Quando estava com 40 anos, Jenny Teeters tinha um grave problema com bebida que escondia por trás de seu sucesso profissional. Em determinado momento, ela gerenciava um emprego na área de tecnologia com salário de seis dígitos, criava duas filhas adolescentes, concluiu seu MBA e dava aulas de Zumba – tudo isso enquanto estava intoxicada.Ela chegou a um ponto em que não conseguia mais administrar tudo. Sabia que precisava de ajuda. O que finalmente fez sua sobriedade dar certo, diz, foi uma nova fé em um poder superior. Leia Mais Lucy Hale, de "Pretty Little Liars", revela o que a fez ficar sóbria Uso de álcool e drogas pelos pais influencia consumo dos filhos, diz estudo Abstinência de álcool cresceu no Brasil nos últimos 2 anos, aponta pesquisa “Na minha dependência, eu tinha me afastado da fé, porque realmente pensava: “quem sou eu para entrar em uma igreja, sabendo que estou fazendo a mesma coisa prejudicial repetidamente?” Eu tinha tantos apegos e vícios prejudiciais com a bebida”, disse Teeters, que agora vive na Carolina do Sul. “Mas quando confessei a um padre sobre minha bebida, ele me disse que eu precisava trabalhar em um relacionamento pessoal com Jesus.”Essa conversa plantou uma semente. “E isso simplesmente se tornou o veículo pelo qual eles me ajudaram a voltar.”Uma nova pesquisa sugere que esse tipo de conexão pode ajudar outros também. Um estudo publicado na revista JAMA Psychiatry em fevereiro descobriu que a crença espiritual ou uma prática religiosa constante tinha um efeito protetor contra o vício.A análise, que incluiu 55 estudos abrangendo mais de meio milhão de pessoas, descobriu que aqueles que tinham uma crença espiritual ou prática religiosa eram menos propensos a ter uma relação prejudicial com álcool, drogas ou cigarros. Aqueles com uma conexão com um poder superior também tiveram mais sucesso na recuperação do vício.Nenhum grupo demográfico específico se beneficiou mais da conexão espiritual, mas mais da metade dos afro-americanos no estudo relataram que sua espiritualidade ou religião “fez toda a diferença” em sua recuperação — uma taxa duas a três vezes maior do que a das pessoas brancas.A fé, ou uma conexão espiritual, também pareceu ajudar as mulheres a alcançarem o mesmo nível de sucesso no processo de recuperação que os homens. Pesquisas anteriores mostraram que as mulheres normalmente enfrentam mais barreiras para a recuperação. A sociedade julga as mulheres muito mais severamente do que os homens por causa do vício, e as mulheres, que são mais frequentemente cuidadoras, podem achar difícil arranjar tempo para si mesmas ou gastar dinheiro com reabilitação.O novo estudo não explica por que a fé protege contra os efeitos nocivos das drogas, álcool ou tabagismo. Nenhuma prática religiosa ou espiritual específica demonstrou ser mais protetiva contra o vício, mas a redução do risco foi maior para pessoas que se envolviam regularmente em uma comunidade espiritual ou religiosa, definida como participação semanal em um serviço religioso.Uma possível razão para o efeito protetor entre fé e uso de substâncias é que o uso excessivo de drogas e álcool normalmente não seria a norma em uma comunidade religiosa, disse a Dra. Amy Krentzman, que pesquisa espiritualidade e recuperação do alcoolismo e não trabalhou no novo estudo.A crença em um poder superior também proporciona às pessoas esperança e consolo — grandes antídotos para o vício. A participação regular em uma comunidade de fé também proporciona conexão.“As congregações religiosas tradicionais ou a participação dariam a uma pessoa uma base mais ampla de apoio social, o que é extremamente útil na recuperação”, disse Krentzman, professora associada na Escola de Serviço Social da Universidade de Minnesota.A conexão social de qualquer tipo é fundamental na recuperação, disse a Dra. Anisah Bagasra, professora assistente de psicologia na Universidade Estadual de Kennesaw na Geórgia, que pesquisa compromisso religioso e uso de substâncias.