Depois de dispararem e renovarem recordes, ouro e prata voltaram ao centro das discussões do mercado — e, para o BTG, o rali recente ainda não esgotou a tese para 2026.Em episódio especial do BTG Asset Talks, gravado no BTG Summit 2026, Jerson Zanlorenzi, sócio da área de produtos do BTG Pactual, e Eduardo Miquelotti, head de fundos indexados e ETFs da BTG Pactual Asset Management, afirmaram que os metais seguem fazendo sentido como proteção e diversificação, mesmo após a alta recente.“Quando tem um movimento muito abrupto, geralmente é uma somatória de fatores. O ouro é visto como reserva de valor e moeda global. Todo mundo aceita ouro”, disse Zanlorenzi, ao explicar que a combinação de incerteza geopolítica e mudança de fluxo global ajudou a colocar o metal em um novo patamar.Na leitura do executivo, as tensões internacionais — de conflitos em diferentes frentes à disputa por influência entre potências — criam um pano de fundo que naturalmente favorece a commodity. Mas o gatilho mais recente, segundo ele, foi a perda de valor do dólar e o aumento da percepção de risco em torno dos Estados Unidos.“No último um ano e meio, a gente está tendo um movimento grande de perda de valor do dólar — esse foi o grande gatilho do ouro recentemente”, afirmou. “Isso colocou em cheque a soberania inquestionável do dólar e gerou aumento de percepção de risco, com fuga de capital dos Estados Unidos”, completou.Zanlorenzi chamou atenção para o tamanho dessa concentração: “Hoje, 70% de todos os ativos internacionais de investimento são americanos”, disse, argumentando que uma realocação — mesmo marginal — tende a “raspar” outros mercados e ativos. “O ouro e, depois, a prata absorveram grande parte disso, porque eram ativos sólidos e líquidos”, afirmou.Para 2026, a tese estrutural permanece, segundo o BTG. Na avaliação de Zanlorenzi, o cenário de volatilidade política, dólar mais fraco e tensões geopolíticas recorrentes continua dando sustentação ao ouro, enquanto a tendência de cortes de juros pode ampliar o apetite por risco e reforçar fluxos para outras classes de ativos — incluindo metais.“A tese do ouro não mudou nada. Eu acho que ainda vai muito bem no portfólio, principalmente pela descorrelação”, disse o executivo, ressaltando que a proposta não é uma alocação grande, mas uma fatia que caminhe diferente do restante da carteira. “Você vai ter talvez 2% ou 3% do seu portfólio nessa classe de ativo, porque ela caminha diferente das demais e te dá o benefício da diversificação”, afirmou.Procura por ouro aumentaDo lado de produtos, Miquelotti destacou que a busca por exposição aos metais tem crescido e citou números de desempenho e fluxo. Segundo ele, em 2026, o ouro em real já ultrapassou retorno de 20% e a prata de 25%. “Nos últimos dois meses, a gente vê um fluxo muito grande, quase constante”, disse, estimando que o patrimônio da vertical de metais da gestora tenha crescido entre 20% e 30% no ano, impulsionado principalmente por novos aportes.Miquelotti também citou a tração do ETF de ouro da casa, lançado em novembro de 2025. “Em apenas três meses, o ETF de ouro (GOLDB11) ultrapassou R$ 50 milhões de patrimônio”, afirmou.Ele menciona que, do total, aproximadamente 60% do fluxo veio de investidores institucionais (pessoa jurídica, em grande parte fundos) e 40% de pessoas físicas, refletindo usos distintos para a classe — tanto como instrumento de performance quanto como proteção.Para o head de ETFs, o formato desses fundos, que replicam índices, ajuda a reduzir fricções de acesso e dar transparência ao investidor. “Quando você compra ouro via ETF, você tem eficiência tributária, alta liquidez e transparência — dá para operar no home broker”, afirmou, citando ainda vantagens como não ter come-cotas e a alíquota típica de 15% em renda variável.Ao final, o BTG reforçou que ouro e prata podem seguir ganhando espaço como posição estrutural na carteira em 2026, especialmente em um mundo em que os choques geopolíticos seguem se alternando e o ciclo de juros tende a mudar. “As teses do ouro e da prata nos parecem estruturais. Ter uma parcela razoável — algo entre 1% e 5% — é bom para qualquer portfólio”, afirmou Zanlorenzi.