Fontes ouvidas pelo colunista Eliseu Caetano na capital americana e no Itamaraty indicam que a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, onde deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será marcada por um formato mais direto e pragmático, sem grandes cerimônias de Estado.Em Washington, a avaliação é de que o encontro deve seguir o padrão atual da Casa Branca para reuniões bilaterais de alto nível: pouco protocolo, agenda fechada e foco absoluto em resultados concretos. A tendência, segundo essas fontes, é que não haja grandes eventos públicos, desfiles militares ou cerimônias simbólicas, como já ocorreu em outras visitas recentes, como a do Rei Charles III, na semana passada.A lógica na capital americana é clara: esse encontro será tratado como reuniões de trabalho, com menos pompa e mais negociação política e econômica.E a pauta promete ser intensa.Do lado dos Estados Unidos, Donald Trump deve adotar uma postura dura e objetiva. Segundo interlocutores próximos à Casa Branca, o principal interesse americano está no acesso a minerais estratégicos, com destaque para as chamadas terras raras, consideradas essenciais para setores como defesa, tecnologia e semicondutores. Em Washington, esse tema é tratado como prioridade de segurança nacional.Trump também deve trazer à mesa temas sensíveis no campo político, incluindo discussões sobre ambiente institucional e eleições no Brasil, assunto que tende a ser abordado dentro de um contexto mais amplo das relações bilaterais, ainda que de forma diplomática.Na área econômica, entram na lista pontos como barreiras comerciais, regulação digital e maior abertura de setores estratégicos para empresas americanas.Do lado brasileiro, fontes no Itamaraty avaliam a visita como uma oportunidade de reposicionamento diplomático em um cenário global mais competitivo, buscando manter diálogo aberto com Washington sem alinhamento automático às prioridades dos Estados Unidos.A relação entre Lula e Trump já teve momentos de maior aproximação. Durante encontros multilaterais, especialmente na Assembleia Geral da ONU, diplomatas chegaram a relatar uma espécie de “química” inicial entre os dois líderes, com um diálogo mais fluido e menos confrontacional em público.Mas essa percepção não se manteve. Nos meses seguintes, os atritos entre Brasil e Estados Unidos voltaram a aparecer em temas comerciais, ambientais e políticos, recolocando a relação em um patamar mais pragmático e, em alguns momentos, tenso.Agora, com a visita confirmada, a avaliação em Washington e Brasília é a mesma: será uma reunião de baixa cerimônia e alta pressão, com pouco espaço para simbolismo e foco total em interesses estratégicos dos dois lados.