As stablecoins ultrapassaram o Bitcoin e se tornaram, pela primeira vez, os ativos digitais mais comprados pelos usuários da Bitso na América Latina. Segundo a 5ª edição do relatório “Panorama Cripto na América Latina”, os dólares digitais USDC e USDT responderam juntos por 40% de todas as compras feitas na plataforma em 2025 nos quatro principais mercados analisados: Argentina, Brasil, Colômbia e México.O movimento marca uma mudança importante no comportamento dos investidores da região. Em vez de usar criptomoedas apenas para especulação ou busca de valorização, uma parcela crescente dos usuários passou a recorrer às stablecoins como forma de acessar o dólar, preservar valor, fazer remessas e lidar com moedas locais mais instáveis. No ranking regional de compras, o USDC liderou com 24%, seguido pelo Bitcoin, com 18%, USDT, com 16%, XRP, com 11%, Ether, com 7%, e Solana, com 4%.A conclusão central do relatório é que o mercado cripto latino-americano passou a se dividir em dois grandes usos. O primeiro é o acesso ao dólar, impulsionado principalmente por stablecoins. O segundo é a acumulação de longo prazo, ainda liderada pelo Bitcoin.Apesar de ter perdido a liderança nas compras, o BTC continua sendo o ativo mais mantido pelos usuários da Bitso, com participação regional de 52% nas carteiras ao fim de 2025, praticamente estável em relação aos 53% registrados no ano anterior.Leia também: Meta passa a pagar criadores em stablecoin na Solana e PolygonO levantamento é baseado em dados comportamentais de milhões de interações de usuários nas plataformas web e mobile da Bitso ao longo de 2025, comparados com 2024. O estudo cobre México, Argentina, Brasil e Colômbia, além de apontar sinais de crescimento orgânico em países como Peru, Chile, Guatemala, El Salvador e República Dominicana. A empresa afirma que nenhum dado identificável de usuários foi coletado ou utilizado.Dólar digital ganha força na regiãoA Argentina aparece como o caso mais extremo de dolarização cripto. No país, stablecoins representaram 71% das compras dos usuários da Bitso em 2025. O USDT sozinho respondeu por 57% das aquisições, a maior concentração de um único ativo em qualquer mercado analisado no relatório. Para a Bitso, esse comportamento está ligado à busca por preservação de poder de compra em um ambiente marcado por inflação e volatilidade cambial.No Brasil, o cenário é mais equilibrado. As stablecoins responderam por 34% das compras, enquanto o Bitcoin ficou com 22%. O relatório interpreta essa diferença como reflexo de um mercado menos pressionado pela urgência da dolarização e mais voltado à construção de portfólios diversificados. O país também apresentou os níveis mais elevados de atividade de negociação avançada na região, com maior uso de ordens limitadas e volumes médios mais altos.Na Colômbia, os ativos atrelados ao dólar representaram 46% das compras, enquanto o Bitcoin ficou com 15% e o XRP com 11%. O relatório aponta que o país ocupa uma posição intermediária entre a Argentina e o Brasil: há demanda relevante por estabilidade em dólar, mas também interesse em outros criptoativos para composição de carteira. Já no México, stablecoins somaram 36% das compras, contra 19% do Bitcoin, em um mercado descrito pela Bitso como híbrido, combinando investimento de longo prazo e uso financeiro transfronteiriço.Brasileiros na Argentina e jovens puxam novos usosUm dos recortes destacados pela Bitso é o uso de cripto por brasileiros que estudam na Argentina, especialmente em cursos de Medicina. Segundo o release do relatório, o par ARS/BRL, que envolve pesos argentinos e reais brasileiros, está entre os mais dominantes no Brasil, tendência que pode refletir o aumento de brasileiros vivendo e estudando no país vizinho.O levantamento também mostra que 52% das transferências realizadas da Argentina para o Brasil são feitas por mulheres. Dados citados pela Bitso, atribuídos ao Ministério das Relações Exteriores, indicam que mais de 90 mil brasileiros vivem na Argentina, dos quais cerca de 23 mil são estudantes universitários. Mais de 20 mil estariam matriculados em cursos de Medicina, o equivalente a 12% do total de estudantes da área no país.Leia também: Volume de stablecoins no Brasil cresce 480x em 6 anos e atinge R$ 361 bilhõesSegundo a Bitso, as transações desse público costumam ter valores médios entre US$ 200 e US$ 300 e são usadas para despesas como aluguel, alimentação e mensalidades. Também há picos de movimentação em períodos específicos, como depois do recebimento de remessas familiares, quando os recursos podem ser convertidos em stablecoins para preservar poder de compra.“O que vemos na prática é que as criptomoedas estão se consolidando como uma ferramenta essencial para quem precisa lidar com transferências internacionais de forma recorrente, como é o caso de estudantes brasileiros na Argentina”, afirma Nicolás Alonso, country manager da Bitso no Brasil. Segundo ele, além da agilidade, esses usuários encontram nas stablecoins uma forma de proteção contra a volatilidade cambial.O relatório também aponta uma reaceleração da adoção entre os mais jovens. A faixa de 18 a 24 anos cresceu dois pontos percentuais e chegou a 29% da base de usuários da Bitso em 2025, contrariando a ideia de que, com o amadurecimento do ciclo de mercado, o uso de cripto tenderia a se concentrar em faixas etárias mais velhas. Para a empresa, esse movimento sugere que as novas gerações tratam ativos digitais como uma extensão natural das finanças digitais, em linha com a familiaridade já existente com fintechs e aplicativos bancários.Ao mesmo tempo, a plataforma identifica um mercado mais sofisticado. A maior parte dos usuários ainda faz operações simples de conversão, mas entre 8% e 10% já executam ordens de trade ativamente. Esses usuários avançados movimentam valores médios entre cinco e 15 vezes maiores do que os usuários que fazem apenas conversões básicas, sinal de que a região combina uma base ampla de adoção cotidiana com um grupo menor de participantes mais profissionais.Para Nicolás Alonso, os dados mostram uma transformação estrutural no uso de criptoativos na América Latina. “O que antes era predominantemente um investimento especulativo hoje se consolida como uma solução financeira prática, conectada a necessidades reais dos usuários”, afirma.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Stablecoins superam Bitcoin e viram ativos mais comprados na América Latina, diz Bitso apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.