“A participação religiosa evita a solidão e o isolamento, e indivíduos que estão isolados são mais propensos a usar álcool e drogas para lidar com as circunstâncias da vida”, disse Bagasra, que não trabalhou no novo estudo.As pessoas frequentemente também creditam o companheirismo e o apoio social que experimentam no Alcoólicos Anônimos com sua sobriedade. Não é religioso, e todos são bem-vindos, mas o AA pede aos membros que acreditem em “um poder maior do que nós como indivíduos”. O objetivo é promover a humildade, reduzir a ansiedade da pessoa liberando sua necessidade de controle e fornecer uma fonte externa de força para a recuperação a longo prazo.Pesquisas mostram que as formas mais eficazes de ajudar alguém a acabar com seu vício em álcool frequentemente incluem uma combinação de abordagens como terapias comportamentais, medicamentos como naltrexona ou dissulfiram, e um sistema de apoio como programas de 12 passos.Junto com o companheirismo que encontrou frequentando o Catholic in Recovery, programa de 12 passos enraizado na igreja, e um ano em reabilitação ambulatorial, Teeters sentiu que precisava desenvolver um verdadeiro companheirismo espiritual para ficar sóbria.Jenny Teeters conta como a fé a vez rever seu vício • Arquivo PessoalDesenvolver seu relacionamento pessoal com Jesus exigiu imaginação real e prática. Ela primeiro se imaginou na praia em Monterey, Califórnia.“Estou sentada lá, e há pássaros voando ao redor, posso ouvir o oceano, e literalmente há uma pessoa sentada ao meu lado”, disse Teeters. “Eu praticava ficar confortável com Ele sentado ao meu lado, contava a Ele o que estava em minha mente, e talvez eu escutasse para ver se algo era dito em resposta.”Ela disse que se uma música fosse descrever esse relacionamento, ela escolheria “It Takes Two” de Rob Base e DJ E-Z Rock.Ela se dedica a essa prática com tanta frequência que agora imagina Jesus com ela o tempo todo. “Estou na academia fazendo supino e imaginando ele me dando proteção”, disse.Krentzman diz que pessoas lidando com vício frequentemente usam a espiritualidade e religiosidade como um mecanismo de apoio que ajuda a estabilizar seu humor e acalmá-las quando se sentem perturbadas.“Se alguém não está bebendo porque está em recuperação, precisa encontrar algo mais para ajudá-lo a se sentir seguro e estável”, disse Krentzman.Religião ou espiritualidade não são a única resposta, disse Krentzman; meditação também é poderosa. Até mesmo respirar profundamente três vezes quando você está chateado pode ajudar. Qualquer coisa que ajude uma pessoa a desenvolver boas habilidades de enfrentamento pode funcionar.Ter um vício ativo, disse Krentzman, é “uma forma de vida muito limitante e restrita.”“Quando a pessoa consegue se libertar disso e começa a ampliar seus horizontes, então terá uma qualidade de vida mais ampla e um propósito maior na vida. E quando param de usar drogas ou álcool, têm uma vida inteira para descobrir e, em certo sentido, podem finalmente buscar um sentido de propósito.”Agora em seus 50 anos e sóbria, Teeters encontrou seu senso de propósito. Ela é coach de carreira e vida que ajuda executivos que estão em um ponto de virada a descobrir o que dará significado e sucesso às suas vidas. Ela também trabalha com a Catholic in Recovery para ajudar outros como ela.“Eu não conhecia uma única pessoa em recuperação quando estava bebendo”, disse Teeters. “Então sou aberta sobre minha recuperação para que, se você precisar de um pouco de esperança, possa usar a minha.”Vício em jogos pode ter origem genética? Especialistas explicam