O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) puniu, na quarta-feira (4), Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull Bragantino, com 12 partidas de suspensão – válidas apenas por torneios estaduais – e multas no valor total de R$ 30 mil. A decisão foi motivada pelas declarações do atleta contra a árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos no dia 21 de fevereiro (leia as declarações abaixo).Na ocasião, o Bragantino perdeu por 2 a 1 para o São Paulo e foi eliminado do Campeonato Paulista. Após o término da partida, Gustavo Marques criticou a escalação da juíza e afirmou que a Federação Paulista de Futebol (FPF) não deveria “colocar uma mulher” para apitar o jogo, declarando que ela não tinha capacidade para a função em razão do seu gênero.O jogador foi condenado com base em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD):Artigo 243-G (ato discriminatório): punição de oito partidas de suspensão e multa de R$ 20 mil;Artigo 243-F (ofensa à honra): punição de quatro partidas de suspensão e multa de R$ 10 mil.Após o episódio ocorrido em fevereiro, o Red Bull Bragantino emitiu uma nota oficial para repudiar a atitude do zagueiro e informou que o atleta reconheceu o erro e pediu desculpas à árbitra ainda nas dependências do estádio. A Federação Paulista de Futebol também se manifestou em apoio à profissional e encaminhou o caso oficialmente para a Justiça Desportiva, o que resultou na condenação.A Jovem Pan procurou a defesa do atleta, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.‘Não pode botar mulher para apitar’Árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos, durante partida entre Bragantino x São PauloGustavo Marques disparou de forma agressiva contra a árbitra Daiane Muniz, após a derrota do Bragantino.“Primeiramente agradecer a Deus pela oportunidade, pelo gol. Acho que nossa equipe sempre lutou. A gente não deixou de lutar em nenhum jogo, desde o primeiro jogo contra o Noroeste… a gente pecou hoje, tenho certeza disso. A gente tem de levantar a cabeça. A gente sabe que em três dias a gente já tem outros jogos do Brasileiro”, começou falando o defensor do Bragantino.Em seguida, dirigiu-se diretamente à juíza, afirmando que o fato de ela ser mulher, não possuir a capacidade de apitar um jogo de semifinal do Paulistão. Além disso, segundo ele, a árbitra ainda teve uma atuação antiprofissional ao favorecer o clube do Morumbi.“Mas, primeiramente, eu quero falar da arbitragem. Porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians.. e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo deste tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. Eu acho que o São Paulo tem todo mérito, pela camisa, pela tradição que tem. Eu acho que ela puxou pra eles, porque independente da situação, o Red Bull é grande, mas pra ela o São Paulo foi melhor, foi maior.”“Eu acho que esse jogo é critério dela, porque ela não foi mulher. A gente trabalha todo dia, a gente deixa família em casa .. irmão, pai, mãe, esposa, todo mundo, pra ela vir e acabar com o sonho. Era o sonho da gente chegar na semi ou até na final, mas ela acabou com o nosso jogo.”“Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar para os jogos deste tamanho e não colocar uma mulher. Com todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, eu tenho a minha mãe. Desculpa se eu estou falando alguma coisa para as mulheres, mas do tamanho dela eu não acho que ela tem a capacidade de apitar um jogo desse.”“A gente tem de levantar a cabeça, porque daqui a três dias a gente já joga outro jogo e é vida que segue.”Depois, perguntado pelo repórter da TNT Sports em campo sobre os erros de Daiane Caroline Muniz dos Santos, ele reafirmou as questões de gênero.“Ela errou desde quando começou o jogo. O São Paulo já começou a segurar o jogo, e ela falava que o Cleiton segurava o jogo, que eu segurava o jogo… ela não teve critério para as duas equipes. Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar isso. Não porque o Red Bull é pequeno. O Red Bull é muito grande. E pode ter certeza que vamos fazer muita história esse ano”, finalizou. Leia também Jovem Pan resgata áudio de Brasil e França, pela Copa de 1986, com José Silvério Palmeiras vence Novorizontino por 1 a 0 e abre vantagem na final do Paulista