Se 2025 foi o ano que consolidou o Nubank (ROXO34) como uma das principais ações da bolsa brasileira, 2026 não tem sido um bom ano para o roxinho. Aqui no Brasil, papéis de bancos como Bradesco (BBDC4) ou Itaú Unibanco (ITUB4) renovaram máximas históricas. A fintech, por outro lado, sofreu com o temor de que a disrupção da Inteligência Artificial (IA) possa causar.Mas, para o JPMorgan, a queda parece exagerada. Os analistas atualizaram as projeções e elevaram a estimativa de lucro em 2026 em 6%, para US$ 4 bilhões, ante os US$ 3,8 bilhões anteriores. A questão, segundo os analistas, é que a queda dos impostos vai compensar a alta dos investimentos. Sim, o Nubank já avisou que irá investir mais em 2026 em meio ao avanço da IA. Até questões como a volta do trabalho presencial entrarão nessa equação.“Os investidores estão ansiosos para saber quanto custarão o retorno ao escritório, a IA e a tecnologia, além dos investimentos nos EUA. A maioria das perguntas se concentra em saber se a estratégia nos EUA será bem-sucedida ou simplesmente resultará em despesas com pouca ou nenhuma visibilidade de retorno”.Inclusive, na última quarta-feira, o Nubank anunciou o patrocínio ao Inter Miami CF, o time de Lionel Messi. Apesar de não ter revelado valores, segundo o Brazil Journal o contrato terá duração de pelo menos 15 anos e envolve um valor anual de US$ 18 milhões a US$ 20 milhões.De toda forma, os investidores são mais otimistas: acreditam que a IA e a tecnologia são percebidas como necessárias para sustentar as ambições de crescimento de longo prazo da empresa. Em relação à aquisição reversa (RTO, na sigla em inglês para reverse takeover), o JPMorgan diz que ela deve ser diluída ao longo do tempo — ou seja, não é necessário dobrar o número de escritórios todos os anos.“Estamos reduzindo a alíquota contábil de imposto do Nubank em 6 pontos percentuais, de 28%, conforme nossa projeção anterior, para 22%. Isso, por si só, deve gerar um aumento de lucros de aproximadamente US$ 350 milhões, o que acreditamos que compensará amplamente os maiores investimentos”.Os lados bons do NubankNo relatório, o JPMorgan recorda que o Nubank é a fintech de maior sucesso na América Latina, com aproximadamente 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.Entre as vantagens está o alto engajamento e o relacionamento próximo com os clientes. Outro ponto positivo é o custo de atendimento em relação aos concorrentes. Ou seja, o roxinho consegue atender seus usuários com menos custos, já que a plataforma digital favorece essa dinâmica.“A empresa também melhorou significativamente sua rentabilidade em 2023 e 2024, impulsionada por novos produtos, escala e alavancagem operacional. O Nubank apresenta um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de aproximadamente 50% no Brasil, apesar de possuir excesso de capital”.O Nubank se beneficia de uma das marcas mais valiosas do Brasil, enquanto continua a expandir para outras regiões.“Embora nos preocupemos com a possibilidade de o crescimento, ainda que esperado acima da média do setor, desacelerar, acreditamos que a avaliação da empresa permanece atrativa, com um CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de lucro por ação superior a 30% nos próximos três anos e um múltiplo de aproximadamente 20 vezes o lucro projetado para 2026”.