Petrobras (PETR4) tem 2º melhor desempenho entre gigantes do petróleo em 2026, enquanto guerra no Oriente Médio impulsiona setor

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Um levantamento da consultoria Elos Ayta com 16 companhias globais de petróleo, todas com valor de mercado superior a US$ 50 bilhões e ações ou ADRs negociadas em Nova York ou na América Latina, revela que a Petrobras aparece entre os maiores destaques do setor em 2026. Até 4 de março, a ação preferencial PETR4 acumula valorização de 38,81% em dólares, o segundo melhor desempenho da amostra, atrás apenas da americana Valero Energy, que sobe 39,43% no período. O ranking mostra que a estatal brasileira superou boa parte das maiores petroleiras globais, incluindo nomes tradicionais como Exxon Mobil, Chevron, Shell e BP. A leitura ganha ainda mais relevância em um momento de forte turbulência geopolítica. Em 28 de fevereiro, a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu temores sobre a estabilidade do fornecimento global de petróleo, especialmente pelo risco de interrupções no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.  Desde então, o mercado reagiu rapidamente. Até 12h de 5 de março, o Brent acumulava alta de 15,60% no mês, sendo negociado a US$ 83,79 por barril. Como a guerra mudou o comportamento das petroleiras A reação das ações do setor após o início do conflito ajuda a ilustrar um fenômeno amplamente discutido tanto na academia quanto no mercado financeiro: a assimetria de impacto dos choques no preço do petróleo entre diferentes modelos de negócio da indústria. Desde 28 de fevereiro, as empresas com melhor desempenho foram justamente aquelas com maior exposição a atividades de refino e distribuição, que se beneficiam da ampliação das margens quando o petróleo sobe rapidamente.O destaque ficou para: Marathon Petroleum, com alta de 11,38% em dólares Valero Energy, com valorização de 10,24% Phillips 66, que avança 6,73% No mesmo período, a Petrobras preferencial registrou alta mais moderada de 1,8% em dólares. Já algumas das maiores petroleiras integradas do mundo apresentaram desempenho negativo no curto prazo. Cinco das 16 empresas analisadas caíram em março, com destaque para: Exxon Mobil: queda de 1,76% Shell: recuo de 0,97% Chevron: baixa de 0,39% A teoria por trás da reação do mercado Esse comportamento é consistente com uma das teses clássicas da literatura financeira sobre o setor de energia: o modelo de transmissão assimétrica do preço do petróleo ao valor das empresas, amplamente explorado em estudos acadêmicos e relatórios de bancos de investimento. De forma simplificada, o impacto ocorre em três camadas: Empresas de refino (downstream)Costumam reagir mais rapidamente aos choques geopolíticos porque as margens de refino tendem a aumentar quando o preço do petróleo sobe abruptamente. Empresas de exploração e produção (upstream)Se beneficiam do petróleo mais caro, mas o efeito aparece de forma mais gradual, pois depende de produção, hedge e expectativas de preço futuro. Companhias integradasGigantes como Exxon, Shell ou Chevron possuem operações completas (exploração, refino e distribuição). Nesses casos, o efeito tende a ser mais diluído no curto prazo, o que explica a reação mais moderada, ou até negativa, em momentos de choque inicial de preços.Petrobras entre as maiores do mundo Apesar da volatilidade recente, a Petrobras segue entre as principais empresas globais do setor. Em 4 de março de 2026, o ranking por valor de mercado mostra: Exxon Mobil – US$ 624,2 bilhões Chevron – US$ 371,2 bilhões Shell – US$ 251,5 bilhões A Petrobras aparece na sexta posição, com US$ 105,2 bilhões, sendo a última da amostra acima da marca de US$ 100 bilhões. Mesmo sem liderar em tamanho, a empresa brasileira aparece entre os maiores destaques em valorização das ações no ano, reforçando o apetite de investidores por empresas ligadas ao setor de energia em um ambiente de maior tensão geopolítica.Quem ganhou e quem perdeu valor de mercado No recorte de março, as oscilações também foram expressivas em termos nominais. A Exxon Mobil registrou a maior perda de valor de mercado, com redução de US$ 11,1 bilhões entre 28 de fevereiro e 4 de março. Na outra ponta, o destaque positivo foi a Marathon Petroleum, que adicionou US$ 6,65 bilhões em valor de mercado no mesmo período. O petróleo voltou ao centro do tabuleiro global Para analistas do setor, o episódio reforça um padrão recorrente na história do mercado de energia: tensões geopolíticas no Oriente Médio rapidamente se traduzem em volatilidade nos preços do petróleo e nas ações das petroleiras. E quando o barril volta a subir de forma acelerada, como agora, as empresas do setor voltam ao centro das atenções dos investidores globais. A fotografia de 2026 até aqui mostra exatamente isso: com o Brent avançando e os riscos geopolíticos aumentando, as petroleiras voltaram a liderar os rankings de desempenho das bolsas globais, e a Petrobras aparece entre os principais destaques desse movimento.