, entre outros, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello. Os endividados beneficiados terão desconto de 30% a 90% no valor da dívida, poderão sacar até 20% no saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e terão juros de, no máximo, 1,99%. O presidente também afirmou que o programa poderá ser utilizado para a negociação de dívidas de cartões de crédito, cheque especial e pessoal, rotativo e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).