As novas guerras

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 Tenho ouvido responsáveis americanos dizer que lançaram uma “operação massiva” no Irão. Putin lançou uma “operação militar especial”. Será que se tiverem outro nome as guerras já não são guerras?Maduro e a teocracia iraniana merecem zero simpatia mas este mundo sem regras prenuncia um futuro altamente problemático.Na verdade, começamos a ver estabelecer-se uma regra: a regra da força. Importa por isso regressar a Gideon Rachman e ao seu importante livro A Era do Homem Forte (Vogais), um descodificador do presente.Os homens fortes querem terra: a Ucrânia, Taiwan, a Gronelândia. E querem obviamente os recursos da terra.Neste mundo em desordem, a lei internacional é invocada quando dá jeito. Ora, da mesma forma que o ataque ao Irão deve ser condenado, o financiamento de terrorismo pelo Irão não pode ser escamoteado. Da mesma maneira que devemos criticar Israel, não podemos deixar de olhar criticamente para o Irão. O Hezbollah, aliás, acaba de declarar lealdade ao novo aiatola. Será normal?Por isso, quando o Irão pede explicações a Portugal por causa da Base das Lajes, Portugal tem a obrigação de responder, mas também tem a obrigação de colocar perguntas ao Irão. Não deixa aliás de ser irónico ver um regime como o dos aiatolas a exigir explicações.Em suma, este mundo parece seguir uma velha máxima: para os amigos tudo, para os inimigos a lei.No meio da loucura, o canadiano Mark Carney emerge como a voz que importa escutar.E nesta barafunda, se a China invadir Taiwan onde estarão as vozes com legitimidade para condenar a República Popular?E a ONU? Que papel lhe resta? Dar os parabéns a Khamenei II pela nomeação? Como é costume dizer, vivemos tempos interessantes nesta espécie de  manicómio em que se tornou o mundo…O conteúdo As novas guerras aparece primeiro em Revista Líder.