Uma estrutura estável, com divisão de tarefas e e uma “finalidade delitiva” são indícios claros da existência organização criminosa no esquema sustentando pelo banqueiro Daniel Vorcaro e batizado, segundo a Polícia Federal, “A Turma”. A avaliação é do advogado criminalista Gabriel Vitorino da Silva, sócio-gestor do escritório Alan Januário Advocacia.No inquérito que culminou com a prisão do dono do Banco Master e outros envolvidos nesta quarta (4), a Polícia Federal (PF) identificou que “A Turma” era dividida em pelo menos quatro núcleos. Um deles foi apontado como o “núcleo de intimidação e obstrução de Justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal. Além de Vorcaro, o grupo conta com seu cunhado, Fabiano Zettel, que se entregou na sede da PF em São Paulo, Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, que teria cometido suicídio após ser preso, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Segundo o inquérito da PF, um grupo apelidado de “A Turma” era utilizado para monitorar e intimidar adversários, autoridades e jornalistas. O embasamento para a prisão preventiva deu-se pelo “risco concreto de interferência nas investigações”. Para Vitorino, não se trata, em tese, de “rigor” da Justiça, “mas de juízo concreto de cautelaridade, especialmente quando há indícios de interferência na colheita probatória, risco à instrução e reiteração delitiva”, afirmou o advogado criminalista. Na decisão pelos pedidos de prisão, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), manter os investigados em liberdade “permitiria o funcionamento da organização criminosa, com risco concreto de destruição de provas”. Plano de agressão As investigações apontaram que o grupo criminoso mantinha uma estrutura de vigilância e coerção destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos. Um dos alvos era o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Mensagens revelam a trama para forjar um assalto contra o colunista com o objetivo de “quebrar todos os seus dentes”, como forma de retaliação. Blindagem bilionária Outro ponto central para a preventiva é a ocultação de R$ 2,2 bilhões do banqueiro na conta de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. A movimentação ocorreu no desenrolar da investigação, após Vorcaro ter sido solto no final de 2025, o que reforça a tese de reiteração criminosa para os investigadores. Segundo a PF, apenas 10% do material coletado foram analisados. Para inibir a continuidade dos ilícitos, Mendonça suspendeu as atividades das empresas ligadas aos investigados. Conforme o ministro do STF, tais empresas teriam sido constituídas “não para produzir riqueza e gerar empregos, mas para agir exclusivamente na prática de ilícitos”, viabilizando a lavagem de dinheiro. *Com supervisão de Gustavo Porto