Obesidade infantil deve superar desnutrição até 2027; veja riscos

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A prevalência de excesso de peso entre crianças e adolescentes está crescendo em um ritmo acelerado em todo o mundo. Segundo o mais recente Atlas da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), citado pelo G1, a projeção é que, até 2027, o número de jovens obesos supere o de desnutridos globalmente.Atualmente, estima-se que 20,7% dos jovens entre 5 e 19 anos vivam com obesidade ou sobrepeso; um salto considerável em relação aos 14,6% registrados em 2010. No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes estavam nessa condição em 2025, com previsões de que o índice ultrapasse 50% dessa população até 2040.Como a tecnologia e o ambiente influenciamO avanço da obesidade não é resultado apenas de escolhas individuais, mas de um contexto estrutural. A tecnologia desempenha um papel ambíguo nesse cenário: se por um lado auxilia na medicina, por outro, o excesso de tempo de tela contribui para o sedentarismo. Segundo o relatório, em 95% dos países analisados, a maioria dos adolescentes não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física.Além disso, o ambiente alimentar expõe precocemente os jovens a produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas. Outro fator crucial é a saúde metabólica materna. Condições como o diabetes gestacional e o tabagismo durante a gravidez podem programar biologicamente a criança para um maior risco de desenvolver doenças crônicas no futuro.Para facilitar a compreensão, médicos alertam que a obesidade pode levar à hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue, que pode evoluir para diabetes tipo 2) e à esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado, que prejudica o funcionamento do órgão).Resultados das projeções e riscos à saúdeO estudo aponta que o aumento da obesidade infantil trará consequências diretas para os sistemas de saúde. A estimativa é de um aumento de 15% nos diagnósticos de doenças associadas ao peso em jovens, totalizando 9 milhões de casos. Entre as principais complicações estão:Hipertensão: pressão arterial elevada que sobrecarrega o coração.Triglicerídeos elevados: gorduras no sangue que aumentam o risco cardiovascular.Impacto psicossocial: além do dano físico, a condição afeta o desenvolvimento emocional e a autoestima na fase escolar.De acordo com o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, a prevenção deve ser encarada como prioridade desde o pré-natal. “O aleitamento exclusivo até os seis meses e mantido de forma complementar até os dois anos reduz o risco de obesidade em cerca de 20% a 25%. Além disso, na introdução alimentar, é importante evitar açúcar, inclusive sucos, e priorizar alimentos in natura”, orienta.Próximos passos e prevençãoO relatório da Federação Mundial de Obesidade destaca que frear essa tendência exige políticas públicas integradas e não apenas recomendações isoladas. Entre as estratégias propostas estão:Regulação digital: restrição do marketing de alimentos não saudáveis voltado ao público infantil em redes sociais e plataformas de vídeo.Taxação: adoção de tributos sobre bebidas adoçadas para desestimular o consumo precoce.Intervenção escolar: implementação de padrões nutricionais rígidos e metas claras de atividade física nas instituições de ensino.Apoio clínico: fortalecimento da atenção primária para identificar precocemente alterações no Índice de Massa Corporal (IMC) das crianças.É importante ressaltar que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial. O acompanhamento médico especializado é indispensável para o diagnóstico e tratamento adequado, evitando a automedicação ou dietas restritivas sem orientação profissional.O post Obesidade infantil deve superar desnutrição até 2027; veja riscos apareceu primeiro em Olhar Digital.