A S&P Global Ratings rebaixou a classificação de crédito da Raízen (RAIZ4) de CCC+ para CCC-, mantendo perspectiva negativa, em meio às discussões sobre uma reorganização da estrutura de capital da companhia.O corte também atingiu os títulos seniores não garantidos emitidos pela Raízen Fuels Finance, que passaram a ter a mesma classificação. A agência manteve ainda a nota de recuperação em 3, com expectativa de recuperação de cerca de 65% em caso de inadimplência.A decisão ocorre após a empresa informar que avalia um plano de reestruturação financeira, que inclui uma injeção de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pela Shell plc e R$ 500 milhões pela holding Aguassanta Investimentos, controlada por Rubens Ometto.O plano também prevê venda de ativos, otimização das operações, conversão de parte da dívida em ações e alongamento de prazos de vencimento. Na avaliação da S&P, uma conversão de dívida — considerada uma troca em situação de dificuldade financeira — é altamente provável.Segundo a agência, os controladores discutem há mais de um ano alternativas para reduzir a alavancagem da companhia, mas ainda não chegaram a um consenso, o que levou a S&P a classificar a governança da empresa como negativa.Apesar de a Raízen ter encerrado 2025 com R$ 17 bilhões em caixa e acesso a uma linha rotativa de US$ 1 bilhão, a agência projeta fluxo de caixa negativo nos próximos trimestres, pressionado pelo desempenho mais fraco das operações de açúcar e etanol, pelos investimentos recorrentes e pelo alto custo da dívida.