Quais impactos monitorar até agora para o Brasil com choques nos preços de energia?

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O conflito entre Estados Unidos e Irã provocou um choque nos mercado globais de energia, elevando os prêmios de risco e pressionando os preços do petróleo e do gás natural. Desde o fim de semana, a escalada das tensões afetou infraestruturas de petróleo e levou a restrições operacionais no Estreito de Hormuz, o que impulsionou o preço do Brent para acima de US$ 80 por barril – nesta quinta, o WTI (dos EUA) ultrapassou este patamar. Ao mesmo tempo, os preços do gás dispararam após a QatarEnergy anunciar a interrupção de sua produção de GNL (gás natural liquefeito), responsável por cerca de 20% da oferta global. A pressão adicional veio da alta dos spreads de refino (crack spreads): os de diesel subiram 52% e os de gasolina avançaram 18%.Leia tambémUltrapar tem resultados sólidos com Ipiranga, Hidrovias e Ultragaz e ações reagemGrupo Ultra lucrou R$ 256 milhões no 4º trimestreXP alerta que guerra EUA-Irã e alta do petróleo podem afetar corte da SelicXP ainda destaca que o aumento nos preços do petróleo pode contribuir para um déficit fiscal menor do que o esperadoComo consequência, o Itaú BBA destaca que os preços de paridade de importação de gasolina e diesel aumentaram significativamente, deixando os preços domésticos praticados pela Petrobras (PETR4) cerca de 22% abaixo do PPI (paridade de importação) no caso da gasolina e 29% abaixo no caso do diesel.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoApesar disso, o BBA avalia que o mercado global de petróleo permanece estruturalmente com excesso de oferta e que, após uma eventual desescalada do conflito, os preços tendem a convergir para cerca de US$ 60 por barril. No entanto, a duração do prêmio de risco geopolítico atual é incerta. “As tensões continuam distorcendo os sinais de preços e há pouca visibilidade sobre quando esse prêmio desaparecerá, o que dificulta prever a dinâmica de preços no curto prazo, mesmo com um equilíbrio de oferta e demanda mais favorável no médio prazo”, comenta o Itaú BBA.Setor de energiaO Itaú BBA afirma que a indexação de combustíveis nas usinas térmicas pode levar a uma revisão relevante para cima no custo variável unitário de geração (CVU) já em maio. Segundo os analistas, se os preços atuais de energia e combustíveis persistirem até lá, o custo de geração de diversas térmicas poderá subir de forma significativa.Como os modelos de precificação de energia no Brasil já operam em níveis elevados devido à hidrologia desfavorável durante o período chuvoso, a incorporação de índices de combustíveis e energia em meio a uma crise global pode pressionar ainda mais os preços de energia no curto e médio prazo. Nesse cenário, o banco destaca a Axia Energia (AXIA3) como a empresa do setor elétrico que mais poderia ter impacto positivo, devido ao seu elevado volume de energia descontratada no curto e médio prazo.CombustíveisNo setor de combustíveis, o impacto dependerá principalmente da velocidade com que a Petrobras decidirá ajustar os preços. Na avaliação do banco, é improvável que a estatal aumente rapidamente os preços domésticos, já que sua política busca evitar repassar volatilidade de curto prazo ao mercado interno. Assim, a petrolífera tende a aguardar maior clareza sobre o cenário global antes de fazer qualquer ajuste.O Itaú BBA também não vê risco de desabastecimento de diesel no país. Dados indicam que as importações do combustível permaneceram resilientes mesmo em períodos em que a paridade de importação superava os preços domésticos.Leia tambémDiesel da Petrobras tem maior defasagem desde 2022 e importador pede reajusteO movimento ocorre devido a uma disparada dos preços do combustível fóssil do exterior, com a escalada de conflitos no Oriente MédioAlém disso, os resultados da Petrobras não devem ser prejudicados no período, já que a companhia atualmente possui exposição positiva aos preços do petróleo. Sempre que o petróleo sobe, o impacto líquido tende a ser favorável para seus resultados, independentemente do nível de preços domésticos de diesel e gasolina.De forma geral, o BBA aponta que as maiores distribuidoras de combustíveis podem ser as principais beneficiadas nesse cenário, pois o fechamento da arbitragem de importação tende a favorecer a retomada do ganho de participação de mercado e potencial expansão de margens. Dentro do setor de petróleo e gás, o banco afirma preferir as distribuidoras, especialmente Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3).The post Quais impactos monitorar até agora para o Brasil com choques nos preços de energia? appeared first on InfoMoney.