Há tempos você espera por aquele show, sabe que não será barato mas consegue encaixar no orçamento, afinal vale o esforço. Chega a hora de comprar o ingresso, você entra na plataforma, e depois de alguns cliques vem o susto: o valor final ficou bem mais caro, por causa de taxas que ninguém consegue explicar direito.Esse tipo de experiência está no centro de um julgamento iniciado nesta semana nos Estados Unidos. No banco dos réus está a Live Nation Entertainment, maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo e controladora da plataforma de venda de ingressos Ticketmaster.O processo foi aberto pelo Departamento de Justiça dos EUA e por procuradores de dezenas de estados do país. As autoridades acusam a Live Nation de manter um monopólio no mercado de música ao vivo, o que teria reduzido a concorrência e permitido a cobrança de taxas mais altas na venda de ingressos.Embora o caso seja nos EUA, o tema interessa a fãs de shows em qualquer país, pois trata de um ponto que muitos consumidores reconhecem: a diferença entre o preço anunciado e o valor pago pelo ingresso.Entenda o caso do monopólio da Live NationA acusação gira em torno do modelo de negócios da Live Nation, que reúne várias etapas da indústria de shows dentro do mesmo grupo.A empresa promove turnês internacionais, administra arenas e casas de espetáculo e mantém relações comerciais com artistas. Ao mesmo tempo, controla a Ticketmaster, uma das maiores plataformas de venda de ingressos do mundo.Segundo o governo americano, essa estrutura dificulta a concorrência. Dados do processo indicam que a Ticketmaster responde por cerca de 70% da venda de ingressos para grandes casas de espetáculo nos Estados Unidos, enquanto a Live Nation promove aproximadamente 60% dos grandes shows no país.Em outras palavras, poucas empresas concentram grande parte da indústria de música ao vivo. Promotores afirmam que a estrutura atual do mercado permitiu à empresa impor condições comerciais que acabam elevando o preço final dos ingressos.A Live Nation nega as acusações. A empresa afirma que o setor é competitivo e sustenta que o preço elevado dos ingressos se deve principalmente à forte demanda por grandes artistas e ao custo crescente das turnês internacionais.Dependendo da decisão do tribunal, o caso pode provocar mudanças profundas no setor.Entre as possibilidades discutidas está a separação entre Live Nation e Ticketmaster, o que obrigaria a empresa a dividir suas operações de promoção de shows e venda de ingressos.Leia também: Rio2C traz Alcione, Zeca Pagodinho, roteirista de Friends e mais; veja valoresQuanto tudo isso pesa no bolso do consumidorEm alguns casos analisados por autoridades dos EUA, as taxas chegaram a representar até 40% do valor do ingresso. Essas cobranças incluem tarifas de processamento, custos de operação da plataforma e outros encargos adicionados no momento da compra.Debate também aparece no BrasilPor aqui, a situação se repete. Dependendo do evento e do canal de venda, essas taxas costumam variar entre 10% e 20% do preço do ingresso.Veja alguns exemplos recentes:ShowPlataforma de vendaPreço anunciadoTaxa de serviço*Preço finalTurnê The Eras Tour – Taylor Swift (2023)Tickets for FunR$ 1.050R$ 210R$ 1.260Turnê Got Back – Paul McCartney (2023)Tickets for FunR$ 990R$ 198R$ 1.188*Valores aproximados considerando taxa de serviço aplicada em compras online.Fonte: páginas oficiais de venda de ingressos das turnês.Os valores podem variar dependendo do setor escolhido, da cidade e do canal de compra. Plataformas costumam aplicar percentuais diferentes para compras online ou presenciais, e alguns eventos podem ter taxas menores.Mesmo assim, os exemplos mostram um efeito comum para o consumidor: a diferença entre o preço anunciado e o valor final pode passar facilmente de R$ 200.O que pode mudarSe o tribunal concordar com os argumentos do governo americano, a decisão pode alterar a estrutura do mercado global de shows.Uma eventual separação entre Live Nation e Ticketmaster poderia incentivar a concorrência entre promotores de eventos e plataformas de venda de ingressos.Analistas avaliam que mudanças desse tipo tendem a repercutir além dos Estados Unidos, pois a indústria da música ao vivo funciona de forma global, com turnês internacionais que passam por vários países, incluindo o Brasil.Por isso, mesmo para quem só quer saber quanto vai pagar no próximo show, o julgamento levanta uma pergunta que também interessa por aqui: qual é o peso real das taxas cobradas pelas plataformas no preço final do ingresso, e quanto disso acaba pesando no bolso do fã.The post Ticketmaster: EUA abrem processo contra empresa por monopólio e taxas de ingressos appeared first on InfoMoney.