A população do Irã transferiu mais de dez milhões de dólares em criptomoedas para o exterior e para carteiras próprias de bitcoin logo após o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o país. O movimento de fuga de capital ocorreu entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março de 2026, com picos de saques de até dois milhões de dólares por hora nas plataformas de câmbio locais, de acordo com o relatório da empresa de análise Chainalysis divulgado na quarta-feira (3).Os dados da empresa de rastreio mostram um salto atípico no volume de transferências na blockchain. As retiradas por hora nas corretoras iranianas subiram para um patamar 873% superior à média do ano logo após as primeiras notícias dos bombardeios no território nacional.Esse fluxo segue um padrão de comportamento de proteção de patrimônio no mercado iraniano, avaliado em 7,8 bilhões de dólares. Os volumes de negociação sobem em momentos de choque militar e de agitação social interna.A desvalorização da moeda local e a pressão das sanções econômicas criam um cenário de busca por opções seguras de reserva de valor.O cidadão comum e o Estado usam o mercado de criptomoedas como um canal alternativo de transferência financeira e de proteção contra o confisco.Corrida para a auto custódia em carteiras de bitcoinAs métricas da Chainalysis apontam que o ritmo de saques de bitcoin já registrava alta nos dias anteriores aos ataques de 28 de fevereiro. A população antecipou o cenário de instabilidade militar e acelerou a compra de moedas antes do corte de conexões de internet por parte do governo.A análise do destino do dinheiro revela a transferência de quantias expressivas para corretoras estrangeiras e para carteiras sem identificação de controle. A primeira explicação para esse fluxo recai sobre o usuário de varejo.O cidadão retira suas criptomoedas das plataformas centralizadas para aplicativos de controle próprio em busca de segurança, liquidez e acesso sem depender de bancos.A falha de conexão à internet no país dificulta a ação dos clientes de varejo, mas não impede a fuga de fundos de investidores com infraestrutura de rede superior. A população entende a necessidade de manter suas moedas fora do alcance das autoridades durante a guerra.Segurança corporativa e ação do Estado?A segunda hipótese para a movimentação em massa envolve a proteção corporativa. As corretoras iranianas enviam saldos para endereços novos com o intuito de despistar rastreios e fugir de bloqueios por sanções financeiras internacionais.Essas plataformas operam sob ameaça constante de ataques cibernéticos. No ano de 2025, um grupo de invasores roubou mais de 90 milhões de dólares da Nobitex, a maior empresa do setor no Irã. O receio de novas falhas de segurança motiva a transferência de moedas para cofres frios e sistemas paralelos durante crises políticas.A terceira possibilidade abrange o uso da blockchain por parte de operadores ligados ao governo iraniano. Esses agentes estatais utilizam a infraestrutura das corretoras domésticas para lavar dinheiro, financiar aliados e viabilizar o comércio exterior.A equipe da Chainalysis adverte, por fim, sobre a dificuldade de separar o dinheiro de civis, as contas de corretoras e os fundos do Estado em meio ao caos do conflito armado.Fonte: População do Irã compra bitcoin durante guerra e coloca em auto custódia, revelam dadosVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.