Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço  

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Após 25 meses de atividade no espaço, a missão SpIRIT, da Austrália, foi oficialmente encerrada. O projeto marcou um avanço importante para o setor espacial do país. Liderado pela Universidade de Melbourne, em parceria com a Agência Espacial Italiana (ASI), o nanossatélite superou a expectativa inicial de operação, prevista para dois anos.Pequeno, do tamanho de uma caixa de sapatos, e pesando 11,5 kg, o SpIRIT completou cerca de 16 mil voltas ao redor da Terra. Ao longo desse período, percorreu algo em torno de 690 milhões de quilômetros – o que é comparável à distância entre a Terra e Júpiter. O satélite enviou mais de 400 imagens ao planeta e registrou centenas de outras para pesquisas realizadas a bordo.Representação artística do satélite SpIRIT, da Austrália, que percorreu 690 milhões de km ao redor da Terra antes de se aposentar. Crédito: Universidade de MelbourneEm resumo:Missão SpIRIT se encerra após 25 meses no espaço;Satélite percorreu 690 milhões de quilômetros;Projeto testou tecnologias espaciais australianas;Instrumento HERMES estudou raios X e gama;Dados e legado impulsionam futuras missões.SpIRIT impulsiona tecnologia australianaDe acordo com um comunicado, a missão teve como principal objetivo testar tecnologias desenvolvidas na Austrália. O projeto demonstrou a eficiência de sistemas autônomos, comunicações avançadas e controle térmico em órbita. Além disso, contribuiu para fortalecer a indústria espacial local e ampliar a experiência técnica de pesquisadores e empresas do país.Um dos destaques foi o instrumento HERMES, fornecido pela ASI, que permitiu a realização de estudos com raios X e raios gama, fenômenos associados a eventos extremos no universo, como a morte de estrelas massivas ou a fusão de estrelas de nêutrons. Apenas nos últimos meses de 2025, o satélite coletou mais de 180 horas de dados científicos.Segundo a professora Michele Trenti, investigadora principal da missão, o projeto representa uma conquista relevante para a equipe e seus parceiros. Ela destaca o apoio das agências espaciais da Austrália e da Itália e defende que o legado do SpIRIT deve beneficiar futuras iniciativas científicas.Uma selfie da sonda SpIRIT em órbita sobre o Oceano Pacífico com as ilhas do Havaí ao fundo, 5 de agosto de 2025. Crédito: Universidade de MelbourneO chefe da Agência Espacial Australiana (ASA), Enrico Palermo, avaliou que o impacto da missão vai além dos resultados técnicos. Para ele, o investimento ajudou a consolidar a posição da Austrália como parceira confiável em projetos espaciais internacionais. Já o líder da ASI, Teodoro Valente, ressaltou o avanço tecnológico alcançado com o desempenho do instrumento HERMES.Diversas empresas australianas participaram do consórcio responsável pela missão. Entre elas, Inovor Technologies, Neumann Space, Nova Systems e SITAEL Austrália, que contribuíram com plataforma, sistema de propulsão, estação terrestre e engenharia de sistemas, respectivamente.Leia mais:EUA miram domínio energético além da Terra com reatores nucleares espaciaisO último adeus: startup promete levar cinzas ao espaço por menos de US$ 250Satélite com chip da Nvidia roda IA no espaço pela primeira vezSatélite apresentou falhas após 2 anos no espaçoEm janeiro, o satélite começou a apresentar falhas técnicas e perda intermitente de comunicação. Após análises, a equipe concluiu que não seria possível restabelecer contato estável, encerrando oficialmente a fase operacional em órbita.A expectativa é que o SpIRIT reentre na atmosfera e se desintegre até agosto, sem gerar detritos espaciais. Agora, os pesquisadores concentram esforços na análise dos dados coletados e na publicação dos resultados. As experiências adquiridas servirão de base para o desenvolvimento de novas tecnologias espaciais australianas, incluindo aplicações em sensoriamento remoto e computação em órbita.O post Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço   apareceu primeiro em Olhar Digital.