A Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) divulgou na última terça-feira (3) seus dados mensais de janeiro de 2026. Em relatório, os analistas financeiros do Santander afirmaram que os dados fornecem insights interessantes sobre o momento hospitalar atual. Segundo os dados da ANAHP, janeiro de 2026 foi um mês ligeiramente negativo em relação à demanda hospitalar, com a taxa de ocupação caindo na comparação anual – e por consequência, ficando abaixo da média histórica do período. Além disso, os números apontam para um início mais fraco para o primeiro trimestre de 2026. Porém, os analistas do Santander ressaltam que não se pode tirar conclusões precipitadas baseadas apenas no que aconteceu em janeiro. “O CEO da Rede D’Or (RDOR3) já comentou que tanto janeiro quanto fevereiro mostraram tendências de demanda sólidas para o segmento hospitalar”, diz o relatório. Tais comentários foram feitos durante a teleconferência após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 da empresa.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoOutro ponto importante mencionado no relatório é a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que viu melhoras, assim como no prazo para quitação de compromissos com fornecedores durante o mês de janeiro. Além disso, dentro deste período, os dados da ANAHP apontam uma redução nas glosas (que são os valores recusados pelas operadoras de saúde por erros ou falta de autorização), apesar do tempo médio para o recebimento de faturas tenha se estendido.Nesse contexto, os analistas do Santander mantêm a expectativa de que hospitais de pequeno e médio porte poderão enfrentar um ambiente de curto a médio prazo mais desafiador, em linha com os comentários do diretor executivo da ANAHP. “Acreditamos que essa dinâmica deve favorecer grupos hospitalares maiores, que operam em um ambiente competitivo mais benigno, com potencial para ganho de participação de mercado”, diz o documento.Por outro lado, no que tange às operadoras de planos de saúde, os dados preliminares sinalizam um impacto favorável, “pois poderia representar menores pressões no Índice de Sinistralidade”, segundo os especialistas.Dentro da cobertura do Santander, há uma expectativa que a SulAmérica continue entregando melhoras no índice de sinistralidade nos próximos trimestres, “apoiada pela execução e pela expansão de produtos com coparticipação”. Já sobre a Hapvida (HAPV3), os analistas enxergam um momento de lucros desafiador no curto prazo, com pressões nas margens.Veja a análise dos dados da ANAHP:Taxa de ocupação: o volume de leitos utilizados recuou para 73,44% no primeiro mês do ano. Esse índice representa uma retração de 67 pontos-base na comparação anual e situa-se 46 pontos-base abaixo da média histórica, sinalizando um momento de baixa demanda para as instituições.Recuperação da rentabilidade operacional: A margem EBITDA saltou para 11,41%, um acréscimo de 102 pontos-base frente a janeiro do ano anterior. O resultado reverte a trajetória negativa vista em dezembro, embora o Santander ressalte que alterações contábeis na ANAHP tornem a análise comparativa mais complexa.Controle de faturas recusadas: O índice de glosas registrou uma evolução tímida ao cair para 1,54% do faturamento total. Apesar do recuo de 9 pontos-base, o banco avalia que o volume de rejeições de sinistros continua em patamares elevados, prejudicando o ciclo de fluxo de caixa.Pressão no fluxo de recebimentos: O prazo médio para que os hospitais recebam por seus serviços deteriorou de forma aguda, atingindo 87,1 dias. O indicador está 12,5 dias acima da média histórica, o que representa um impacto severo no ciclo financeiro das entidades.Alívio no prazo de pagamentos: Houve uma surpresa favorável no tempo de quitação com fornecedores, que se estendeu para 69,2 dias. O aumento foi de 21,5 dias no confronto anual, mas os analistas alertam que o dado pode refletir uma recente mudança metodológica na base de dados da ANAHP.The post Setor hospitalar: queda na demanda e pressão no fluxo de caixa podem impactar 1T26 appeared first on InfoMoney.