O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou, nesta quarta-feira (4), medidas cautelares contra Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-chefes do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Eles são alvos da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master.Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam atuado informalmente em favor da instituição financeira, orientando estratégias e repassando informações privilegiadas para Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas. Eles estão proibidos de acessar o Banco Central, deverão usar tornozeleira eletrônica, não podem sair do município onde residem e estão impedidos de manter contato com outros investigados.O STF também autorizou o compartilhamento de provas com o Banco Central para abertura de procedimento administrativo disciplinar. A autarquia terá 30 dias para informar à Justiça as providências adotadas.Operação Compliance ZeroA terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quarta-feira, prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal investiga a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente cometidos por uma organização criminosa.Confirmado pela reportagem da Jovem Pan, o banqueiro foi levado, após a prisão, à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi alvo de mandado de prisão. Ele se entregou à PF na manhã desta quarta.Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.Segundo a PF, as investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil, que auxiliou na análise de movimentações financeiras e estruturas societárias ligadas ao grupo investigado.Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A medida tem como objetivo interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo e preservar valores que possam ter relação com as práticas ilícitas apuradas.Vorcaro aguardava para depor na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (4), a partir das 9h.Procurada pela Jovem Pan, a defesa de Daniel Vorcaro se manifestou após a nova prisão do empresário nesta quarta-feira (4) e afirmou que ele sempre esteve à disposição das autoridades.Em nota, os advogados sustentaram que Vorcaro jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça. A defesa também negou as acusações atribuídas ao banqueiro. “A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, diz o texto.Caso MasterAs liquidações do Banco Master, decretadas pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica. Leia também Em mensagens, Vorcaro fala em 'dar pau' em jornalista e 'moer' funcionária 'Perigo iminente': entenda decisão de Mendonça que mandou prender Vorcaro