As ações da Vale (VALE3) acumulam uma forte valorização nos últimos meses, mas o espaço para novas altas pode ser limitado diante do atual nível de valuation, avaliam analistas da XP Investimentos em relatório divulgado nesta quinta-feira (5).Segundo a corretora, os papéis da mineradora subiram cerca de 80% nos últimos 12 meses, impulsionados principalmente por fluxos estrangeiros para mercados emergentes, pela valorização de metais e pelo crescente interesse dos investidores em ativos ligados ao cobre.“A Vale tem se beneficiado de um ambiente de entrada de capital estrangeiro no Brasil, além da rotação global para commodities e ativos expostos ao cobre”, afirmam os analistas Lucas Laghi e Guilherme Nippes, da XP Investimentos.Apesar do bom momento das ações, a casa mantém recomendação neutra para a companhia, com preço-alvo de R$ 85 por ação, o que implica um potencial de valorização de cerca de 1% em relação aos níveis atuais.“O momentum das ações melhorou significativamente, mas, em termos de valuation, vemos o papel negociando próximo do valor justo”, escrevem os analistas.Cobre ganha peso na tese da ValeUm dos principais pontos positivos na visão da XP é o crescimento da divisão de metais básicos, especialmente o cobre, que vem ganhando relevância na estratégia da companhia.Segundo o relatório, a produção de cobre da Vale pode quase dobrar até 2035, saindo de cerca de 350 mil a 380 mil toneladas em 2026 para aproximadamente 700 mil toneladas ao ano no longo prazo.“A história do cobre na Vale se tornou mais tangível, com aumento da produção e perspectivas mais favoráveis de preços no longo prazo”, afirmam os analistas.Projetos como Bacaba, Salobo, Alemão e a joint venture com a Glencore fazem parte do pipeline de crescimento da companhia e apresentam taxas internas de retorno consideradas atrativas.Esse avanço do cobre ajuda a compensar a percepção de um cenário estruturalmente mais fraco para o minério de ferro, hoje o principal produto da mineradora.Apesar da melhora operacional e do avanço da tese do cobre, o minério de ferro, na visão da casa, ainda representa um fator de pressão para a empresa.A XP projeta que os preços da commodity recuem ao longo dos próximos anos, passando de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para aproximadamente US$ 90 por tonelada a partir de 2028.Segundo os analistas, o mercado enfrenta um ambiente de estoques elevados na China, desaceleração na demanda por aço e crescimento de novos projetos de oferta global — caso, por exemplo, da usina de Simandou, na Guiné, que está em ramp up.“O minério de ferro continua sendo um fator de pressão para a tese de investimento, especialmente em um cenário de demanda estruturalmente mais fraca na China”, dizem os analistas.Valuation já incorpora parte do otimismoMesmo com o desconto em relação a algumas concorrentes globais, a XP avalia que o atual valuation da Vale já reflete boa parte das expectativas positivas.A mineradora negocia com EV/EBITDA projetado de cerca de 4,9 vezes para 2026, enquanto o yield de fluxo de caixa livre estimado é de aproximadamente 7,2%, nível superior ao de várias pares internacionais.Ainda assim, os analistas avaliam que esse retorno já não é tão atrativo quanto no passado recente. “Embora a Vale continue mais barata que alguns pares, os yields absolutos já não parecem particularmente atrativos após a reprecificação recente das ações”, afirmam.Segundo a XP, novas altas mais relevantes dependeriam principalmente de dois fatores: crescimento do cobre acima do esperado ou preços do minério de ferro mais resilientes do que o cenário base.Enquanto isso não acontece, o banco acredita que a ação pode continuar sendo sustentada pelo fluxo de capital estrangeiro e pela exposição crescente ao cobre, mas sem muito espaço adicional de valorização.“Reconhecemos a melhora do momentum das ações, mas o valuation atual sugere um potencial de alta limitado”, concluem os analistas.