Os Exchange Traded Funds não são novidade no mercado brasileiro. Com mais de 20 anos do lançamento do primeiro produto no mercado local e cerca de 35 anos do primeiro ETF no exterior, esse instrumento há muito tempo aparece nas páginas de finanças. No entanto, nos últimos meses, há uma quantidade crescente de matérias e conversas sobre ETFs nas mídias especializadas. O que mudou? Em 2024, o mercado de ETFs brasileiro encerou o mês de dezembro com cerca de R$54 bilhões de patrimônio, divididos em 113 produtos. Esse volume correspondia a menos de 1% da indústria de fundos local e representava um crescimento modesto em relação aos anos anteriores. Inscreva-se gratuitamente na InfoMoney Premium, a newsletter que cabe no seu tempo e faz diferença no seu diaEm 2025, esse cenário mudou abruptamente, com o lançamento de 67 novos ETFs e um patrimônio total de R$90,6 bilhões; um crescimento de 68%! Além disso, a diversidade de produtos, gestores e mesmo provedores de índices aumentou expressivamente, criando um ecossistema em volta desses produtos. Fonte: ANBIMA|XP Asset Management Mas o que motivou essa mudança em 2025 e por que o investidor deveria acompanhar esse tema? Maturidade da indústria Assim como no exterior, durante muito tempo os ETFs, ou “fundos de índices”, como são chamados na regulação local, eram sinônimo de investimento em ações. Até 2014, todos os ETFs existentes na B3 se restringiam a diferentes combinações das ações de empresas locais, o que tornava seu crescimento dependente da performance da bolsa brasileira. Apenas naquele ano surgiram os primeiros veículos que investiam em empresas estrangeiras. Em 2019, surgiu o primeiro ETF voltado à títulos de renda fixa, seguido em 2020 pelo primeiro ETF de commodities. Em 2021, 3 anos antes do mercado americano, foi listado o primeiro ETF de criptoativos. Hoje, as principais classes de ativos, locais e estrangeiras, podem ser acessadas via este tipo de instrumento. A diversidade de estratégias também está refletida da distribuição do patrimônio. Apesar dos ETFs de Ibovespa ainda serem muito grandes na indústria, a classe de renda variável local já é quase do mesmo tamanho que a de ações locais. Fonte: ANBIMA | XP Asset Management – Data Base: 30/01/2026São atualmente 187 instrumentos disponíveis, de 19 gestores diferentes e cerca de 2 dezenas de provedores de índices. Ecossistema O ecossistema em que os ETFs estão inseridos também evoluiu, acelerando nos últimos meses. Os formadores de mercados, que são instituições que provêm liquidez se comprometendo a manter ao longo do dia ofertas de compra e venda nos ativos com um spread (diferença entre os preços das ofertas) fixo, também se multiplicaram. São ao menos 7 instituições atuando como formadores contratados pelos emissores dos ETFs e vários outros atuando como autônomos (quando o contrato é apenas entre o formador e a própria B3). A presença de mais agentes provendo liquidez não apenas aumenta os volumes negociados, mas dá segurança ao investidor de que há liquidez para a execução das ordens. Há também um volume expressivo em opções listadas na B3, principalmente baseadas nos ETFs mais líquidos, como alguns de Ibovespa, Small caps e de commodities, como o GOLD11, que permitem aos investidores criar operações que vão desde a compra de uma proteção contra a queda do ativo (compra de put) e venda de calls (covered calls) até estruturas de retorno mais complexas. Com o lançamento de ETFs de um único vencimento de NTN-B (Tesouro IPCA +), como a família XB (XB3011, XB3511, XB4511, XB5011 e XB6011), essas estruturas passaram a ser disponíveis, via opções flexíveis, sobre instrumentos antes exclusivamente de balcão, abrindo uma nova gama de alternativas aos investidores. Demanda Todo esse desenvolvimento de produtos só foi possível por conta do crescimento da demanda. O crescimento dos serviços de consultoria de investimento e de assessoria fee-based (onde o profissional é remunerado por uma taxa fixa paga pelo investidor ao invés de uma comissão paga pelo emissor do produto vendido) estão ligados ao crescimento de ETFs não apenas no Brasil, mas em vários mercados internacionais. E aqui, as grandes plataformas passaram a ofertar esses modelos, replicando o observado nos mercados mais desenvolvidos. O fim da isenção de come-cotas (antecipação semestral de imposto de renda cobrada sobre os fundos de investimentos de renda fixa e multimercados) nos fundos exclusivos também redirecionou parte da demanda de investidores private para ETFs, em especial os de renda fixa, que não estão sujeitos a essa cobrança. Aqui também pesaram fatores conjunturais, como a dificuldade por parte expressiva da indústria de fundos de entregar retornos acima do mercado, tanto na renda fixa quanto na renda variável, que propiciaram a oferta de fundos e ETFs indexados aos investidores. O que vem pela frente Um consenso na indústria é que o crescimento observado ainda é pequeno frente ao potencial desse mercado. Mesmo chegando a R$100 bilhões de patrimônio no primeiro trimestre de 2026, a indústria de ETFs segue sendo cerca de 1% da indústria de fundos; volume irrisório frente aos 35% no mercado norte-americano e os mais de 20% em outros mercados desenvolvidos. Do ponto de vista regulatório também são esperadas mais inovações, com o debate em relação a novos tipos de ETFs. Com o aumento da demanda e da amplitude da oferta, torna-se fundamental educar o investidor para que ele conheça as vantagens e também os riscos associados a esses produtos, que já fazem parte da carteira de cerca de 800 mil pessoas físicas e potencialmente entraram nas de milhares de novos investidores. The post Por que falar sobre ETFs? appeared first on InfoMoney.