De ervas medicinais a reflorestamento, mulheres lideram soluções climáticas

Wait 5 sec.

No território quilombola de Itacuruçá, em Abaetetuba (PA), mulheres da comunidade decidiram transformar um conhecimento ancestral em ação coletiva. A partir do uso tradicional de ervas medicinais, o Coletivo Mãe Preta: Sementes da Ancestralidade criou um espaço de cultivo comunitário dedicado à preservação de plantas utilizadas há gerações no cuidado com a saúde das famílias.O espaço, conhecido como jirau medicinal quilombola, reúne atualmente cerca de 250 mudas de plantas medicinais cultivadas pela comunidade. O projeto também mobilizou centenas de mulheres da região, promoveu oficinas de cultivo e educação ambiental e iniciou a identificação de 140 espécies de plantas medicinais utilizadas no território.O jirau medicinal quilombola reúne cerca de 250 mudas de plantas medicinais cultivadas pela comunidade. Coletivo Mãe Preta, Abaetetuba (PA). Foto: DivulgaçãoA experiência é um dos exemplos apresentados na publicação “Mulheres Potentes – Financiando Gênero e Liderança na Ação Climática”, lançada pelo Fundo Casa Socioambiental.Escrita pela pesquisadora Graciela Hopstein, a publicação analisa quase uma década de atuação da organização no âmbito da Aliança GAGGA (Global Alliance for Green and Gender Action), iniciativa internacional que fortalece organizações comunitárias lideradas por mulheres e dissidências de gênero na defesa do meio ambiente e da justiça climática.Fundo CasaEntre 2021 e 2024, no contexto mais recente do programa, o Fundo Casa apoiou 75 organizações e coletivos comunitários no Brasil, Paraguai e Bolívia, com mais de R$ 3,5 milhões em doações. Os projetos apoiados incluem iniciativas de agroecologia, reflorestamento, produção agroflorestal, comunicação comunitária, formação política, fortalecimento de redes territoriais e incidência em políticas públicas.Segundo a publicação, essas experiências mostram que muitas das respostas para enfrentar a crise climática já estão sendo construídas nos territórios, a partir do conhecimento e da organização das próprias comunidades.Coletivo Mãe Preta, Abaetetuba (PA). Foto: DivulgaçãoEm diferentes regiões, mulheres indígenas, quilombolas, agricultoras, pescadoras e lideranças comunitárias estão à frente de iniciativas de recuperação ambiental, proteção de territórios e fortalecimento de economias locais baseadas na biodiversidade. Ao mesmo tempo, são frequentemente as mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas e por desigualdades estruturais relacionadas a gênero, raça e classe.Apoiar essas lideranças é uma questão de equidade e uma estratégia fundamental para fortalecer soluções climáticas enraizadas nos territórios. Ao longo da trajetória da Aliança GAGGA, mais de quatro mil iniciativas lideradas por mulheres e dissidências de gênero já foram apoiadas globalmente, fortalecendo redes comunitárias e ampliando o debate sobre justiça climática.Mulheres PotentesA publicação integra a série Mulheres Potentes, que reúne reflexões e aprendizados sobre a relação entre gênero, território e justiça climática a partir da experiência de organizações que atuam diretamente com comunidades de base. O estudo foi desenvolvido a partir da análise de dados, revisão documental e entrevistas com lideranças comunitárias, financiadores e organizações parceiras. Leia também: 1.Crise climática afeta mais a renda de mulheres rurais 2.Mulheres cultivam futuro com agroflorestas no Pará O lançamento da publicação “Mulheres Potentes – Financiando Gênero e Liderança na Ação Climática” será realizado em um bate-papo online no dia 18 de março de 2026, das 10h às 11h (horário de Brasília).O encontro reunirá representantes de organizações e lideranças envolvidas na trajetória da Aliança GAGGA. Inscrições aqui.The post De ervas medicinais a reflorestamento, mulheres lideram soluções climáticas appeared first on CicloVivo.