Deputados de uma comissão bipartidária do Congresso dos EUA publicaram um relatório acusando a China de manter centros espaciais na América Latina com possíveis fins militares. O documento destaca duas dessas unidades em território brasileiro, demonstrando o receio de Washington em perder o domínio estratégico sobre a região.O foco principal das críticas é uma estação localizada na Bahia, operada em parceria com uma companhia de satélites. Para os parlamentares, a presença chinesa ameaça a hegemonia dos EUA no continente, que os congressistas tratam abertamente como uma “esfera de influência” norte-americana.A comissão responsável pela denúncia foi estabelecida em 2023 com a missão específica de criar táticas para enfrentar o crescimento econômico e bélico de Pequim. Comandado por uma maioria republicana, o grupo reflete a postura do governo de Donald Trump, que enxerga os países latino-americanos como parte do “quintal dos fundos” dos Estados Unidos.Leia tambémChina aumenta gastos com defesa em 7% em esforço para se modernizar até 2035A China vai melhorar a prontidão para o combate e acelerar o desenvolvimento de “capacidades avançadas de combate”, disse o primeiro-ministro Li Qiang Sob o título “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China”, o dossiê do Congresso americano detalha como Pequim tem costurado parcerias científicas e espaciais na região para camuflar o avanço de uma estrutura militar. Segundo os parlamentares, o que parece cooperação técnica é, na verdade, a construção de bases estratégicas.O texto afirma que as “instalações não são simplesmente projetos científicos isolados”, e sustenta que esses pontos operam para conectar e ampliar o poder chinês de vigiar e “potencialmente interromper as operações espaciais e militares do adversário”.A análise aponta que essa infraestrutura na América Latina serve para coletar dados estratégicos e fortalecer o Exército Popular de Libertação em futuros conflitos. O relatório conclui que esses pontos são fundamentais para a rede de defesa chinesa, pois garantem vigilância constante e oferecem o “sistema de orientação terminal necessário para armamentos avançados”, funcionando como um guia de alta precisão para armas modernas.Bases brasileirasO relatório do Congresso americano identifica duas unidades em solo brasileiro que fazem parte dessa rede estratégica: a Estação Terrestre de Tucano, localizada na Bahia, e um laboratório voltado à radioastronomia na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba.A unidade baiana foi viabilizada por um contrato assinado em 2020, durante a gestão Bolsonaro, unindo a startup nacional Alya Nanossatélites à companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology. Os congressistas americanos demonstram inquietação com alguns pontos específicos do projeto, como o fato de a localização exata da base não ser pública e os termos que definem a transferência de tecnologia e informações entre as empresas. Além disso, o relatório destaca com preocupação o envolvimento direto da Força Aérea Brasileira (FAB) nessa iniciativa de cooperação.Conforme a conclusão dos parlamentares dos Estados Unidos, o governo chinês tem o potencial de instalar uma base de monitoramento espacial no Brasil. O relatório argumenta que essa conexão abre caminho para que Pequim observe e interfira nas diretrizes militares espaciais brasileiras, garantindo uma “presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA”.Leia tambémBrasil tem desemprego de 5,4% no tri até janeiro, em linha com o esperadoA mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 5,4 por cento por cento no períodoO documento detalha ainda que, ao cruzar os dados de alta precisão da empresa brasileira Alya com os seus próprios sistemas, a China teria condições de criar uma ferramenta de vigilância constante, e “identificar ativos militares camuflados e rastrear objetos espaciais estrangeiros em tempo real”.Em paralelo, o projeto do radiotelescópio na Paraíba faz parte de uma iniciativa científica internacional que conta com a colaboração de nações como França e Reino Unido. Atualmente, as peças desse equipamento estão sendo produzidas e montadas em São Paulo.O temor dos parlamentares fica na capacidade de os sensores detectarem sinais de satélites e dispositivos militares, além de outros aparelhos voltados para a “guerra eletrônica”. Na visão dos parlamentares, essa tecnologia permitiria o monitoramento de frequências sensíveis e de comunicações estratégicas de defesa.Recomendações americanasAs sugestões do Congresso americano para afastar a América Latina da influência chinesa focam em um objetivo central: “eliminar a infraestrutura espacial chinesa ameaçadora do Hemisfério Ocidental”.Para convencer os países vizinhos a romperem esses laços, o relatório propõe que o governo Trump adote a “diplomacia de inteligência”, compartilhando informações estratégicas e segredos com as nações da região para provar os perigos dessa parceria com Pequim.Além dessa pressão, o documento defende que Washington colabore com governos como o do Brasil para exigir transparência e “supervisão legal” sobre essas instalações. A ideia é que os países-sede tenham o direito de inspecionar o que acontece dentro dessas bases, que hoje funcionam sob forte sigilo. O impacto dessas acusações já mobilizou o cenário político brasileiro: a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados reagiu prontamente, solicitando que o Ministério da Defesa preste esclarecimentos oficiais sobre as atividades realizadas na estação de Tucano, na Bahia.The post EUA acusam China de manter bases no Brasil com fins militares appeared first on InfoMoney.